Será que foi um bom investimento?
Aplicar recursos financeiros em educação é, sempre que de uma forma planeada, um bom investimento. A educação é um pilar, um instrumento fundamental para a criação de uma sociedade cognitiva e é uma forma de combater as desigualdades sociais e a exclusão.
As obras do centro educativo de Lorvão começaram no início de 2012, com um orçamento previsto a rondar um milhão e duzentos mil euros. O equipamento deveria ter começado a funcionar no início do presente ano letivo mas o cronograma sofreu alguns atrasos. Alegados problemas com o empreiteiro e ajustes no projeto fizeram derrapar os prazos. O centro educativo, que aproveita e amplia o edifício da escola EB1, foi desenhado para poder albergar oitenta alunos e é um dos dois centros previstos na Carta Educativa para a freguesia de Lorvão.
| Centro educativo deve abrir no segundo período letivo |
A dimensão e o investimento avultado, face ao número de alunos matriculados no presente ano letivo, têm alimentado a discussão entre o executivo socialista e a oposição. Na reunião da Assembleia Municipal de 28 de Junho, o presidente da autarquia, Humberto Oliveira justificou a opção tomada - "relativamente à dimensão do Centro Educativo de Lorvão, não acrescentei nem mais nem menos do que o que estava no projeto que já existia. Melhorámos a qualidade, nomeadamente com a mudança dos pisos, que encareceu a obra, assumo isso, mas em relação ao tamanho apenas assumo a responsabilidade de nada ter mudado. Por outro lado, e porque temos consciência da sua dimensão, tendo em conta o número de alunos do 1.º Ciclo, já negociámos com a DGESTE e o Jardim de Infância vai funcionar neste espaço, que assim vai ficar com outra ocupação."
No presente ano letivo, a EB1 de Lorvão tem 24 alunos, um número muito longe do projetado para o centro educativo, daí que a autarquia tenha decidido colocar, no mesmo espaço, mais 20 alunos do jardim de infância.
Na reunião do executivo de 19 de Maio, Humberto Oliveira voltou a pronunciar-se sobre a decisão de ter avançado com a obra - "Mal ou bem, desde que se decidiu encerrar escolas e concentrar os alunos nos centros educativos, todos perceberam que, para a freguesia de Lorvão, um seria suficiente, apesar de estarem previstos dois na Carta Educativa. Por outro lado, também ninguém tem dúvidas de que em termos de localização, para a freguesia de Lorvão, a Aveleira é um ponto central. A opção do executivo, que assumo, foi começar pelo centro educativo de Lorvão e entendo que foi uma decisão bem tomada."
A oposição critica a falta de discernimento do executivo na hora de decidir quais as melhores soluções para a freguesia de Lorvão. "Em vez de um grande centro, seria preferível ter avançado com dois, Lorvão e Aveleira, tal como consta da Carta Educativa. Atempadamente alertei a câmara de que os pais das crianças da zona da serra não colocariam os seus filhos em Lorvão. São pais que trabalham, maioritariamente, em Coimbra e Lorvão obrigaria a maiores deslocações", esclareceu Mauro Carpinteiro, líder da oposição.
| Obra custou mais de um milhão de euros |
O social-democrata criticou ainda as obras feitas "à pressa, na escola da Aveleira, para receber os alunos do Roxo e S. Mamede que poderiam ir parar a Coimbra. A intervenção melhorou, sem dúvida, a escola, mas poderia ter sido tudo planeado mais cedo."
No entender de Mauro Carpinteiro, o executivo deveria ter repensado o projeto do centro educativo de Lorvão e tê-lo ajustado à realidade - "o dinheiro gasto ali daria para melhorar outras escolas do concelho, por exemplo, a de Figueira de Lorvão."
O novo centro educativo de Lorvão deve começar a funcionar no segundo período letivo, após as férias de Natal. Para lá irão os pouco mais de vinte alunos do ensino básico mais as duas dezenas de crianças do jardim de infância. A capacidade inicial prevista era para o dobro.
A EB1 da Aveleira, que sofreu obras de beneficiação recentemente, acolhe pouco mais de quarenta alunos. Já a EB1 de Figueira de Lorvão ultrapassa as oito dezenas de alunos.
A Carta Educativa do município foi elaborada em 2007, por especialistas da Universidade de Coimbra e utilizou o censos de 2001 como base de trabalho. O documento sugere a criação de cinco centros escolares no concelho: Lorvão (2), Penacova, Figueira de Lorvão e Carvalho.
Mas em sete anos muita coisa mudou e a crise económica, embora não seja causa direta de tudo, contribuiu para alterar as dinâmicas demográficas, acentuou a emigração e a diminuição da natalidade. Apenas como exemplo, no ano letivo 2006/2007 estavam matriculados no primeiro ciclo, do ensino básico, 566 alunos, divididos por 18 escolas. Em 2014/2015, o número caiu para 404, distribuídos por 6 escolas.
Em 2001, dados que serviram para a elaboração da Carta Educativa, a população do concelho de Penacova era de 16.725 habitantes. No censos de 2011, o número caiu para 15.251.
Era espectável esta situação. Só não quer ver quem, por ideologia política, a tem de defender. A construção deste centro educativo foi um enorme erro. Não vai estar aberto durante muito tempo, e quem o vai manter aberto serão as crianças do pré-escolar. Mais um "elefante branco". É pena porque o concelho tinha muito onde investir, em especial na educação. Pergunto: serão precisos dados dos censos de 2001 para perceber que não há alunos suficientes em Lorvão para um centro educativo desta dimensão??? basta perguntar a qualquer "leigo" de Lorvão para obter a resposta!!!!!
ResponderEliminarNada está bem para a população. Se não há é porque devia haver, se há é porque está mal feito, enfim.... Aqueles que dizem mal agora, fizeram um projecto inicial e que era para avançar com uma qualidade magistral, ainda bem que nao houve coragem para avançar com ele,
ResponderEliminarMal feito estava o projecto inicial para este "elefante branco" em que a cantina serviria para espaço de actividades físicas, enfim... Os dados da carta educativa não previam que a obra fosse feita quase 7 anos depois, mas ainda bem que não avançou na altura pke seria um projecto bastante inferior.
Estas obras eram necessárias e os ajustes beneficiaram o projecto inicial, agora claro tem que haver melhorias de transporte, tal como acontece nas outras localidades, não vejo qual é a dúvida,
Óbvio que foi um erro, assim Portugal é mesmo assim, vivemos de erros ...
ResponderEliminarComo é que é possível fazer um investimento destes sem se ter a noção da sua utilidade ? É como se a Sonae fosse abrir um centro comercial na serra da atalhada ...