Câmara reduz IMI às famílias mas podia ter ido mais longe
Metade das autarquias do país já aderiu à medida aprovada no
Orçamento de Estado para 2015 que prevê uma redução do IMI – Imposto Municipal
sobre Imóveis para as famílias com filhos. Os limites foram fixados em 10% de
desconto para famílias com um filho, 15% com dois e 20% com três ou mais
descendentes.
A câmara de Penacova optou por não chegar aos limites
máximos, ou seja, decidiu conceder um desconto de 5% até um filho, 7,5% com
dois e 10% com três. O presidente da autarquia justificou a decisão afirmando
que “até pelo histórico e porque temos feito um esforço de promoção da
natalidade, entendo que devemos associar-nos a este esforço, reduzindo a taxa,
embora não nos limites máximos, mas pela metade”, referiu o autarca na reunião
do executivo de quatro de Setembro.
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| Redução do IMI vai beneficiar famílias com filhos |
A oposição PSD pretendia que a redução do imposto fosse até
ao limite máximo mas a proposta não vingou. “Como o município tem as contas
equilibradas, isso tem de ter repercussão no seu comportamento fiscal perante o
cidadão. Na atual conjuntura, apesar de haver melhorias claras, ainda há muitas
famílias que precisam de algum alívio e tendo o município essa possibilidade
deve faze-lo pelos limites máximos. Ainda há margem para compensar este esforço
pelo lado da despesa e isso é possível através de cortes em despesas
manifestamente desnecessárias”, afirmou Mauro Carpinteiro, vereador
social-democrata.
Certo é que apesar desta argumentação, o executivo
socialista acabou por não alterar a sua proposta – “a boa situação financeira
da câmara é inegável, mas não deixamos de ter alguns problemas orçamentais e
todos têm essa consciência. Uma grande parte dos municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, por exemplo, vai praticar as mesmas taxas que estamos a propor”, sublinhou Humberto
Oliveira.
Na região centro são vários os exemplos de municípios que
adotaram a redução do IMI pelos limites máximos, ou seja, 10%, 15% e 20%.
Em Mortágua, aqui bem perto, o presidente José Júlio Norte
justificou a decisão afirmando que “o município tem uma situação financeira sólida que
permite fazer esta redução do IMI.”
Em Aguiar da Beira, no distrito da Guarda, o autarca Joaquim
Bonifácio disse que o desconto irá beneficiar trezentas e cinquenta famílias –
“é uma ajuda e uma tentativa para combater a desertificação.”
Em Figueira de Castelo Rodrigo, o autarca Paulo Langrouva
afirmou que se trata de “um alívio fiscal para as famílias, principalmente as
mais desfavorecidas e numerosas e vai beneficiar quatrocentos e cinquenta e
sete agregados do concelho.”
Aguiar da Beira e Figueira de Castelo
Rodrigo são alguns casos de municípios que apesar de, tal como Penacova, terem
mantido a taxa anual do imposto em 0,3%, avançaram para a redução do IMI nos
limites máximos.
No entanto, algumas autarquias têm criticado o governo
afirmando que está a aliviar a carga fiscal às famílias à custa da receita dos
municípios. Por outro lado, a Associação Portuguesa das Famílias Numerosas
defendeu que a redução do IMI também deveria ter em conta o número de
ascendentes de cada agregado familiar, uma vez que o país tem assistido a um
envelhecimento acentuado da população. O governo estima que mais de oitocentas e sessenta mil
famílias possam ser abrangidas por esta redução do IMI. A redução do imposto nas percentagens de 5%, para famílias
com um filho, 7,5% com dois e 10% com três ou mais filhos foi aprovada na
assembleia municipal de Penacova realizada em finais de Setembro.

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