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| Passeio de bicicleta com o José Fernando |
No início dos anos sessenta, La Grande-Motte não era mais do que uma zona pantanosa situada entre Marselha e Montpellier, no sul de França. Até que surgiu o espírito criativo do arquiteto parisiense Jean Balladur. Desenhada a régua e esquadro, com um compromisso entre o verde e o betão, Balladur concebeu um conjunto de edifícios de formas arrojadas. Ali, por entre as dunas e os pinhais, ergueram-se pirâmides e semicírculos, serpenteados por corredores verdes que conduzem à praia, à marina, ao lago, aos parques desportivos e ao centro. Cerca de 70% da área da cidade é verde! Um verdadeiro paraíso para peões e para a bicicleta, o meio mais utilizado pelos turistas. É claro que também há automóveis, e muitos, por sinal, mas, ao contrário de Portugal, não ocupam o passeio. O estacionamento é ordenado e parques de estacionamento, à sombra, sublinho, à sombra, é coisa que não falta. Mais um pormenor...só os parques do centro da cidade são pagos, os restantes são gratuitos!
Pegar na bicicleta e percorrer a
Promenade des Dunes, sempre junto ao mar, até à marina, a seguir pedalar até à zona do lago, o Ponant, sentir o aroma a pinheiro-manso, e terminar na avenida do campo de golfe, é uma experiência única!
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| La Grande-Motte |
Pois, é nesta
Cité des Dunes, como também é conhecida, situada à beira do Mediterrâneo, considerada como um modelo de ordenamento urbanístico, difícil de encontrar no nosso Algarve, que vive uma pequena comunidade de penacovenses. Pelo que vi estão totalmente integrados. Fizeram amigos, muitos deles franceses e cultivam boas relações de vizinhança. Trabalham na construção civil, no apoio a idosos, no comércio e os seus filhos estão a estudar. Enfim, têm um emprego, coisa que em Portugal, infelizmente, é cada vez mais difícil de encontrar, independentemente, das qualificações de cada um. E sendo naturais de Penacova, o cenário agrava-se. O tecido empresarial é praticamente inexistente, grande parte das empresas de construção civil desapareceram e o turismo, setor que poderia alavancar o concelho e criar riqueza continua esquecido. Para estes penacovenses, a opção, talvez a única e a mais dolorosa, foi emigrar. Aliás, a emigração, fenómeno que muitos julgavam estancado, com a entrada de Portugal na União Europeia, voltou em força, nestes anos de troika.
Não sei quantos são, ao certo, os penacovenses que vivem em La Grande-Motte. Mas sei, porque o testemunhei, que estão felizes e, apesar das saudades, não pensam em regressar. Pelo menos, para já! Foi um prazer imenso rever o José Fernando, amigo de muitas jornadas, o Jorge e a Rosário! Até breve Amigos!
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