Um orçamento pouco ambicioso que ignora o turismo
Imagine, caro leitor, que é agricultor e tem uma grande propriedade onde cultiva cereais, vinha e hortícolas. Ano após ano, utiliza sempre os mesmo solos e a produção até vai dando, mas sabe que dentro da sua quinta existem terras mais ricas e férteis. Só que, para chegar a esses solos, falta um acesso e será preciso algum investimento em muros de suporte e vedações. Acomodado à realidade deixa tudo como está...
Em Penacova passa-se um pouco o mesmo, mas se ainda não entendeu onde quero chegar, faça comigo este exercício. Para que área, ou setor de atividade, é que o nosso concelho está vocacionado? Para a agricultura? Não me parece. Para a indústria? Dada a nossa localização geográfica e acessibilidades, até poderia ser um setor relevante mas, nos últimos vinte anos, temos andado a passo de caracol. Então, para o setor dos serviços? Também não. Para o turismo? Sim, é esse o nosso setor-chave, o caminho é por aí, mas o que parece óbvio para muitos de nós, é difícil de entender para quem ocupa a cadeira do poder.
Para o ano de 2015, o orçamento e grandes opções do plano do município, destinou para o turismo uma verba um pouco acima dos quatrocentos e cinquenta mil euros. É muito pouco ou quase nada para quem diz, nos discursos oficiais, que o turismo é uma aposta estratégica! Para as praias fluviais está inscrita uma verba de trinta mil euros, a que se juntam mais cinco mil para terrenos adquiridos para o Vimieiro. É manifestamente insuficiente! Não é desta forma que o Reconquinho, praia com bandeira azul, poderá dar o salto qualitativo que se exige.
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| Orçamento para 2015 ultrapassa os 12 milhões de euros |
Na lista de investimentos previstos na área do turismo, reservam-se cem mil euros para a recuperação de moinhos, sem especificar quais ou o quê, e oitenta mil para a reabilitação do Museu Vitorino Nemésio. O núcleo museológico da Portela da Oliveira é, quanto a mim, de extrema importância e espero que o projeto da autarquia contemple a reorganização do espaço, por profissionais entendidos na matéria.
Vago e sem projetos estruturantes, o orçamento para o turismo é pobre e sem ideias. Mais grave se torna porque não se vislumbram, pelo menos por este documento, novos projetos que possam vir a ser alvo de candidatura ao futuro quadro comunitário de apoio.
Se ao turismo juntarmos, a cultura, o lazer e o meio ambiente, áreas onde poderíamos dar cartas, também não há grandes rasgos. Nas grandes opções do plano, as verbas da cultura vão, sobretudo, para a Escola de Artes (cento e sessenta mil euros) e para as festas do município, no ambiente para a construção de novos caminhos pedonais na Ribeira de Arcos e Livraria do Mondego (cento e dez mil euros) e no desporto para a pista de kartcross da Atalhada (cento e vinte e cinco mil). Os primeiros sinais sobre a qualidade do equipamento são positivos, até pela presença recente de pilotos bem conhecidos. Gostava, no entanto, de ver esta mesma determinação do executivo, em relação ao complexo turístico da Atalhada que continua encerrado.
O centro de BTT, outro equipamento que é urgente criar, não deverá avançar tão depressa uma vez que a verba inscrita é apenas de vinte e cinco mil euros.
A oposição PSD absteve-se na votação do orçamento para 2015 e criticou "a falta de estratégia para o concelho, quer a nível do turismo, quer ao nível do setor empresarial. É um orçamento de gestão onde se privilegia o investimento no desporto em detrimento do saneamento", afirmou a vereadora Ilda Simões que acrescentou que "o novo quadro comunitário de apoio poderia abrir caminho a novos projetos estruturantes, o que não está a ser feito".
Por seu lado, Mauro Carpinteiro, considerou que este orçamento "é um conjunto desgarrado de medidas, sem estratégia, sem soluções para a criação de emprego e desenvolvimento económico, que não aposta nos nossos recursos endógenos e no turismo." Os vereadores do PSD condenaram ainda o facto de terem sido convidados a apresentar propostas, mas nenhuma ter sido acolhida. Desse conjunto de propostas, a grande maioria na área do turismo e património, constava a realização de uma feira nacional de desporto-aventura, que juntasse as empresas a operar no concelho e as nacionais e fosse uma montra do potencial que Penacova tem nesta área; a criação de um albergue e centro de atividades culturais na Casa do Monte, em Lorvão; a criação de uma Universidade de Verão para estudantes de música, de iniciação ao orgão de tubos do Mosteiro e um conjunto de atividades para dinamizar a doçaria conventual.
No entender do presidente da câmara, o próximo orçamento "está em linha com o que vem sendo adotado desde 2011, no sentido de apresentar orçamentos cada vez mais transparentes, realistas e exequíveis." Para Humberto Oliveira, o documento reflete "o estrangulamento orçamental imposto pela lei do Orçamento de Estado que obriga as autarquias a restrições." Por último, o autarca refere que, em 2015, a câmara de Penacova "vai continuar a dar especial atenção a áreas que tornaram este concelho mais solidário, mais desenvolvido e voltado para o futuro."
O orçamento de Penacova para 2015 está um pouco acima dos 12 milhões de euros. Rede viária, transportes e educação são as áreas com maior peso. A despesa corrente, um pouco mais de oito milhões de euros, é quase o dobro da despesa de capital, ou seja, de investimento. Não sou especialista na matéria, mas julgo que as restrições orçamentais não justificam tudo. Esperamos que o novo quadro comunitário de apoio (2014-2020) abra o apetite deste executivo a novos projetos de investimento, nas áreas que realmente Penacova necessita apostar, o turismo e o património.

pOR ISSO EU QUE SOU NASCIDA E CRIADA AI EM Penacova QUIS O DESTINO QUE VIESSE VIVER AQUI PARA A ZONA DA lOUSA, E POR ISSO EU PENSO, MEU DEUS VILAS RELATIVAMENTE TAO PERTO E TAO DIFERENTES, A LOUSA PARECE UMA CIDADE COMPARADA COM PENACOVA APROVEITAM TUDO O QUE POSSA DAR ASO A CHAMAR O TURISMO NOS AI COM UM "PALACETE" TAO BOM PARA SER UM BOM HOTEL E QUE E FEITO DELE? ABANDONADO?
ResponderEliminarA classe política de Penacova foi sempre algo mediocre.
ResponderEliminarQuando o PS ganhou a câmara ao PSD em 2009, parecia que as coisas iam finalmente mudar mas aos poucos estão a fazer igual e em alguns casos pior que fez o PSD, são arrogantes e prepotentes e não gostam de ser criticados. basta ir às assembleias municipais para ver isso.
Os senhores políticos do executivo atual preocupam-se demasiado com propaganda e foguetes para poderem manter os cargos nas eleições e o concelho pode esperar.
Mudou-se então para quê?