A pedra que falta na Livraria do Mondego

Um passeio que vale muito a pena
No último fim de semana aproveitei o bom tempo e as mimosas em flor para ir conhecer as obras em curso na Livraria do Mondego. A intervenção ainda não está concluída mas já deu para perceber que o que se pretende, é que os visitantes possam desfrutar de um cenário, eu diria, esmagador, no bom sentido, é claro! E nem a via rápida, o IP3, que destruiu parte deste património natural, lhe retira beleza.
Deixei o carro no novo parque de estacionamento, criado mesmo debaixo da ponte. O acesso é feito através de uma estrada, semelhante a um caminho rural, que parte da fábrica das Caldas de Penacova. O percurso é estreito e não há espaço para dois carros se cruzarem mas, em todo o caso, o piso não está mau e vale mesmo a pena. Julgo é que a intervenção em curso na Livraria merecerá um acesso com outras condições. Junto ao parque de estacionamento foi criado um pequeno cais que será utilizado pela Barca Serrana ou embarcações semelhantes para passeios no rio. Em volta também já existem bancos em madeira. Embora ainda não exista um percurso delineado, dei corda aos sapatos e comecei a subir a encosta, porque queria chegar ao outro lado da "estante" onde já é visível uma longa escada até ao rio, um zona de lazer e alguns miradouros.
Para quem cresceu em Penacova e subiu e desceu o Penedo de Castro e da Carvoeira tantas vezes, mesmo muitas vezes, já não deveria reagir assim...mas quando cheguei ao topo e dei de caras com aquele panorama, fiquei sem palavras! Acreditem que vale mesmo a pena fazer a subida, por mais íngreme que seja. O vale do Mondego, em todo o seu esplendor, as serras em volta, com a Atalhada mesmo à nossa frente e a grandeza da Livraria, um monumento geológico que merece ser cada vez mais valorizado.
No pequeno vídeo que juntei na nova página do Facebook da LM repararam, certamente, na sugestão que fiz. Não sou o primeiro a fazê-la mas entendi que era oportuno, uma vez que está em curso este projeto de valorização da Livraria. 
A importância deste sítio começou a ser estudada ainda no século XIX, pelo geólogo Nery Delgado, autor da Carta Geológica do Bussaco. Mais tarde, em 1915, durante os trabalhos de construção de uma estrada, em Entre Penedos, foi descoberta uma rocha com desenhos em alto relevo, marcas de trilobites, seres que habitaram o planeta há quinhentos milhões de anos. A contrário do que acontece em Penha Garcia, no Geopark da Naturtejo, onde rochas semelhantes permanecem no local de origem e são uma atração turística, aqui, um professor da Universidade de Coimbra decidiu levá-las para o Museu Mineralógico e Geológico da UC. Essa rocha, com as marcas de locomoção das trilobites, ficou conhecida como a "pedra curiosa".
Numa altura em que estão obras em curso, julgo que a colocação de uma réplica dessa "pedra curiosa" valorizaria ainda mais o espaço. Mais do que um local de lazer, seria importante explicar porque é que a Livraria do Mondego é um monumento natural.

Comentários

  1. Congratulamo-nos por verificar que a nossa sugestão inicialmente feita no livro "Patrimónios de Penacova" e mais recentemente reafirmada no blogue Penacova Online

    http://penacovaonline2.blogspot.pt/2015/02/encontrada-ha-100-anos-pedra-curiosa-da.html

    começa a ter projecção. E o blogue Livraria do Mondego é um excelente veículo de divulgação e sensibilização para que aquela ideia de fazer regressar ao local ( o original ou ao menos uma réplica ) a tal “pedra curiosa” se venha a concretizar.

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