Erros na gestão do espaço público

Os autarcas que, ao longo de décadas, têm conduzido os destinos de Penacova não têm sabido gerir da melhor forma os espaços públicos e a paisagem urbana do município. Foram cometidos alguns erros que marcaram negativamente aquilo que define a imagem de uma vila, ou de um aglomerado urbano e que não é mais do que o espaço onde nós, cidadãos, desenvolvemos a nossa atividade.
Edifício descaracterizou centro histórico
O primeiro exemplo, que entra pelos olhos dentro, é o cemitério da Carvoeira. O pintor Martins da Costa que durante décadas pintou o vale do Mondego, foi, que eu tenha conhecimento, das primeiras pessoas a ter a coragem de o referir. Criticou, e bem, a sua localização, não apenas na perspetiva estética, mas sublinhou o facto de o cemitério ser uma "mancha" no enquadramento paisagístico. O olhar insuspeito do artista, habituado a traduzir, através do traço do pincel, o conceito do belo, disse o que muitos pensavam. O cemitério da Carvoeira veio estragar a paisagem e, o mais curioso, é que ao longo destes anos nada foi feito para tentar minimizar o impacto negativo. Quem vive em Penacova acabou por se familiarizar com ele, mas quem vem de fora, não esconde o desconforto.
Outro dos exemplos que, em minha opinião, marca pela negativa a paisagem do centro histórico é o edifício dos correios. Quando era miúdo e vivia no "fundo da vila" recordo-me de brincar e jogar à bola no terreno que ali existia. À volta, permaneciam de pé, algumas paredes da antiga casa. A localização privilegiada, bem no coração da vila, adivinhava uma solução que passasse por um jardim ou outro equipamento coletivo. Com uma área generosa, era grande a tentação para edificar, mas nunca com aquele traço arquitetónico! Salta à vista que o edifício dos correios, pela sua forma e volume, manchou a harmonia do casario.
Antigo hospital desespera por melhores dias
Sem sair do centro histórico, também não é difícil encontrar erros de gestão. Neste caso, a responsabilidade maior recai sobre a instituição proprietária, mas a autarquia não pode alhear-se do problema. O "velho" hospital é exemplo disso. Desde 1998, ano em que o centro de saúde abriu portas, que o edifício aguarda por um novo destino. Em meados da década passada, a Misericórdia avançou com um projeto de requalificação que pretendia criar um jardim de infância e creche, e uma nova ala de alojamento para apoio ao lar de Santo António, mas, por falta de financiamento, ou por outros motivos, o projeto não avançou. Foi, por essa altura, que decorreram alguns trabalhos no interior do edifício, que acabaram por não ter continuidade. A crua realidade é que dezasseis anos depois, o "velho" hospital onde nasci, continua ao abandono, assim como o que resta da capela de Nossa Senhora da Guia, um local de culto, por quem os penacovenses têm um carinho especial. 
Degradação do Parque Municipal 
É inevitável voltar ao passado e à minha infância para referir mais um exemplo de má gestão dos espaços públicos. Por ali passaram algumas das maiores vedetas da canção nacional. Foi ali que os bombeiros realizaram festejos inesquecíveis. Noites de glória com centenas de pessoas a preencherem todos os patamares! Foi ali que joguei à bola nos feriados do liceu! Refiro-me ao "ténis", pois claro! Na década de noventa, o Parque Municipal, ainda teve alguma atividade, com o "court" de ténis, mas a degradação do espaço envolvente e a falta de manutenção precipitou o seu fim. Em 2001, num texto que escrevi no Jornal de Penacova, a câmara alegava as más relações com o proprietário do bar, como o motivo para adiar as obras que se exigiam. 
Estamos em 2014, o atual executivo vai no segundo mandato e nada mudou. A área disponível do Parque Municipal, a dois passos do centro, permite um leque enorme de soluções. Ao longo dos anos, a vontade de fazer não passou de uma intenção. Manter a matriz de lazer e fruição pública parece-me a opção mais razoável, mas se ali tivesse sido construído o parque de estacionamento, até pela facilidade do acesso, não seria descabido.
Sei que a câmara tem planos para recuperar o Parque Municipal e devolver-lhe a dignidade de outros tempos. Esperamos que não demore muito tempo a sair do papel!
  

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