"É uma experiência que voltaria a repetir!"

Regressou há pouco mais de um mês da Guiné-Bissau e voltaria a repetir, o que considera ser, uma experiência única! Filomena Simões integrou entre Julho e Agosto uma missão do INEM - Instituto Nacional de Emergência Médica para prevenção da pandemia do vírus ébola.
"Quando cheguei foi um choque cultural muito grande, mas voltaria a repetir!", admite a técnica de emergência de socorro pré-hospitalar, a trabalhar no INEM desde 2006. 
No âmbito da cooperação entre os dois países, Portugal enviou para a Guiné equipas médicas para ajudar à prevenção da doença.
Filomena Simões nas ruas de Bissau
"No terreno prestámos apoio aos técnicos de laboratório, demos formação, em suporte básico, aos enfermeiros guineenses do hospital Simão Mendes e levámos medicamentos", afirmou Filomena Simões que não sentiu, em Bissau, a ameaça do vírus ébola - "surgiram dois casos suspeitos que não se confirmaram. Duas vezes por semana íamos ao aeroporto fazer controlo de temperatura aos passageiros que viajavam para fora do país. Mas não vivemos situações complicadas."
A carência de meios existentes na Guiné, a todos os níveis, dificultou algumas tarefas - "por exemplo, em Bissau a eletricidade falha muitas vezes e o laboratório era abastecido por geradores. Tivemos que nos adaptar a estas situações mas correu tudo bem!"
A equipa do INEM esteve de prontidão para qualquer caso ou foco de doença que surgisse. "Antes de viajarmos para lá tivemos um período de preparação prática e teórica. Saber vestir e despir o equipamento individual, manusear a célula de isolamento, enfim, preparámos-nos bem para enfrentar qualquer situação", esclareceu Filomena Santos.
Filomena é licenciada em História e também viveu a experiência de ser professora "não colocada". O seu percurso profissional mudou quando decidiu concorrer a um concurso público do INEM para admissão de técnicos. Acabou por ser selecionada e colocada no Porto. Mais tarde acabaria por pedir transferência para Coimbra onde, atualmente, coordena um grupo de ambulâncias que opera na região centro. "Sinto-me realizada e gosto do que faço!", confessa Filomena Simões que é bombeira em Penacova desde os dezanove anos - "Já sou bombeira de primeira e estou na corporação há dezassete anos!"
No hospital Simão Mendes a dar formação
Durante o mês que permaneceu em Bissau foi mantendo o contacto com familiares e amigos através da internet, das redes sociais e do "Skype" mas, na Guiné, deparou-se com várias situações que a fizeram lembrar o seu país - "Fiquei hospedada num hotel, de nome Coimbra. Os donos desse hotel eram portugueses e conheciam Penacova, porque já tinham cá acampado. Também conheciam muito bem o restaurante Cota. A proprietária, médica de profissão, tinha estagiado no centro de saúde de Penacova. A água que se bebia era da marca "Caldas de Penacova". Enfim uma série de situações que me fizeram sentir mais próxima da minha terra."
De acordo com o último relatório da OMS - Organização Mundial de Saúde, do dia 13 de Setembro, a pandemia de ébola já atingiu mais de vinte e oito mil pessoas e matou mais de onze mil e trezentas. A Serra Leoa é o país mais afetado. Embora os números da doença estejam controlados, nas primeiras semanas deste mês surgiram novos casos no norte do país. 

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