 |
GSSDRC Miro deixou Atalhada em Abril
|
"Não fujam criaturas vis e covardes que um cavaleiro sozinho é quem vos ataca!" D. Quixote de La Mancha viu nos moinhos, gigantes inimigos que tinha que combater...eu, sem qualquer delírio literário, vejo, para além de belos exemplares da arquitetura pré-industrial, um património que Penacova não tem sabido rentabilizar. Lembrei-me do imaginário de Cervantes para escrever algumas linhas sobre os moinhos de vento que espalham magia pelas nossas serras. Na verdade, julgo que, ao longo dos anos, têm sido praticamente esquecidos. É claro que existiram intervenções de restauro, foi criado um museu, mas há ainda muito por fazer! Gostava de centrar esta reflexão nos moinhos da serra da Atalhada. A recuperação iniciou-se em 1992, com os campos de férias do Instituto Português da Juventude. Em Maio de 1997, António José Seguro, na altura secretário de estado da juventude, inaugurou na serra da Atalhada, o primeiro moinho adaptado para alojamento. A ideia da entidade promotora, o Centro de Convívio e Cultura de Zagalho e Vale do Conde era recuperar mais moinhos e construir um edifício de apoio com um bar e restaurante. Esse edifício, financiado pelo programa LEADER, abriu portas em Dezembro de 1998 e nos anos seguintes, apenas mais três moinhos foram recuperados para alojamento. Entretanto, foram feitos alguns arruamentos, mas os projetos da associação que passavam até pela construção de uma piscina não se concretizaram. Nos primeiros anos da década passada, o restaurante, que entretanto fora concessionado, chegou a estar encerrado e o empreendimento praticamente abandonado. Em 2006, a gestão do empreendimento mudou de mãos e passou a ser feita pelo Grupo de Solidariedade Social, Desportivo e Cultural de Miro. Nos últimos oito anos, o empreendimento manteve-se em funcionamento mas não foram recuperados mais moinhos. A instituição afirma que tentou reabilitar mais moinhos de vento mas esbarrou sempre em constrangimentos relacionados com candidaturas anteriores, nomeadamente, as que foram feitas através da AD ELO - Associação de Desenvolvimento Local da Bairrada e Mondego. No final de Abril deste ano, a instituição deixou a Atalhada porque, afirma o dirigente Manuel Nogueira, "não podíamos continuar nesta indefinição." A ideia da instituição de Miro passava por criar na Atalhada um conjunto de novos equipamentos para atrair mais turistas, desde um museu da broa, uma unidade de fabrico de queijo, um rebanho de cabras, tudo atividades relacionadas com o turismo rural. Ideias que, segundo aquele dirigente, não foram recebidas com grande entusiasmo por parte da câmara de Penacova.
 |
| António José Seguro inaugurou moinho em 1997 |
Neste momento, a autarquia está a elaborar uma candidatura ao PRODER - Programa de Desenvolvimento Regional para recuperar mais quatro moinhos de vento e recuperar os existentes. A vereadora do pelouro do turismo, Fernanda Veiga, entende que "a verdadeira matriz do empreendimento da Atalhada é o turismo e o alojamento local e é aí que devemos investir". O objetivo da autarca é que, no início de 2015, o espaço esteja entregue a um novo concessionário. "Tal como fizemos no parque de campismo municipal, vamos privilegiar a gestão empresarial, pois só assim o projeto poderá avançar", concluiu Fernanda Veiga.
Feitas as contas, entre 1997, data em que foi inaugurado o primeiro moinho para alojamento, e os nossos dias, passaram dezassete anos! Em todo este tempo, não houve engenho e arte para mostrar ao mundo este empreendimento único no país, que junta paisagem natural, tradição e ruralidade. No fundo, tudo isto é o resultado de a câmara nunca ter assumido o turismo como um setor estratégico.
Não esquecer que a maioria dos moinhos existentes na Serra da Atalhada, não pertencem ao município, são privados. E encontram-se recuperados, há já alguns anos, cerca de 16, isto se não estou em erro!
ResponderEliminarPelas minhas contas faltarão recuperar 5 ou 6.
No último debate que ouvi do sr presidente da câmara o turismo continua fora dos planos estratégicos dele, o que me parece que já nos planos é fazer obras absurdas que afastam cada vez mais as pessoas da zona. É uma pena que tanto ponto turístico não seja aproveitado.
ResponderEliminar