Três relvados mas pouca formação
| O relvado de São Pedro de Alva tem sido pouco utilizado |
Dos três clubes que beneficiaram diretamente do novo equipamento só um, o União Futebol Clube, ampliou o seu projeto nas camadas jovens de futebol. Às equipas de iniciados, juvenis e juniores, que já tinha, juntou, os benjamins e os infantis e em 2011 criou as formações de traquinas e petizes. Atualmente, o UFC movimenta cerca de cento e vinte crianças e jovens e é, de toda a justiça, que se designe de academia.
Durante cinco anos, o Campo da Serra, na Cheira, esteve fechado ao futebol jovem. Pela primeira vez, desde que tem sintético, o Mocidade Futebol Clube vai avançar com equipas nos escalões de formação. Mais de três dezenas de pequenos futebolistas, maioritariamente das freguesias de Penacova e Lorvão, vão poder aprender, jogar, brincar e saltar num relvado a sério. Em perspetiva está a criação de formações de traquinas, para crianças entre os 7 e os 9 anos, e benjamins, entre os 9 e os 11 anos de idade. Há cerca de dois anos, houve uma tentativa de inscrever uma equipa de iniciados, mas o projeto não avançou, entre outras razões, por falta de elementos para liderar o projeto.
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| O sintético do UFC é o que tem melhor aproveitamento |
Como é fácil de perceber, excetuando o caso do UFC, a utilização dos relvados sintéticos para a formação de jovens talentos no futebol, e em outras modalidades, nestes cinco anos, está muito aquém do esperado.
A crise económica veio agravar a vida dos clubes, que se debatem com orçamentos magros e sobrevivem graças à carolice de alguns, quase sempre os mesmos. Com três relvados no concelho, a autarquia deveria ter colocado a rentabilidade destes equipamentos no topo das prioridades. A formação de crianças e jovens na prática desportiva deve estar sempre em primeiro lugar, afinal de contas, é pela base que se iniciam os bons projetos. Ao longo destes últimos anos, a autarquia tem apoiado os clubes através da atribuição de uma verba por atleta/jovem, por escalão, o pagamento parcial de deslocações e exames médicos. Julgo que estará até em perspetiva, para o próximo ano, o reforço dessas verbas. O suporte financeiro da autarquia é essencial para que as associações possam desenvolver os seus projetos, mas julgo que é igualmente fundamental que haja uma estratégia aglutinadora que mobilize as comunidades e instituições locais, o tecido empresarial e sensibilize, pais, associados e clubes. A política desportiva da autarquia deve seguir este caminho e todo o esforço financeiro deve ser nesse sentido, nem que para isso, tenha que deixar cair do calendário outras competições que apoia pontual ou regularmente.

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