Melhor ano do turismo passa ao lado de Penacova
O ano passado foi o melhor de sempre para o turismo em Portugal. Os dados do Instituto Nacional de Estatística revelam recordes de hóspedes ( mais de 15 milhões) e dormidas (subida de 10% relativamente a 2013) e proveitos para a hotelaria acima dos dois mil milhões de euros. Este ano as receitas devem continuar a subir, sobretudo, nas estadas de curta duração e no turismo rural. O secretário de estado do turismo, Adolfo Mesquita Nunes, disse, em reação aos números, que "há gente no país a fazer muita coisa bem feita. As empresas, o governo, os operadores e as autarquias..."
| José Pisco é guia no mosteiro há mais de uma década |
Infelizmente Penacova, leia-se a autarquia, continua fora desta realidade e não compreende que o turismo é um setor que pode alavancar a economia local. Eu diria, e sempre tenho dito, que o turismo é um setor estratégico para o concelho. Temos tudo o que é preciso! Boa gastronomia, belas paisagens, um património valioso, o rio, a serra, as acessibilidades. As iniciativas da autarquia têm sido inconsequentes, sem arrojo nem criatividade, e, por isso, de resultados pouco expressivos. O hotel continua encerrado, os dois principais restaurantes da vila demoram a reabrir, a bandeira azul do Reconquinho não teve continuidade, as descidas de rio passam ao lado, o complexo da Atalhada não funciona, o marketing e a comunicação digital não existem e, não menos importante, o mosteiro de Lorvão continua esquecido.
Em 2014 visitaram o mosteiro 5.089 turistas, um pouco mais do que em 2013, mas muito longe dos 37.500 do mosteiro de Tibães e dos 14.300 do mosteiro de São João de Tarouca, este último da "família" Cister (números de 2013).
José Pisco, o guia do mosteiro, faz o que pode. Licenciado em História, é ele que recebe os visitantes há treze anos. O salário diminuto é pago pela Igreja e é a paixão pelo monumento que o motiva a continuar. "A visita guiada pode demorar até uma hora. Mostro o claustro, o órgão, o coro e cadeiral, a igreja, a sacristia e o espólio que está guardado nas salas do Capítulo e do Tesouro", afirmou o guia que substituiu Joaquim Fonseca, o cicerone anterior.
A recuperação do órgão de tubos fez subir, um pouco, o número de visitantes, mas o impacto não foi o esperado. "Falta, acima de tudo, divulgação", afirma José Pisco que lamenta o mau estado de conservação de algumas peças de arte sacra que estão expostas na antiga Sala do Capítulo.
Falta divulgação sim, mas não é só! Lorvão, entenda-se mosteiro e a vila, tem todas as condições para se transformar num pólo turístico-cultural de relevo, no concelho e na região. Através de projetos transversais é possível juntar o riquíssimo património histórico (mosteiro), a cultura popular (palitos e etnografia) e a gastronomia (doçaria conventual), coisa que até hoje, nem o município, nem o poder central conseguiram fazer.
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