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A mostrar mensagens de 2014

Carta de um penacovense ao Pai Natal

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Querido Pai Natal,
Conheces Penacova, não conheces? Pelo menos uma vez por ano, nessa noite mágica, o teu trenó sobrevoa esta bonita vila. Quando estiveres a viajar para cá, no dia 24, cuidado com o nevoeiro! Este ano, as iluminações natalícias não estão tão bonitas e, por isso, menos visíveis do ar! Há ruas escuras, sem brilho e não fizeram a tradicional árvore... 
Os comerciantes de S. João, a zona com mais lojas, estão tristes. Dizem que o negócio correria melhor se as luzinhas brilhassem mais, se houvesse uma instalação sonora para anunciar as lojas e os seus produtos! E também para criar ambiente, claro! Há músicas de Natal tão bonitas, não há Pai Natal? Na verdade, as prendas que queria pedir-te não são para mim! São para todos nós, penacovenses!  O primeiro pedido era que, através da magia do Natal, abrisses os restaurantes da vila, o Panorâmico e as Piscinas. Muitos jantares de Natal, convívios próprios desta época, tiveram de ser feitos noutros locais! É muito triste, não é? L…

Será que foi um bom investimento?

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Aplicar recursos financeiros em educação é, sempre que de uma forma planeada, um bom investimento. A educação é um pilar, um instrumento fundamental para a criação de uma sociedade cognitiva e é uma forma de combater as desigualdades sociais e a exclusão.  As obras do centro educativo de Lorvão começaram no início de 2012, com um orçamento previsto a rondar um milhão e duzentos mil euros. O equipamento deveria ter começado a funcionar no início do presente ano letivo mas o cronograma sofreu alguns atrasos. Alegados problemas com o empreiteiro e ajustes no projeto fizeram derrapar os prazos. O centro educativo, que aproveita e amplia o edifício da escola EB1, foi desenhado para poder albergar oitenta alunos e é um dos dois centros previstos na Carta Educativa para a freguesia de Lorvão. A dimensão e o investimento avultado, face ao número de alunos matriculados no presente ano letivo, têm alimentado a discussão entre o executivo socialista e a oposição. Na reunião da Assembleia Munici…

Atalhada vai integrar calendário da FPAK em 2015

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Inicialmente era conhecida como pista "Camel" ou "Saibreira". Não passava de um local para fazer algumas manobras mais radicais com veículos todo-o-terreno, mas rapidamente, alguém percebeu que seria possível ir mais além. A 16 de Setembro de 2001, o CDCP - Clube Desportivo e Cultural de Penacova, organizou, pela primeira vez na Atalhada, em parceria com a Associação Nacional de Pilotos de Kartcross, uma prova da Taça Nacional Inter-Sócios. O sucesso foi imediato e a pista passou a fazer parte do calendário da competição ao lado de Ourém, Lousã ou Santa Maria da Feira. Na edição de Setembro de 2001 do Jornal de Penacova, José Pimentel, presidente do clube justificava a aposta na Atalhada - "estiveram cá dirigentes da associação de pilotos e gostaram do traçado da pista. O CDCP aceitou o desafio e com a colaboração da câmara fizeram-se alguns melhoramentos. Uma prova de kartcross atrai sempre entre mil e duas mil pessoas. É um público que pode passar a vir a P…

Depois dos holofotes a triste realidade

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O seu nome foi publicitado durante horas a fio na transmissão televisiva "Portugal em Festa", até serviu de enquadramento à realização de vários apontamentos, mas, terminado o programa, regressou à triste realidade. É com mágoa que o escrevo, mas o Parque Verde continua a ser um equipamento esquecido pela autarquia. A primeira foto, à direita, junto a um dos acessos, situado entre o quartel dos bombeiros e o lar de idosos, revela o estado de abandono atual. Os caminhos, que até estão assinalados, estão tomados pela erva e mato, há vários equipamentos danificados, falta sinalética e partes da vedação também tombaram. O Parque Verde foi o tema de um dos meus primeiros textos, em Março, mas passados nove meses, nada mudou. Se, pelo menos, houvesse uma manutenção e limpeza regular, o mínimo que se pode exigir...mas nada! Terá havido uma ou outra intervenção pontual que serviu para limpar o que era visível da estrada... Na encosta onde foram plantadas várias espécies autóctones …

