Tropas de Thomas Picton atravessaram o Mondego

General Picton a falar aos soldados         FOTO: José Moura
A noite estava amena e sem vento. Os soldados da 3ª Divisão concentraram-se nas proximidades da Barca do Concelho, junto à margem esquerda. Depois de algumas instruções, dadas pelo general, avançámos para a travessia do rio. As águas corriam tranquilas e tinham pouca profundidade. Em fila indiana e quase em silêncio entrámos na água. O local da travessia estava devidamente assinalado por tochas. O fundo do rio estava forrado de pedras e algumas algas, mas com a ajuda de um cajado, não foi difícil atingir a outra margem. A vila de Penacova estava mesmo ali, à nossa frente. De uma beleza ímpar e imponente!
Já na margem direita, o comandante da nossa divisão, delineou o resto do percurso. Seria uma subida íngreme até atingir o cume de um monte, o chamado Mont'Alto, onde fica um pequeno santuário. Era lá que estava o acampamento. Antes de dar início ao percurso recebemos uma pequena ração para nos dar energia.
O caminho foi feito em mata fechada, com muita pedra e inclinação, mas ninguém deu parte de fraco. Ao longo da subida, o destemido general Picton, foi-nos incentivando e parou a marcha sempre que alguém ficava para trás.
A meio do percurso, sensivelmente, fomos surpreendidos por alguns populares. Amedrontados e, talvez, sabendo que a guerra se aproximava, pediram ajuda e seguiram-nos pela encosta acima. Era gente simples, habitantes das redondezas, que generosamente se ofereceram para ajudar as tropas com alguns víveres.
A travessia do Mondego                FOTO: José Moura
Dominados pelo cansaço atingimos o alto do monte. Lá em cima, uma pequena capela domina o espaço. Chamam-lhe a Nossa Senhora do Mont'Alto. No interior do templo, várias mulheres, provavelmente vindas de Penacova, rezavam fervorosamente. Picton deixou que terminassem as orações e depois, com o seu ar determinado, mas afável, disse-lhes que os soldados tinham chegado e era preciso alimentá-los. Prontamente, as mulheres deixaram o interior da capela e dirigiram-se para o acampamento. Dar de comer e beber aos homens era agora a prioridade. O acampamento era pequeno e estava circunscrito ao perímetro do santuário. Enquanto os soldados se alimentavam, o general recebeu a visita do senhor de Penacova. Não sabemos o que conversaram, mas não é difícil de imaginar que teria sido oferecida a Picton toda a ajuda necessária, de retaguarda, para auxiliar as tropas anglo-lusas na aproximação ao Bussaco.  
Depois de algum descanso, a 3ª Divisão estaria pronta para enfrentar os franceses!

NOTA: Este é um relato ficcionado da minha experiência no passeio noturno dos "Caminhos da Batalha do Bussaco." Trata-se de um projeto histórico-cultural que resulta de uma parceria das câmaras de Penacova, Mealhada e Fundação Mata do Bussaco. O passeio é encenado e tem como figura central o general inglês Thomas Picton que comandou uma das divisões do exército anglo-luso. Veste a pele do famoso militar, Luís Rodrigues, técnico de turismo da autarquia de Penacova, a quem eu tiro o chapéu pela competência demonstrada! O passeio contou ainda com a colaboração de vários figurantes do Rancho Folclórico de Penacova. Se quiser saber mais sobre a história da Batalha do Bussaco, ocorrida em finais de Setembro de 1810, não perca este passeio. Repete na próxima sexta-feira.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A nova vida do restaurante Panorâmico

Casa Aurora quer trazer turistas para Friúmes

Peru dá prémio à Padaria do Largo