Penacova está em dívida com Martins da Costa
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| Painel de Martins da Costa no Tribunal da Relação do Porto |
A família de Martins da Costa mostrou recentemente abertura para colaborar na criação de um museu dedicado ao pintor. A ideia, que há muito tempo, germinava cá dentro, deixou-me entusiasmado, ao ponto de, na conversa que presenciei, avançar com uma localização...o velho tribunal.
Há algum tempo, escrevi que o edifício deveria acolher um museu municipal, ou seja, um equipamento virado para a cultura. Pelo seu significado histórico, pela sua localização, pela sua arquitetura e imponência, o edifício, atualmente fechado, deve funcionar, no futuro, como um pólo de atração, com conteúdos direcionados para a cultura e património. Um espaço de fruição e partilha, onde os penacovenses se revejam.
Martins da Costa nasceu em Coimbra mas passou parte da sua vida em Penacova. Na Costa do Sol, no centro histórico, construiu a sua casa-atelier e criou raízes. Entre 1975 e 1991 foi professor na escola secundária e colaborou com várias instituições locais. Pintou Penacova como ninguém e deixou a sua marca.
Sou suspeito para falar de Martins da Costa porque para além de amigo e antigo aluno, ligavam-nos alguns laços familiares, ainda que, de gerações mais afastadas. A sua mãe, Cassilda Martins Coimbra era tia da minha avó paterna, Sílvia da Conceição Coimbra.
O artista, o pintor, deixou uma obra extraordinária. O seu traço sensível e, ao mesmo tempo, firme e exato viajou por cidades como Florença, Porto, Londres, mas na última etapa da sua vida escolheu este cantinho. Pintou-o de vários ângulos, com um olhar muito próprio e deu-o a conhecer ao mundo. Penacova está em dívida para com ele, mas esse reconhecimento deve estar à altura da sua obra. Por isso, entendo que, existindo esta abertura dos familiares mais próximos, a câmara tudo deve fazer para criar um museu. Será uma oportunidade única que enriquecerá o concelho a todos os níveis.
| O projeto de requalificação apresentado em 2011 |
Já o aqui disse e repito! Penacova necessita de projetos-âncora que impulsionem e dinamizem o seu espaço territorial e, o turismo, a cultura e o património são as áreas onde se deve centrar esse esforço, esse investimento. É absolutamente fundamental que os decisores locais comecem a pensar "fora da caixa".
Esta possibilidade, agora criada, pode reavivar o projeto apresentado em 2011, pela câmara, para requalificar o edifício do antigo tribunal. Há três anos, os planos passavam por transformá-lo numa "Casa das Artes e Cultura". Na altura, ao ler a memória descritiva, confesso que me pareceu muito vago e pouco ambicioso. Dizia-se que o objetivo era criar espaços de lazer, arte e cultura, gabinetes de apoio e serviços multifuncionais.
Não tenho a menor dúvida que, se as vontades se conjugarem, esta "Casa das Artes e Cultura" poderá materializar a homenagem que Penacova ainda não fez a Martins da Costa.
Seria um erro enorme converter o antigo tribunal em espaço ou loja do cidadão, com a justificação de que poderá ajudar a solucionar a falta de movimento no centro da vila. Locais para instalar estes serviços não faltam: o atual edifício da câmara, a antiga biblioteca, a antiga tesouraria, a Casa do Povo, etc, etc...
Os antigos "Paços do Concelho" merecem um destino compatível com a sua importância e significado. Um museu dedicado a Martins da Costa, um museu do século XXI, que mostre a dimensão da sua obra, que recorra às novas tecnologias, que tenha oficinas de pintura para a população escolar, que apoie os novos talentos, parece-me a solução mais ajustada.

Também eu fui aluno do Prof. Martins da Costa. A ideia por ti exposta apenas carece de parecer favorável dos decisores,porque creio ser de todo viável e justo tal museu.A memória do homem merece,e nós apreciariamos visualizar a obra deste Sr. num espaço digno e consignado para tal.
ResponderEliminarCumprimentos.
Rui L. Santos