Porque falhou o hotel?
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| Edifício foi reconstruido em 2001 |
Nos anos oitenta, deu-se o encerramento da unidade e o edifício regressou à posse da Misericórdia. Seguiram-se anos de abandono e múltiplos atos de vandalismo. Ironia do destino ou não, a história viria a repetir-se no passado recente.
No início dos anos noventa, a Misericórdia inicia contactos para transformar o edifício em unidade hoteleira. A Sociedade Figueira-Praia chegou a demonstrar interesse mas uma mudança de administração fez com que a empresa, pertencente ao Grupo Amorim, desistisse da ideia.
Em 1993, acontece nova investida, desta vez junto do INATEL. A proposta passa por criar um centro de férias, mas o projeto esbarra na falta de verbas daquela entidade pública. No ano seguinte, iniciam-se contactos com a União das Misericórdias para tentar encontrar uma solução. Era uma corrida contra o tempo, uma vez que o edifício degradava-se ano, após ano. Finalmente, em 1996, o projeto para transformar o Preventório em unidade hoteleira começa a ver a luz ao fundo túnel. O processo com vista ao financiamento da obra entra na marcha. Em 1999 começam as obras e em 2001 o hotel foi inaugurado.
A primeira empresa a explorá-lo, com uma vasta experiência no ramo, promete um futuro risonho para o então denominado "Palacete do Mondego".
Em Julho desse ano, António Guterres, em visita oficial a Penacova, fica deslumbrado com o "hotel de charme" e a sua localização. Uma "maravilha das maravihas", disse! O antigo Primeiro-Ministro recordou, inclusive, tempos de infância e uma excursão a Penacova que incluiu uma passagem pelo Mirante, ali ao lado.
Infelizmente, o periodo de brilhantismo não durou muito. Com o passar dos anos, começa a dança das empresas concessionárias e o hotel vai perdendo notoriedade.
Em 2007, chega a Penacova um empresário irlandês, com projetos ambiciosos. Gary MacCausland quer elevar a categoria do hotel para quatro estrelas, apostar nos mercados europeus, em especial no do Reino Unido e não põe de parte a aquisição do antigo hospital. O novo "dono" chega em grande estilo e reabre a unidade com uma festa de passagem de ano.
O empresário irlandês acaba por sair pela porta pequena... Seguem-se outros e o falhanço repete-se. Mas, os erros de "casting" e a incapacidade dos empresários para transformar o hotel numa unidade dinâmica não explicam tudo. Nos anos noventa, quando o hotel ainda não passava de um projeto, entrevistei o responsável pelo estudo de viabilidade económica. As suas palavras ficaram gravadas para sempre. "Sem fatores de atratividade o hotel não sobrevive!" Ou seja, se à volta da unidade hoteleira não existirem equipamentos e iniciativas que atraiam os turistas a Penacova, o risco do projeto falhar é elevado. De facto, na última década, nem a autarquia, nem os privados, criaram dinâmicas locais para apoiar o hotel. O que mais me indigna nisto tudo é que o potencial existe! A paisagem favorece-nos, o património histórico existe, o artesanato e a gastronomia também! Como pode sobreviver um hotel no meio deste marasmo?
Em Janeiro deste ano, depois de um longo período de inatividade e degradação, o hotel passou a ter um novo concessionário. Para já, apenas o bar está de portas abertas porque o interior do edifício necessita de obras. No último fim de semana assisti, no espaço do bar do hotel, a um desfile de uma coleção Primavera/Verão de uma sapataria local. Ambiente agradável e evento bem conseguido. Acho até que o Penacova In Moda poderia realizar-se ali. O espaço exterior é magnífico! Apenas um reparo que é, ao mesmo tempo, uma preocupação. O bar de um hotel deve reger-se por um padrão de qualidade que é diferente de qualquer outro estabelecimento de bebidas. E esse padrão de qualidade aplica-se, não só, ao serviço prestado, como também ao tipo e ao comportamento dos clientes. Espero que quem gere o espaço tenha isso sempre presente para evitar dissabores!

que grande escandalo !!!
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