Sons do orgão têm de se ouvir no Terreiro do Paço!
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| Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra |
"Todos somos poucos", a frase foi proferida pela vereadora da cultura após o concerto do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, no último domingo. Com isto, Fernanda Veiga fez um apelo aos presentes e em especial à representante da Direção de Cultura do Centro e ao deputado do PSD, Maurício Marques, presentes na primeira fila, para que ajudem a fazer "lobby", junto do poder central, para que sejam retomadas as obras do futuro museu.
Como escrevi em Janeiro, a Direção Regional de Cultura do Centro não tem nenhum investimento previsto para o mosteiro de Lorvão em 2015. Nem para a abertura do novo espaço do Claustro do Silêncio, nem para estudos com vista à sua abertura, nem para a realização de concertos do órgão de tubos. Em conversa com o blogue "Livraria do Mondego", Celeste Amaro, diretora regional, disse que os constrangimentos financeiros justificam a decisão.
A intervenção nos claustros ficou concluída há pouco mais de um ano e tinha como objetivo criar um museu de arte sacra e um centro interpretativo mas Celeste Amaro afirmou que a obra ainda não está terminada.
Sem nunca esconder a sua discordância em relação ao projeto, por considerar um erro fechar os claustros e criar novas salas num mosteiro que já tem grandes espaços, a diretora regional de cultura defende que ali poderiam coexistir arte sacra e arte contemporânea e até já houve contactos com agentes do meio artístico, mas a solução final terá que passar pela conjugação de vontades da câmara de Penacova e da paróquia de Lorvão.
Em relação ao órgão de tubos, recuperado em Maio do ano passado, também não há dinheiro para organizar um calendário de concertos. "Nem em Lorvão nem em nenhum dos outros. Talvez no próximo quadro comunitário de apoio seja possível encontrar verbas, uma vez que a vertente imaterial vai ser a prioridade", referiu Celeste Amaro.
Mas não é por falta de verbas do poder central que o órgão deixa de tocar. O presidente da junta de freguesia de Lorvão, Rui Batista, afirmou que neste período o valioso instrumento já se exibiu oito vezes. No final do concerto do Coro dos Antigos Orfeonistas, o autarca defendeu, dentro das obras que faltam fazer no mosteiro, a construção de um acesso para pessoas com mobilidade reduzida.
As comemorações dos trezentos ano da trasladação das Santas Rainhas, Teresa e Sancha, começaram com dignidade e muita qualidade. Para além do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, juntaram-se ainda, numa única apresentação, a Filarmónica Boa Vontade Lorvanense e o Coro Vox e Communio. No programa oficial, organizado pela Associação Pró-Defesa do Mosteiro de Lorvão, Câmara de Penacova e Paróquia de Lorvão, consta ainda uma iniciativa a 17 e 18 de Abril, a propósito do Dia dos Monumentos e Sítios, a Feira de Tradições, no início de Maio, um concerto comemorativo do primeiro aniversário do restauro do órgão de tubos, a 3 de Maio, a Festa das Santas Rainhas, de 16 a 18 de Outubro, que integra uma exposição de relíquias, entre outras ações.
E enquanto os sons do órgão de tubos não chegam ao Terreiro do Paço, na antiga Sala do Capítulo, várias peças de arte sacra tentam resistir à humidade, às baixas temperaturas e aos "xilófagos", o vulgarmente chamado bicho da madeira. A sala, que desde os anos setenta, serve de núcleo museológico, alberga esculturas, imagens, mobiliário, paramentos e iluminuras com séculos de história. Um espólio que deveria ter como destino o novo museu, ali ao lado, no Claustro do Silêncio, mas por este continuar encerrado, se degrada dia para dia.

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