Penacova turbinada tem mais encanto

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Desde miúdo habituei-me a ver os mais velhos medirem o sucesso de uma iniciativa, pelo número de carros. Ora, o que dizer então da Feira do Mel e do Campo? Resposta dos mais velhos - "Na minha rua estavam carros dos dois lados da estrada, quase não se podia passar..." e ainda "Ó pá, nunca se viu uma coisa assim! Carrazedos, Malhadas, estrada nacional, ramal até ao fundo....tudo cheio. Andava aí tudo doido!" Bem, os testemunhos, dizem tudo! O evento foi um sucesso! Na verdade, a caixinha mágica que mudou o mundo, como alguém já a definiu, turbinou o certame de tal forma que posso afirmar, sem qualquer sombra de dúvida, que, foi dos acontecimentos mais concorridos de sempre em Penacova! O povo aderiu em massa ao "Portugal em Festa", do canal SIC. Durante seis horas, de transmissão em direto, uma multidão vibrou com o sempre afável João Baião e várias figuras do universo da música popular. Passei por lá quando estava em palco o nosso Ruizinho de Penacova e …

Um orçamento pouco ambicioso que ignora o turismo

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Imagine, caro leitor, que é agricultor e tem uma grande propriedade onde cultiva cereais, vinha e hortícolas. Ano após ano, utiliza sempre os mesmo solos e a produção até vai dando, mas sabe que dentro da sua quinta existem terras mais ricas e férteis. Só que, para chegar a esses solos, falta um acesso e será preciso algum investimento em muros de suporte e vedações. Acomodado à realidade deixa tudo como está... Em Penacova passa-se um pouco o mesmo, mas se ainda não entendeu onde quero chegar, faça comigo este exercício. Para que área, ou setor de atividade, é que o nosso concelho está vocacionado? Para a agricultura? Não me parece. Para a indústria? Dada a nossa localização geográfica e acessibilidades, até poderia ser um setor relevante mas, nos últimos vinte anos, temos andado a passo de caracol. Então, para o setor dos serviços? Também não. Para o turismo? Sim, é esse o nosso setor-chave, o caminho é por aí, mas o que parece óbvio para muitos de nós, é difícil de entender para qu…

Penacova está em dívida com Martins da Costa

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A família de Martins da Costa mostrou recentemente abertura para colaborar na criação de um museu dedicado ao pintor.  A ideia, que há muito tempo, germinava cá dentro, deixou-me entusiasmado, ao ponto de, na conversa que presenciei, avançar com uma localização...o velho tribunal. Há algum tempo, escrevi que o edifício deveria acolher um museu municipal, ou seja, um equipamento virado para a cultura. Pelo seu significado histórico, pela sua localização, pela sua arquitetura e imponência, o edifício, atualmente fechado, deve funcionar, no futuro, como um pólo de atração, com conteúdos direcionados para a cultura e património. Um espaço de fruição e partilha, onde os penacovenses se revejam. Martins da Costa nasceu em Coimbra mas passou parte da sua vida em Penacova. Na Costa do Sol, no centro histórico, construiu a sua casa-atelier e criou raízes. Entre 1975 e 1991 foi professor na escola secundária e colaborou com várias instituições locais. Pintou Penacova como ninguém e deixou a su…

Queremos participar no futuro de Penacova

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Estamos na altura do ano em que as câmaras afinam e aprovam o orçamento para o ano seguinte. Pede-se clarividência, na escolha das opções, das prioridades e dos investimentos. Nos tempos mais recentes muitas autarquias, de norte a sul do país, avançaram com a figura do orçamento participativo (OP), uma forma de chamar os cidadãos a ter uma participação mais ativa na governação local. Na prática, é um mecanismo de democracia participativa que permite aos cidadãos decidirem sobre uma fatia do orçamento municipal. Nos orçamentos participativos, os executivos camarários convidam os cidadãos a identificar e debater projetos para o seu concelho. Os cidadãos participam na fase de discussão e apresentação de propostas e também na fase de votação dos projetos finalistas. A participação é feita em nome individual e tem como objetivo a melhoria da qualidade de vida de cada comunidade. Em algumas câmaras, as propostas mais votadas são submetidas à avaliação de uma equipa técnica e, na fase de vo…

