A história dos bombeiros confunde-se com a nossa
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| José Alvarinhas e António Coimbra junto ao mítico Bedford |
A associação que fundou os bombeiros de Penacova foi criada
a 24 de Fevereiro de 1930. A instituição comemora hoje 85 anos.
Num meio pequeno, como é Penacova, a história dos bombeiros
confunde-se com a história das nossas vidas e há momentos que, por uma ou outra
razão, ficam gravados na memória. As brincadeiras de infância, por exemplo,
quase sempre no Mirante e no “fundo da vila”, eram muitas vezes interrompidas
pelo sobressalto das sirenes e pela aflição dos mais velhos, que acorriam ao
hospital, quando se aproximava uma ambulância. Era um ato instantâneo e quase
inconsciente. Ainda me lembro da velhinha Volkswagen “pão de forma” e da Peugeot
404, máquinas que serviram os bombeiros durante muitos anos.
Nos meses de verão, a vizinhança transformava o Mirante num
posto de observação. Ali, onde a vista alcança montes e vales, o povo
juntava-se para ver as avionetas e os carros de bombeiros no combate às chamas.
Não havia maldade, nem laivos de piromania. Afinal de contas eram os “nossos”
que andavam no meio do fogo e isso gerava preocupação. Com uma presença tão
forte no nosso quotidiano, era natural que “brincar aos bombeiros” com os
carrinhos da Majorette e da Matchbox, fosse quase obrigatório.
Nesses grandes incêndios de verão também era comum as
pessoas ajudarem a corporação com alimentos. Os pacotes de leite, por exemplo, eram
entregues no quartel, na altura, bem no centro da vila, ao lado da igreja
matriz. Por esses dias, a azáfama era enorme. Os autotanques chegavam para
abastecer, as mangueiras seguiam rua abaixo, até à Pensão Avenida, as
comunicações via rádio cruzavam-se no ar e pouco ou nada se percebia…Os
“nossos”, os de Brasfemes e os de Poiares chegavam exaustos e sentavam-se ali
mesmo, no chão, encostados à parede, na berma da rua, enquanto o comandante
Joca dava instruções aos reforços acabados de chegar.
Nas minhas memórias dos bombeiros guardo também o meu
fascínio pelo Land Rover. Era o primeiro a sair e o mais ágil! Sempre que
tocava a sirene e o ouvia aproximar-se, vinha à rua para o ver passar. Adorava
vê-lo curvar com dois bombeiros, de pé, na traseira. Um desses grandes homens
era o senhor Joaquim Coimbra, barbeiro de profissão, que era sempre dos
primeiros a chegar. Até se contava que os clientes ficavam com a barba a meio.
E as festas dos bombeiros no ténis? Quem não se lembra? Eram
festas que arrastavam multidões e traziam até Penacova grandes estrelas da
música nacional.
E as provas de perícia no Terreiro? Não perdia uma! Adorava
os peões duplos, os slalons e os toques nas bandeirolas e nos fardos de palha.
Por vezes, a competição estendia-se até ao cair da noite e, já em casa, ainda
conseguia ouvir o chiar dos pneus e o ronco dos motores.
Pois é, a história dos bombeiros confunde-se com a nossa.
O meu avô, Álvaro Martins Coimbra, foi sócio-fundador e o
meu pai foi bombeiro. Apesar da fotografia não estar nas melhores condições,
não resisti em mostrar o jovem António Coimbra e o seu amigo José Alvarinhas junto
ao Bedford, em finais da década de cinquenta. Aliás, esse carro é hoje uma
relíquia da corporação e costuma abrilhantar desfiles de clássicos.
A Associação dos Bombeiros Voluntários de Penacova é hoje uma
instituição muito bem gerida e os homens que a dirigem têm sabido honrar o seu passado. Tem competências e recursos humanos ao nível do que melhor
existe no país. Por isso, no dia em que os “nossos” fazem 85 anos aqui deixo a
minha homenagem. Parabéns BVP e vida longa!

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