Cultura do Centro sem dinheiro para o mosteiro de Lorvão
| Imagem do séc. XVI atacada pelos xilófagos |
A Direção Regional de Cultura do Centro não tem nenhum investimento previsto para o mosteiro de Lorvão em 2015. Nem para a abertura do novo espaço do Claustro do Silêncio, nem para estudos com vista à sua abertura, nem para a realização de concertos do orgão de tubos. Em conversa com o blogue "Livraria do Mondego", Celeste Amaro, diretora regional, disse que os constrangimentos financeiros justificam a decisão.
A intervenção nos claustros ficou concluída há pouco mais de um ano e tinha como objetivo criar um museu de arte sacra e um centro interpretativo mas Celeste Amaro afirmou que a obra ainda não está terminada - "ainda está no chamado período de garantia e há infiltrações que é preciso reparar." A responsável pela cultura do centro adiantou que "as salas estão feitas mas não estão prontas para receber peças valiosas, porque não foram preparadas para isso. Não existe mobiliário, nem planos de segurança e é necessário fazer esses estudos. Ou seja, não se deu sequência ao projeto." A solução a adotar para o espaço "tem que se ser muito bem pensada para que possa atrair público".
Celeste Amaro considera que o espólio de arte sacra existente no mosteiro é pequeno para preencher o futuro núcleo museológico e não existem condições para fazer regressar a Lorvão o que está espalhado por vários museus do país. "Além do mais não existem condições financeiras, por parte do estado, para abrir um novo museu."
| Arte sacra de Lorvão em risco |
Sem nunca esconder a sua discordância em relação ao projeto, por considerar um erro fechar os claustros e criar novas salas num mosteiro que já tem grandes espaços, a diretora regional de cultura defende que ali poderiam coexistir arte sacra e arte contemporânea e até já houve contactos com agentes do meio artístico, mas a solução final terá que passar pela conjugação de vontades da câmara de Penacova e do pároco de Lorvão.
Em relação ao orgão de tubos, recuperado em Maio do ano passado, também não há dinheiro para concertos. "Nem em Lorvão nem em nenhum dos outros. Talvez no próximo quadro comunitário de apoio seja possível encontrar verbas, uma vez que a vertente imaterial vai ser a prioridade", referiu Celeste Amaro.
Enquanto os decisores políticos decidem o que fazer com as novas salas, na antiga Sala do Capítulo, várias peças de arte sacra que ainda permanecem no mosteiro, tentam resistir à humidade, às baixas temperaturas e aos "xilófagos", o vulgarmente chamado bicho da madeira. A sala, que desde os anos setenta, serve de núcleo museológico, alberga esculturas, imagens, mobiliário, paramentos, iluminuras, muitas do século XVI, como as famosas esculturas de S. Bento e S. Bernardo, um realejo do século XVII e uma custódia do século XVIII, que recentemente foi emprestada para uma exposição em Lisboa, tudo peças de inegável valor que, por incúria do homem, correm um sério risco.
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