Câmara prepara obras no restaurante Panorâmico

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Encerrado desde o início do ano, o restaurante Panorâmico, em Penacova, não deve abrir portas tão cedo. Tudo porque, antes de entregar a chave ao novo concessionário, a câmara pretende realizar obras para solucionar o problemas das infiltrações.
De acordo com o chefe de gabinete da autarquia, Vasco Morais, está em preparação um projeto para fazer uma intervenção em todo o edifício, incluindo fachadas e cobertura. O autarca não avançou datas, revelou apenas que o concurso para a empreitada deve estar pronto em breve e que, por isso, as obras só devem começar daqui a dois, três meses.
Como é visível nas fotografias, a infiltração de água, em várias zona da sala, danificou algumas paredes. O problema não é de agora, foi identificado há alguns anos e tem a ver, sobretudo, com a estrutura de todo o edifício da câmara.
Arménio Antunes, que durante mais de vinte e cinco anos esteve ao leme do Panorâmico e, fez do restaurante, um espaço de referência, deixou pronto um projeto para melhorar o…

Hotel à venda por um milhão e oitocentos mil euros

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A Misericórdia de Penacova confirma que existem interessados em adquirir o hotel. Um grupo ligado ao anterior concessionário e outro ligado à área da saúde já visitaram as instalações da unidade que continua inativa há vários anos. A instituição revelou que existem contactos, mas ainda não há propostas concretas.
Ambos os interessados mostraram interesse em adquirir os dois edifícios, o do hotel e o do antigo hospital. "Demonstraram interesse em juntar os dois edifícios para poderem ampliar as instalações. Já visitaram o local e levaram plantas mas ainda não há propostas concretas", afirmou Ivo Teixeira, provedor da Misericórdia.
Em Junho de 2013, a exploração do hotel foi concessionada à empresa "Lisboa & Tavares, Promoção de Eventos Culturais, Lda" pelo prazo de dez anos. O concessionário assumiu a responsabilidade de avançar com as obras de remodelação e ainda chegou a abrir o espaço do bar do hotel, mas as portas estiveram abertas pouco tempo. Dificuldades…

Um hostel vai nascer no centro de Penacova

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Os últimos tempos não têm sido fáceis para a restauração e hotelaria de Penacova. A crise económica que afastou muitos clientes, a falta de agilidade da câmara nos processos dos restaurantes Panorâmico e Piscinas, a completa ausência de uma estratégia para o turismo e, como se não bastasse, o "elefante branco" em que se tornou o hotel, por manifesta incompetência de TODAS as entidades envolvidas, conduziram-nos ao estado de coisas de que todos somos, infelizmente, testemunhas. Centro da vila deserto, mesmo na estação alta, restaurantes de portas fechadas, esplanadas quase vazias, hotel em estado de abandono, complexo turístico da Atalhada fechado, etc...
Já o disse e escrevi que também compete à iniciativa privada tentar remar contra a maré e combater o que um dia, o antigo presidente da república, Jorge Sampaio, designou de "lamúria nacional". Pois foi exatamente isso que fez Pedro Cardoso Pinto que se prepara para iniciar as obras de um hostel. "É o meu con…

Um pequeno grande passo para a história

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O primeiro passo está dado! Depois de negociações difíceis com os herdeiros, que se arrastaram no tempo, a câmara de Penacova adquiriu a casa onde nasceu António José de Almeida. A propriedade de Vale da Vinha, uma quinta com seis hectares e a moradia, esteve à venda numa imobiliária por cento e cinquenta mil euros. A autarquia optou por adquirir apenas o prédio pelo valor de cinquenta mil.
Num ato carregado de simbolismo, a escritura foi assinada em Lisboa, no Museu da Presidência, no passado dia 5 de Outubro. Aliás, o Museu da Presidência, poderá vir a ter um papel importante no projeto. Algum do espólio pertencente ao antigo Presidente da República poderá vir a ser transferido para Vale da Vinha e em breve técnicos do museu virão à antiga casa catalogar o que ainda existe.
A casa de António José de Almeida é das poucas, apesar do estado de degradação, que viram nascer um presidente da I República. Em todo o país, só restam as de Teixeira Gomes, em Portimão, Manuel de Arriaga, Hort…

Património e turismo? Não, obrigado!

