A ópera saiu à rua!
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| Ana Carolina Rodrigues no papel de Orfeu |
Já nos infernos, e enquanto toca a sua lira, Orfeu encontra Eurídice e, sem a encarar olhos nos olhos, pede-lhe que volte com ele. Eurídice não compreende a atitude e critica-o. Orfeu ignora a promessa que fez e olha para a mulher que, logo de seguida, cai inanimada. Orfeu fica desesperado, mas o cupido surge, mais uma vez, para dizer a Orfeu que ele merece o amor de Eurídice, por isso ela regressa ao mundo dos vivos. A ópera termina com todos a cantarem a força do amor.
Assim se conta, em poucas palavras, um pouco da ópera "Orfeu e Eurídice". O Grupo Coral Divo Canto arriscou representá-la na rua e teve o mérito de agarrar o público. Não me recordo de ter visto uma ópera em pleno Largo Alberto Leitão, ou no Terreiro, como nós, penacovenses, gostamos de dizer. A oferta cultural em Penacova tem vindo a mudar, e ainda bem. Hoje já é possível assistir, com alguma regularidade, a uma peça de teatro ou a um filme, com todo o conforto. Pena é que muitos fiquem em casa! Mas, desta vez, não ficaram e, apesar da chuva, foram ver essa tal de ópera.
Para a grande maioria, onde me incluo, a ópera é um "bicho papão", um espetáculo com uma complexidade tal, que os nossos neurónios começam a fumegar!
João Carlos Martins, um famoso maestro e pianista brasileiro, apologista da música enquanto ferramenta de transformação social, disse um dia que, se a ópera fosse mais vezes às ruas e aos estádios, a relação entre a música, dita erudita, e o grande público estaria noutro patamar.
Sempre que a ópera, ou a música clássica, surge sob a forma de uma grande produção, a adesão do público é em massa. Basta ver os casos de Aida, de Verdi, que enche estádios em todo o mundo, ou os concertos do violinista André Rieu, ou ainda de Luciano Pavarotti que ficou conhecido, precisamente, por popularizar a ópera.
A cultura tem essa nobre missão que é formar os públicos. Em Penacova, a política cultural da autarquia deve ter essa preocupação sempre presente e aumentar a oferta de teatro, de cinema, de pintura, de música clássica e de mais Orfeus e Euridices.
O espetáculo não foi perfeito, nomeadamente a nível cénico, mas conseguiu tocar os espetadores. Não se compreende, como é que, se investiu em som e iluminação e, por exemplo, não se montou um palco para dar mais dignidade à representação. Mas, tudo isto, passa para segundo plano, quando relembro, a grande interpretação do Divo Canto. Um grupo que, em pouco mais de uma década, registou uma evolução assinalável e hoje enche os penacovenses de orgulho! O enorme talento de Ana Carolina Rodrigues, de Carolina Simões e Joana Carvalho não deixou ninguém indiferente. Aprendi a gostar um pouco mais de ópera! Parabéns!

Agora com uma pequena correção do texto enviado anteriormente.
ResponderEliminarConcordo com a apreciação ao espetáculo e com o destaque dado ao enorme talento das três meninas acima referidas.
Contudo, parece-me justo que se dê destaque a mais um nome: Pedro André Rodrigues - o maestro - que com enorme paciência e dedicação, ensinou a peça a um grupo de pessoas que na sua maioria não sabe música, não conhecia a ópera, nem sabe italiano, a ensaiou e encenou e que teve a coragem de a apresentar ao ar livre.
O Pedro André Rodrigues merece todo o nosso carinho e consideração, não só dos elementos do Grupo Coral, como também dos Penacovenses.
Um elemento do Grupo Coral Divo Canto
Os meus parabéns pelo trabalho são extensíveis ao maestro e a todos os elementos do grupo. Obrigado Eduardo.
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