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| Lojistas estacionam no interior do mercado |
Regenerar significa dar nova existência, melhorar, corrigir. O centro de Penacova foi sujeito, recentemente, a uma intervenção de regeneração urbana com o intuito de mudar a face do espaço público. Em grande parte, esse objetivo foi conseguido. Os automóveis que tomavam conta do Largo Alberto Leitão foram retirados para um edifício de estacionamento, alguns equipamentos, tais como, o quiosque e o posto de turismo, foram melhorados e a estátua de António José de Almeida foi mudada de local. Se, em relação a estas alterações, é inquestionável que a tal regeneração funcionou, já, por exemplo, no que toca aos jardins e espaços verdes, a intervenção realizada foi, quanto a mim, minimal, para não dizer pobre! Ficou a relva, mas há um défice gritante de ilhas de cor que contrastem com o cinzento dos materiais.
A opção pela construção de um edifício de estacionamento já tinha sido equacionada por anteriores executivos. Nos anos noventa em São João e, já neste século, no Parque Municipal, a possibilidade de construir um parque que retirasse os carros do centro era vista como uma obra prioritária para, então sim, avançar para a regeneração urbana.
Se imaginarmos uma linha reta, a obra fez-se num local bem próximo do centro, só que, para lá chegar, é preciso utilizar várias vezes a caixa de velocidades e todos os pedais da viatura. Tudo porque, de facto, o acesso escolhido, apesar de estar bem sinalizado, é complicado... Quando vestimos a pele de turista e partimos à descoberta, existe muito a tendência de tomar a direção do centro e, só depois, procurar um lugar para estacionar. Seguindo este raciocínio, neste caso, o centro é o nosso Terreiro... Admito, por isso, que provoque confusão naqueles que (infelizmente poucos) nos visitam.
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Imóvel degradado ao lado do estacionamento
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O edifício de estacionamento veio criar uma nova zona de atratividade na vila, mas, se olharmos à volta, a tal regeneração não passou por ali. O mercado municipal é, pela negativa, um exemplo gritante. Está antiquado e fora dos padrões atuais, tem lojas pequenas e não tem espaços livres para a circulação de clientes. Como é possível ter, ali a dois passos, um parque de estacionamento, e os lojistas, coloquem as suas viaturas no já exíguo espaço interior! É inacreditável que a autarquia continue a permitir que isto aconteça! Não sei se, na concepção do novo edifício foi pensada a mudança das lojas do mercado. Se não foi, deveria ter sido. Julgo que se perdeu uma óptima oportunidade para resolver, de uma vez, o caso do mercado municipal que, é mais do que evidente, necessita de uma solução urgente. Depois do investimento que foi feito na regeneração urbana do centro da vila, manter o mercado naquele estado, é um absurdo. E, já agora, porque não alargar o atual acesso adquirindo o imóvel que se degrada a cada dia que passa? A regeneração, aí sim, faria outro sentido!
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