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O turismo é um setor-chave da economia nacional e, mesmo sendo este ano um dos melhores de sempre, ainda tem muito para crescer. E o que é preciso? Inovação e criatividade, ou seja, investir em aspetos diferenciadores, como a oferta cultural ou a gastronomia e valorizar o que é tradicional. Esta foi a grande conclusão de uma conferência integrada nos 25 anos do jornal "Diário Económico."
Há poucos dias, numa notícia que destacava o aumento em 20% do número de visitantes à Universidade de Coimbra, o presidente da Turismo do Centro, Pedro Machado, afirmou que é possível ir mais além, "se outros equipamentos se juntarem à oferta turística e numa perspetiva mais alargada ligar Coimbra a Lorvão, ao Buçaco e a Conímbriga."
Mesmo com a crise que se instalou no país, o turismo foi dos poucos setores que contribuiu para o crescimento do PIB e do emprego e os especialistas garantem que ainda há margem para crescer. Aliás, com a entrada em vigor do novo quadro comunitário de…

Três relvados mas pouca formação

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A aposta na formação de jovens talentos é uma frase que tem sido tão escrita e tão falada que, confesso, hesitei, quando decidi alinhavar algumas ideias sobre o futebol concelhio. O que realmente me levou a escrever foi uma efeméride. Pois é, em 2009, há cinco anos, foram instalados no município de Penacova três relvados sintéticos. Em São Pedro de Alva, na Cheira e em Gavinhos. Na altura, os equipamentos alimentaram grandes expetativas nos clubes e na comunidade em geral, uma vez que, com eles, a prática desportiva, principalmente, a dos mais jovens, iria ter um grande impulso. Afinal de contas, o que aconteceu nestes cinco anos? O investimento, avultado diga-se, refletiu-se na criação de escolas de futebol ou de outras modalidades? Os clubes que receberam esses relvados têm hoje projetos sustentados na área da formação? O número de praticantes disparou como estava no horizonte? Infelizmente, as conclusões que tiro, ao fazer um balanço destes cinco anos, não são muito animadoras.
Do…

A barragem aqui tão perto e assobiam para o lado

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A barragem da Foz do Dão, corrijo, da Aguieira, tem uma área inundada de dois mil hectares e estende-se pelos municípios de Penacova, Mortágua, Santa Comba Dão, Tábua e Tondela. Infelizmente, esta imensidão de água, que é proporcional ao seu potencial turístico, não tem sido devidamente aproveitada.
Foram necessários trinta anos para surgir o primeiro empreendimento turístico digno desse nome, o Montebelo Lake Resort. Durante todo este período repetiram-se planos, projetos e promessas, para a criação de novos equipamentos, mas, tudo espremido, pouco se viu. O Plano de Ordenamento da Albufeira da Aguieira, de 2005, identificou várias áreas "com potencialidades para o desenvolvimento de iniciativas de âmbito turístico, de lazer e atividades similares." Nessa lista constava, por exemplo, Travanca do Mondego.
No papel, desenharam-se planos para criar parques termais, centros naúticos, parques natureza, campos de golfe, mas tudo não passou disso mesmo...intenções.
Em Março de 20…

Onde a natureza vive...com entulho!

