A freira não estava em casa!
A dúvida andava a pairar sob a minha cabeça! Por isso, ganhei coragem e lá fui, rua abaixo, em busca de respostas. Afinal, só queria que alguém, lá de casa, me dissesse qual das versões é a correta. A casa chama-se assim, porque ali viveu um padre que tinha uma irmã freira ou, a versão mais conhecida, designa-se Casa da Freira porque foi habitada por uma criada das freiras do mosteiro de Lorvão. Uma senhora, uma criada, que terá ficado conhecida por trazer para Penacova a receita, imaginem, das irresistíveis nevadas.
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| A Casa da Freira está encerrada |
Bati à porta, uma primeira vez, e nada! Aguardei alguns momentos e perdi-me no branco imaculado das paredes, no contraste azul forte das janelas e na graciosidade das linhas. Se todas as casas, do chamado centro histórico, estivessem com uma pintura assim...
Voltei à terra e bati outra vez... Nada! Não mora ninguém! Nem o padre, nem a criada e muito menos a freira. Parece que a dúvida sobre a origem do nome da casa não vai ser desfeita tão depressa.
A Casa da Freira está mesmo encerrada há muitos verões e invernos! É pena, porque lá dentro está parte da nossa história, dos nossos costumes. Os trajes do barqueiro, do pescador e da lavadeira, os palitos, as fotos e os jornais de outros tempos e um vasto conjunto de objetos que fazem parte da memória coletiva dos penacovenses.
Em 1999, a casa foi recuperada com verbas do programa LEADER. O projeto teve como promotora a Sociedade de Propaganda e Progresso de Penacova (SPPP). Na memória descritiva podia ler-se que "o objetivo é criar um espaço destinado a expor e promover um conjunto de elementos representativos da cultura e suas raízes, dos trajes e utensílios, das atividades tradicionais, do folclore e artesanato, constituindo assim um museu da comunidade."
A obra foi feita mas, nos últimos quinze anos, a Casa Museu - Casa da Freira, tem estado quase sempre de portas fechadas. Muito por culpa da SPPP, associação criada em 1972, que recebeu o imóvel, através de doação do proprietário, com a condição de o manter em atividade. Em estado de agonia há muito tempo, a SPPP está sem orgãos sociais. No passado recente, por iniciativa da junta de freguesia de Penacova, houve alguns contactos para tentar sensibilizar antigos membros e outras figuras locais, para a necessidade de retomar a atividade, mas o processo ficou num impasse. O melhor que se conseguiu foi, através da câmara e junta de freguesia, fazer uma intervenção na casa que consistiu numa pintura e reparação de infiltrações. Julgo que deve ser a câmara, através do pelouro da cultura, que tem demonstrado uma certa dinâmica, a "meter as mãos na massa" e tentar desbloquear o processo.
Conheço o interior da Casa da Freira e acho que, este período de inatividade, deveria servir para o requalificar, para o adaptar aos novos tempos, mantendo, é certo, a sua génese, ou seja, um lugar de tradições. No campo da musealização Penacova tem ainda um longo caminho a percorrer, e património valioso é coisa que não falta!
Por que não começar por espaços mais pequenos como a Casa da Freira?
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Belo artigo, excelente idéia !
ResponderEliminarNão conheço a casa, mas parece-me muito interessante para visitar, abraço
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