Três relvados mas pouca formação

O relvado de São Pedro de Alva tem sido pouco utilizado
A aposta na formação de jovens talentos é uma frase que tem sido tão escrita e tão falada que, confesso, hesitei, quando decidi alinhavar algumas ideias sobre o futebol concelhio. O que realmente me levou a escrever foi uma efeméride. Pois é, em 2009, há cinco anos, foram instalados no município de Penacova três relvados sintéticos. Em São Pedro de Alva, na Cheira e em Gavinhos. Na altura, os equipamentos alimentaram grandes expetativas nos clubes e na comunidade em geral, uma vez que, com eles, a prática desportiva, principalmente, a dos mais jovens, iria ter um grande impulso. Afinal de contas, o que aconteceu nestes cinco anos? O investimento, avultado diga-se, refletiu-se na criação de escolas de futebol ou de outras modalidades? Os clubes que receberam esses relvados têm hoje projetos sustentados na área da formação? O número de praticantes disparou como estava no horizonte? Infelizmente, as conclusões que tiro, ao fazer um balanço destes cinco anos, não são muito animadoras.
Dos três clubes que beneficiaram diretamente do novo equipamento só um, o União Futebol Clube, ampliou o seu projeto nas camadas jovens de futebol. Às equipas de iniciados, juvenis e juniores, que já tinha, juntou, os benjamins e os infantis e em 2011 criou as formações de traquinas e petizes. Atualmente, o UFC movimenta cerca de cento e vinte crianças e jovens e é, de toda a justiça, que se designe de academia.
Durante cinco anos, o Campo da Serra, na Cheira, esteve fechado ao futebol jovem. Pela primeira vez, desde que tem sintético, o Mocidade Futebol Clube vai avançar com equipas nos escalões de formação. Mais de três dezenas de pequenos futebolistas, maioritariamente das freguesias de Penacova e Lorvão, vão poder aprender, jogar, brincar e saltar num relvado a sério. Em perspetiva está a criação de formações de traquinas, para crianças entre os 7 e os 9 anos, e benjamins, entre os 9 e os 11 anos de idade. Há cerca de dois anos, houve uma tentativa de inscrever uma equipa de iniciados, mas o projeto não avançou, entre outras razões, por falta de elementos para liderar o projeto.
O sintético do UFC é o que tem melhor aproveitamento
Quanto à Associação Desportiva de São Pedro de Alva, o relvado sintético também nunca teve escolinhas de futebol. Pelo segundo ano, a aposta é no rugby e na criação de uma escola, nos escalões de Sub 8, Sub 10 e Sub 12. Os dirigentes do clube apontam várias razões para nunca terem avançado com uma academia de futebol: a pequena dimensão da base de recrutamento, a concorrência do futsal de Miro (um case study de sucesso de que falarei oportunamente) e de S. Martinho da Cortiça, as deficientes condições dos balneários e a dificuldade em encontrar associados disponíveis para trabalhar num projeto de futebol jovem. O futebol sénior também está suspenso. A direção do clube espera reunir condições para, no próximo ano, apostar no futebol, incluindo os escalões de formação.
Como é fácil de perceber, excetuando o caso do UFC, a utilização dos relvados sintéticos para a formação de jovens talentos no futebol, e em outras modalidades, nestes cinco anos, está muito aquém do esperado.
A crise económica veio agravar a vida dos clubes, que se debatem com orçamentos magros e sobrevivem graças à carolice de alguns, quase sempre os mesmos. Com três relvados no concelho, a autarquia deveria ter colocado a rentabilidade destes equipamentos no topo das prioridades. A formação de crianças e jovens na prática desportiva deve estar sempre em primeiro lugar, afinal de contas, é pela base que se iniciam os bons projetos. Ao longo destes últimos anos, a autarquia tem apoiado os clubes através da atribuição de uma verba por atleta/jovem, por escalão, o pagamento parcial de deslocações e exames médicos. Julgo que estará até em perspetiva, para o próximo ano, o reforço dessas verbas. O suporte financeiro da autarquia é essencial para que as associações possam desenvolver os seus projetos, mas julgo que é igualmente fundamental que haja uma estratégia aglutinadora que mobilize as comunidades e instituições locais, o tecido empresarial e sensibilize, pais, associados e clubes. A política desportiva da autarquia deve seguir este caminho e todo o esforço financeiro deve ser nesse sentido, nem que para isso, tenha que deixar cair do calendário outras competições que apoia pontual ou regularmente.
   

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A nova vida do restaurante Panorâmico

Casa Aurora quer trazer turistas para Friúmes

Peru dá prémio à Padaria do Largo