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A câmara de Penacova aprovou em Julho um regulamento para os resíduos urbanos do município. No longo documento é feita referência ao destino a dar aos chamados resíduos de construção e demolição (RCD), vulgarmente conhecido como entulho das obras. No artigo 29º pode ler-se que "o detentor dos RCD produzidos em obras particulares deve assegurar o seu transporte, nas devidas condições e efetuar o depósito no parque de resíduos da entidade gestora (...) carecendo sempre de autorização prévia, de acordo com as normas de utilização desse local." Ou seja, o entulho deve ser transportado para um local a designar pelo município e, no caso, de o autor dos resíduos não tiver meios para o fazer, "os serviços municipais promoverão a recolha na origem (...) mediante o pagamento das tarifas em vigor."
Curiosamente, também em Julho passado, a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional organizou em Vagos uma sessão de divulgação e esclarecimento, da legislação aplicável …

Ponham o Vimieiro no mapa!

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O Vimieiro (não confundir com o de Arraiolos ou o de Santa Comba Dão) é daqueles locais que agarram os nossos sentidos, logo à primeira impressão! Basta sair do carro e...começa o festim! São os cheiros das flores silvestres e do arvoredo, o efeito calmante do panorama verde, o percurso das águas, entre o espelho de água e a cascata, o murmúrio constante da roda, os tons suaves das pequenas casas, o fino recorte das margens do Alva, etc, etc... Do ponto de vista da promoção turística, é preciso ir mais além. A praia fluvial, como já tive ocasião de escrever, tem todas as condições para erguer a bandeira azul. Boas acessibilidades, estacionamento, águas que, presumo, sejam de boa qualidade, parque de merendas, sombra e...algo mais, que importa sublinhar. Há pelo menos uma década que a Susana e o Nuno gerem, de forma irrepreensível, o restaurante do Vimieiro.  "Aproveitando o enquadramento natural, encontramos aqui uma sala panorâmica, com uma vista privilegiada para uma das zonas…

A freira não estava em casa!

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A dúvida andava a pairar sob a minha cabeça! Por isso, ganhei coragem e lá fui, rua abaixo, em busca de respostas. Afinal, só queria que alguém, lá de casa, me dissesse qual das versões é a correta. A casa chama-se assim, porque ali viveu um padre que tinha uma irmã freira ou, a versão mais conhecida, designa-se Casa da Freira porque foi habitada por uma criada das freiras do mosteiro de Lorvão. Uma senhora, uma criada, que terá ficado conhecida por trazer para Penacova a receita, imaginem, das irresistíveis nevadas. Bati à porta, uma primeira vez, e nada! Aguardei alguns momentos e perdi-me no branco imaculado das paredes, no contraste azul forte das janelas e na graciosidade das linhas. Se todas as casas, do chamado centro histórico, estivessem com uma pintura assim... Voltei à terra e bati outra vez... Nada! Não mora ninguém! Nem o padre, nem a criada e muito menos a freira. Parece que a dúvida sobre a origem do nome da casa não vai ser desfeita tão depressa.  A Casa da Freira está…

A regeneração não passou por ali

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Regenerar significa dar nova existência, melhorar, corrigir. O centro de Penacova foi sujeito, recentemente, a uma intervenção de regeneração urbana com o intuito de mudar a face do espaço público. Em grande parte, esse objetivo foi conseguido. Os automóveis que tomavam conta do Largo Alberto Leitão foram retirados para um edifício de estacionamento, alguns equipamentos, tais como, o quiosque e o posto de turismo, foram melhorados e a estátua de António José de Almeida foi mudada de local. Se, em relação a estas alterações, é inquestionável que a tal regeneração funcionou, já, por exemplo, no que toca aos jardins e espaços verdes, a intervenção realizada foi, quanto a mim, minimal, para não dizer pobre! Ficou a relva, mas há um défice gritante de ilhas de cor que contrastem com o cinzento dos materiais.
A opção pela construção de um edifício de estacionamento já tinha sido equacionada por anteriores executivos. Nos anos noventa em São João e, já neste século, no Parque Municipal, a p…

