Os mestres da ponte do Reconquinho
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| Pedro, José Luís e Acácio, no Reconquinho |
O ritual repete-se todos os anos. Junta-se a madeira de eucalipto para a estacaria e a de pinho para os passadiços e mãos à obra. Uma semana é o tempo necessário para construir a ponte de madeira na praia fluvial do Reconquinho, em Penacova.
Este ano, o calor aperta e os mestres da ponte trabalham debaixo de sol, quase sempre de tronco nu. As marcas dos raios solares já se fazem notar principalmente nas costas.
Começam bem cedo, pelas sete da manhã. A caixa de ferramentas tem pregos, um martelo gigante para bater as estacas, uma vara para medir a profundidade, uma linha para manter a travessia direita, além de outros utensílios de carpintaria.
José Luís Seco e Acácio Alpoim são os mestres construtores, a que se junta, pela primeira vez, Pedro Fernandes.
"Já faço a ponte do Reconquinho há vinte e oito anos, praticamente desde que estou na câmara. Ao longo do tempo a equipa foi mudando. Trabalhei com o José Flórido, que era o chefe na altura, e com colegas como o Fernando Cabral, o Manuel "Misso", o José Luís, o Hermínio, o Zé Bigodes, entre outros", lembra José Luís Seco para quem a construção da ponte já não tem segredos.
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| A meio do rio medindo a profundidade |
É ele que entra no pequeno barco e com a mestria dos antigos barqueiros, segura a vara que leva a pequena embarcação para o meio do rio. Acácio Alpoim está na ponte, na parte já construída e, ambos, vão avançando, estaca após estaca, à velocidade que a corrente permite. "Aqui nesta zona, no meio do rio, a profundidade deve andar próxima dos seis metros", diz Acácio Alpoim que há mais de uma década é convocado para esta tarefa. "O rio mudou muito ao longo dos anos. Quando era miúdo lembro-me dos grandes areais, das lavadeiras, do milho a secar ao sol. Até a ponte de madeira era diferente. Era mais alta a meio para poder passar a barca serrana", recorda Acácio Alpoim.
Pedro Fernandes é um estreante. O jovem de Ribela auxilia os dois mestres e observa com atenção todos os seus movimentos.
Até hoje não houve acidentes ou momentos mais complicados. "Ninguém caiu à água! Quando vamos é de propósito e é porque estamos com muito calor", esclarece Acácio Alpoim.
Em dois dias avançaram quase até meio do rio. A dificuldade aumenta a partir daí porque o fundo deixa de ser de areia e passa a ter mais pedra. "A ponte deve ter à volta de oitenta metros de comprimento e este ano vai ficar com oitenta centímetros de largura. Houve um ano em que se realizou uma prova de BTT e o passadiço ficou com o dobro da largura mas, normalmente, fica com esta medida", afirma José Luís Seco.


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