A D. Inércia mora na Casa do Monte

A Casa do Monte tem mais de trezentos anos
A história começa bem lá atrás, no início do século XVIII, quando Dona Bernarda Teles de Menezes fez uma grande festa em Lorvão para comemorar a beatificação das Santas Rainhas. O número de convidados foi tão elevado que foi necessário encontrar um teto para a longa lista de bispos, abades e outras personalidades da época. A solução encontrada foi construir várias casas e entre elas a Casa do Monte. Só que não houve tempo para concluir a obra…até hoje! 
É aqui que entra a D. Inércia! A casa não foi concluída? A culpa é da D. Inércia! 
Nos anos noventa, do século XX, a casa foi adquirida pela câmara de Penacova e só uma década depois começou a ser recuperada. Porquê? Está bem de ver! Por causa da D. Inércia!  
Em 2005, ficou concluída a recuperação de parte do edifício, eu disse parte vejam bem,  tendo sido investidos cerca de cem mil euros. Porquê apenas uma parte? Só pode ser por causa da D. Inércia! 
De 2005 para cá passou quase uma década e não se conheceram intervenções de fundo. Porquê, perguntarão? Já nem me atrevo a dizer…ou a escrever…mas parece que foi por culpa dessa senhora que estão a pensar… 
Mauro Carpinteiro, que liderou a junta de freguesia de Lorvão até 2009, afirmou que deixou pronto um projeto, que pretendia converter a Casa do Monte num albergue e centro de dinamização de atividades. Segundo o atual vereador PSD, esta seria a melhor solução, uma vez que a vertente do alojamento criaria novas dinâmicas locais. Deixou o projeto mas também não o executou, porquê? O mais plausível seria atribuir as culpas, outra vez, à D. Inércia, mas Mauro Carpinteiro defendeu-se dizendo que a mudança de protagonistas nas autarquias, junta e câmara, meteu o projecto na gaveta. Segundo o vereador do PSD, a mãozinha da D. Inércia também se notou na fase de reformulação do projeto, o que levou a que a câmara tivesse perdido a candidatura e as verbas atribuídas para o efeito. 
A influência da D. Inércia é mais notória numa das alas da casa, a que está por recuperar. A outra parte, tem funcionado, e bem,  como sala de exposições, conferências e tem servido como local de ensaios para o Grupo Etnográfico de Lorvão. O presidente da junta de Lorvão, Rui Batista acredita que a má influência da D. Inércia tem os dias contados e as obras que faltam devem avançar até final do ano. Pelo menos, a parte que diz respeito à estrutura do edifício que, feitas as contas, tem mais de trezentos anos… Recuperar essa ala para alojamento não está fora de questão, mas a Casa do Monte, vista como um todo, poderá ter um papel relevante na preservação da memória e tradições locais, com destaque para a produção de palitos que, para muitos, é um das marcas de Lorvão. 
Esperamos que a D. Inércia deixe, em breve, e para sempre, a Casa do Monte. Até é uma senhora simpática, mas é muito acomodada e nunca tem disposição para fazer grandes esforços. Pode ser que o encontro recente, em Madrid, com o Cristiano Ronaldo a faça mudar de ideias.

Comentários

  1. Investir mais dinheiro numa casa onde não há, nem nunca vai haver, um acesso automóvel.
    Até a pé é difícil lá chegar, para lá levar um deficiente motor só se for às cavalitas.
    Em minha opinião, nunca lá deviam ter gasto um tostão, existem sítios muito mais interessantes para investir.

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