Barca serrana apodrece na rotunda do IP3
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| Barca serrana apodrece na rotunda |
As barcas serranas que dominaram as águas do Mondego, até meados do século passado, foram feitas para navegar e não para ornamentar rotundas! Dito isto, é confrangedor olhar, com atenção, para o estado de degradação do exemplar que foi colocado, há alguns anos, na rotunda do IP3. Como a manutenção não se fez, por exemplo com o pez, que era o produto usado para impermeabilizar a madeira, esta apodreceu, o mastro partiu e o fundo chato já quase não existe , deixando bem à vista as cadernas (peças de madeira) e as pedras do chão. É neste estado lastimável que está o chamado ícone ou símbolo de Penacova! E logo no principal acesso!
Aliás, a vida das barcas serranas não tem sido fácil ultimamente! Um dos exemplares mais recentes, construído em 2012, com financiamento europeu, está quase sempre ancorado.
A barca foi inaugurada há três anos, ao abrigo do programa europeu NEA2 - Náutica no Espaço Atlântico. O projeto, executado sob a alçada da AD ELO - Associação de Desenvolvimento Local da Bairrada e Mondego, tinha entre os seus objetivos, "potenciar os recursos turísticos e preservar o património". Nesse já longínquo dia 18 de Abril de 2012, câmara de Penacova e Turismo do Centro juraram tudo fazer para dinamizar a nova embarcação mas, como é bom de ver, os discursos foram rio abaixo...
Esta barca serrana, ancorada no Reconquinho, com o intuito de voltar a navegar nas águas do Mondego, para fins turísticos, poucas vezes tem sido utilizada!
Numa rara aparição foi vista, por estes dias, a navegar junto à Livraria Mondego, na "Festa do Barqueiro", organizada pelo Grupo de Solidariedade Social e Desportivo de Miro.
A edição deste ano contou, mais uma vez, com a reconstituição da chegada da barca serrana e a troca de mercadorias que se fazia no Mondego.
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| Barca serrana na "Festa do Barqueiro" |
A associação de Miro aproveitou a ocasião para lançar novos produtos endógenos, com o pormenor de lhes juntar a flor de sal, da Figueira da Foz, lembrando as trocas comerciais de outrora. Esta atividade fluvial, que marcou as vidas dos nossos antepassados e que tanto nos liga ao rio, pode e deve ser lembrada, de uma forma mais consistente e perene.
Não tenho dúvidas de que as coletividades têm sido as guardiãs das nossas tradições e costumes. Os ranchos folclóricos, e que os há neste concelho, e de muita qualidade, e outras associações de espetro mais geral, têm sido preponderantes nesta passagem de testemunho às novas gerações.
A barca serrana foi muito mais do que um meio de transporte. Simboliza uma herança cultural, personificada nos barqueiros, ajudantes, nos construtores de embarcações, nas próprias lavadeiras, nos pescadores, na vivência das populações ribeirinhas! Tudo isto é preciso preservar!
A barca serrana já não transporta lenha, nem carqueja, trouxas de roupa ou sal, mas pode transportar turistas em pequenos percursos no Mondego. A apodrecer, na rotunda, ou quase sempre parada junto à margem é que não!
Lá vem a Barca Serrana!
Lá vem a sardinha boa!
Lá vem o meu rico amor
Assentadinho na proa!
(Tradição popular)


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