"Não há ninguém que goste mais de Penacova do que eu..."

José Bernardes e Amândio S. Costa, presidente da Ass. Geral
A frase é de José Bernardes, o presidente da Casa do Concelho, que em 1956 partiu do Peixoto em direção a Lisboa. Foi aí que, com alguns amigos, penacovenses, iniciou o movimento que viria a originar, primeiro a Liga de Amigos e, mais tarde, a Casa do Concelho.
Tive a sorte e o privilégio de ter testemunhado alguns momentos marcantes da história desta associação. Em meados dos anos oitenta, a então designada Liga dos Amigos, organizou um passeio pelo Tejo a bordo de um cacilheiro. Foi um dia magnífico, com a tal luz de Lisboa, a tornar aquele dia memorável! Vivia a rádio Manchete os seus tempos áureos. Durante a travessia fizemos vários apontamentos de reportagem, em direto, com um telemóvel da primeira geração, um tal de "Porty", fabricado pela Phillips, que mais parecia uma maleta, tal era o seu tamanho.
Anos mais tarde, outro momento alto! No pavilhão Carlos Lopes tive a honra de apresentar um espetáculo que juntou vários ranchos folclóricos e as filarmónicas do concelho. Foi uma jornada de grande fervor penacovense que terminaria com um desfile dos grupos pelo Marquês e pelo Parque Eduardo VII.
Seguiram-se outros convívios, sempre com o mesmo espírito! Falhei muitos, mas estive na Feira Popular, no David da Buraca, no Vimieiro, etc... Ao longo destas três décadas, a Liga e a Casa, que lhe sucedeu, com dirigentes como António Pimentel, na fase inicial, e José Bernardes, têm sabido, apesar de todas as dificuldades, levantar bem alto a bandeira de Penacova.
Este domingo, isso voltou a acontecer na Quinta da Nora, em Miro. O 21º aniversário da Casa do Concelho foi dignamente assinalado com a presença das casas de Valença, Arcos de Valdevez, Ferreira do Zêzere, Tomar, Alvaiázere, Ponte de Lima, Tábua e Sertã.
"O aniversário da Casa tem sido sempre celebrado em Lisboa. Este ano decidimos vir até Penacova, um pouco a pensar nos sócios que são daqui, porque eu sei que é dispendioso ir a Lisboa", afirmou José Bernardes à Livraria.
Para além da presença de várias casas, o presidente da Casa de Penacova destacou a presença da Associação das Casas Regionais - "é uma associação criada em 2007 em Lisboa, de que a Casa é fundadora e atualmente vice-presidente da direção. Esta associação deu um grande impulso ao movimento regionalista e fez com que a Casa de Penacova ficasse mais conhecida. Além disso abriu portas ao intercâmbio o que antes não acontecia."
Sobre o movimento regionalista, José Bernardes entende que Penacova já chegou tarde - "enquanto nós estamos a comemorar vinte e um anos da Casa ou trinta e um de regionalismo, há casas que existem há trinta, quarenta, cinquenta anos. Essas casas foram criadas num tempo em que os seus elementos eram mais bairristas, tinham um grande amor à terra, porque passavam longos períodos afastados. Essas casas nasceram com esse espírito muito forte. Hoje é diferente, as distâncias encurtaram e Lisboa fica apenas a duas horas de caminho."
Com o movimento regionalista a ter que se adaptar a esta nova realidade, o presidente da Casa de Penacova assegura que a atividade se mantém, com um conjunto de atividades ao longo do ano - "continuamos a fazer aquilo que é possível e não há mês nenhum que não façamos uma atividade. Organizamos passeios recreativos e culturais, a vários pontos do país, e esses passeios são uma oportunidade para divulgar o nome de Penacova, a nossa gastronomia, as nossas belezas naturais. Além disso, fazemos alguns almoços-convívio, na nossa sede, na Calçada de Carriche, onde destaco o da chanfana e o magusto anual. No nosso programa de atividades também constam sempre três passeios ao concelho. Um na época da lampreia, outro que é um convívio das freguesias, normalmente em Setembro e participamos também no magusto e na feira do mel."
O almoço na Quinta da Nora terminou com a atuação do Rancho Folclórico "Os Barqueiros do Mondego", de Miro e com um apelo de José Bernardes - "queremos que as pessoas, os penacovenses apareçam mais nas nossas iniciativas. Que venham à sede tomar um cafezinho e que colaborem porque precisamos assegurar o futuro. Eu já estou com 78 anos..." 



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