Carta de um penacovense ao Pai Natal

Querido Pai Natal,
Conheces Penacova, não conheces? Pelo menos uma vez por ano, nessa noite mágica, o teu trenó sobrevoa esta bonita vila. Quando estiveres a viajar para cá, no dia 24, cuidado com o nevoeiro! Este ano, as iluminações natalícias não estão tão bonitas e, por isso, menos visíveis do ar! Há ruas escuras, sem brilho e não fizeram a tradicional árvore... 
Os comerciantes de S. João, a zona com mais lojas, estão tristes. Dizem que o negócio correria melhor se as luzinhas brilhassem mais, se houvesse uma instalação sonora para anunciar as lojas e os seus produtos! E também para criar ambiente, claro! Há músicas de Natal tão bonitas, não há Pai Natal?
Na verdade, as prendas que queria pedir-te não são para mim! São para todos nós, penacovenses! 
O primeiro pedido era que, através da magia do Natal, abrisses os restaurantes da vila, o Panorâmico e as Piscinas. Muitos jantares de Natal, convívios próprios desta época, tiveram de ser feitos noutros locais! É muito triste, não é? Lembras-te daquele ano em que resolveste parar aqui na vila para dar de beber às renas e comer um petisco no Panorâmico? Aquele polvo à lagareiro estava fantástico, não estava? Pois, desta vez, já te estou a avisar! Tens que escolher outra paragem!
Sentimos a falta da árvore de Natal
Também queria muito, Pai Natal, que, com os teus poderes mágicos, abrisses as portas do nosso hotel. Não é preciso ser, "em grande estilo", como aquele inglês que passou por cá, basta abrir e ficamos contentes! O edifício está um pouco deteriorado mas com a ajuda dos teus duendes, que, ouvi dizer, são verdadeiras formiguinhas trabalhadoras, não deve ser complicado. Até podes ficar com um daqueles cartões, um "voucher", com pensão completa, para poderes voltar e não pagares nada.
Não queria ser muito exigente, Pai Natal, porque sei que a quantidade de pedidos de outras pessoas e meninos deve ser enorme...mas tenho mais dois pedidos, ou presentes, como lhes queiras chamar, e que são muito importantes para nós penacovenses.
Nas tuas viagens pelo mundo, certamente já encontraste muitos dos meus conterrâneos. Estão espalhados pela Europa, nas Américas, em África e até na Ásia...São emigrantes que tiveram de partir porque aqui não há empregos. Por isso, Pai Natal, quando estiveres a sobrevoar a zona da Espinheira e de Alagoa, usa a tua nuvem de estrelas e faz aparecer algumas empresas para que haja emprego para todos!  
E para terminar esta já longa carta, o presente mais desejado, pelo menos para mim! Sabes porquê, Pai Natal? Porque se ele se concretizar tudo mudará. Será um vila, um concelho, com mais brilho, mais pessoas, mais emprego, com uma economia local a puxar pelos produtos da terra, pela nossa gastronomia, pelo nosso património! Parece magia, mas não é! 
Nos últimos trinta anos, com excepção de Leitão Couto, o turismo, foi sempre o parente pobre das políticas locais e, infelizmente, nos dias hoje, apesar de algumas tímidas iniciativas, parece não ser diferente. Por isso, Pai Natal, peço-te que, na viajem de regresso à Lapónia, faças uma paragem em Bruxelas e no novo pacote de verbas comunitárias que aí vem, coloques o nome de Penacova no topo da lista de fundos destinados ao turismo! Não é preciso uma fortuna! Bastam alguns milhões! Pode ser que assim, os senhores que este ano colocaram menos luzinhas, fiquem na história desta nossa linda terra.

Comentários

  1. Como eu te compreendo
    Como eu me reconheço nestes teus pedidos
    Rosa Teresa Amante

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  2. Penacova está triste e a culpa foi daquele laço vermelho, porque desde aí o Natal nunca mais foi o mesmo.
    Dora Coimbra

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