Rever amigos na cidade das dunas

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No início dos anos sessenta, La Grande-Motte não era mais do que uma zona pantanosa situada entre Marselha e Montpellier, no sul de França. Até que surgiu o espírito criativo do arquiteto parisiense Jean Balladur. Desenhada a régua e esquadro, com um compromisso entre o verde e o betão, Balladur concebeu um conjunto de edifícios de formas arrojadas. Ali, por entre as dunas e os pinhais, ergueram-se pirâmides e semicírculos, serpenteados por corredores verdes que conduzem à praia, à marina, ao lago, aos parques desportivos e ao centro. Cerca de 70% da área da cidade é verde! Um verdadeiro paraíso para peões e para a bicicleta, o meio mais utilizado pelos turistas. É claro que também há automóveis, e muitos, por sinal, mas, ao contrário de Portugal, não ocupam o passeio. O estacionamento é ordenado e parques de estacionamento, à sombra, sublinho, à sombra, é coisa que não falta. Mais um pormenor...só os parques do centro da cidade são pagos, os restantes são gratuitos!
Pegar na bicicle…

Dirija-se ao restaurante mais próximo!

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Tudo começava numa flute de espumante ou num cálice de Porto, uma cortesia da casa. Seguia-se a tábua de queijos e enchidos e, entre dois dedos de conversa, a escolha do prato, difícil como sempre, tantas eram as especialidades: polvo à lagareiro, arroz de pato, javali, chanfana, lombinhos com arroz de passas, etc, etc... Ah, falta o vinho! Sem ver a carta, e como se fosse uma prova cega, esperava que me surpreendessem. Eu sabia que a garrafeira era rica e variada e confiava no bom gosto do anfitrião. O restaurante Panorâmico, nos seus melhores anos, era assim. Um local acolhedor, com boa cozinha e uma bela vista sobre o Mondego. Ao longo dos anos, soube conquistar, pela boca, muitos seguidores de norte a sul do país. Foi badalado nas revistas e nos jornais mais conceituados e não havia roteiro turístico que não o incluísse na lista dos locais de passagem obrigatória. O grande responsável pela fama deste templo gastronómico foi Arménio Batista Antunes. Um mestre na arte de bem recebe…

A ópera saiu à rua!

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Orfeu chora, junto ao túmulo, a perda da mulher. O cupido diz-lhe que os deuses, sensibilizados com a sua dor, permitem que ele desça aos infernos e traga Eurídice de volta com a condição de não voltar a olhar para ela.
Já nos infernos, e enquanto toca a sua lira, Orfeu encontra Eurídice e, sem a encarar olhos nos olhos, pede-lhe que volte com ele. Eurídice não compreende a atitude e critica-o. Orfeu ignora a promessa que fez e olha para a mulher que, logo de seguida, cai inanimada. Orfeu fica desesperado, mas o cupido surge, mais uma vez, para dizer a Orfeu que ele merece o amor de Eurídice, por isso ela regressa ao mundo dos vivos. A ópera termina com todos a cantarem a força do amor.
Assim se conta, em poucas palavras, um pouco da ópera "Orfeu e Eurídice". O Grupo Coral Divo Canto arriscou representá-la na rua e teve o mérito de agarrar o público. Não me recordo de ter visto uma ópera em pleno Largo Alberto Leitão, ou no Terreiro, como nós, penacovenses, gostamos de dize…

D. Quixote e os moinhos da Atalhada

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"Não fujam criaturas vis e covardes que um cavaleiro sozinho é quem vos ataca!" D. Quixote de La Mancha viu nos moinhos, gigantes inimigos que tinha que combater...eu, sem qualquer delírio literário, vejo, para além de belos exemplares da arquitetura pré-industrial, um património que Penacova não tem sabido rentabilizar. Lembrei-me do imaginário de Cervantes para escrever algumas linhas sobre os moinhos de vento que espalham magia pelas nossas serras. Na verdade, julgo que, ao longo dos anos, têm sido praticamente esquecidos. É claro que existiram intervenções de restauro, foi criado um museu, mas há ainda muito por fazer! Gostava de centrar esta reflexão nos moinhos da serra da Atalhada. A recuperação iniciou-se em 1992, com os campos de férias do Instituto Português da Juventude. Em Maio de 1997, António José Seguro, na altura secretário de estado da juventude, inaugurou na serra da Atalhada, o primeiro moinho adaptado para alojamento. A ideia da entidade promotora, o Cen…