Especialistas debateram o interior em Penacova, sabia?
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| Aldeias com cada vez menos habitantes |
Não me lembro de, nos últimos tempos, se terem juntado em Penacova, num encontro só e no mesmo espaço, tantos especialistas de renome nacional e, lamentavelmente, terem passado quase despercebidos.
Para debater questões tão sérias como o despovoamento, desemprego e envelhecimento, o Fórum do Interior, que decorreu no último fim de semana no Centro Cultural, trouxe até nós Pedro Hespanha, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Luís Moreno do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, António Pedro Dores do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, Artur Rosa Pires, da Universidade de Aveiro, entre outros, para além de inúmeros agentes de desenvolvimento local e regional do país e até de Espanha.
Na tarde de domingo, perante escassas duas dezenas de pessoas, a maior parte os próprios conferencistas, Saudade Lopes, uma das poucas penacovenses presente, pediu a palavra e disse o que, naquele momento também me assaltava o espírito - "a emigração, o envelhecimento e o despovoamento são questões que dizem tanto ao nosso concelho, que gostaria de ter visto nesta sala as nossas associações, os nossos políticos para, todos juntos, aprendermos com estes especialistas!"
Este encontro promovido pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, em parceria com o Grupo de Solidariedade Social, Desportivo e Cultural de Miro e Câmara de Penacova terá, a meu ver, falhado em duas situações: primeiro na divulgação e ainda no facto de não ter promovido, nas várias oficinas de trabalho, uma que englobasse os agentes locais de Penacova, a saber, IPSS's, associações, cooperativas e empresários.
As questões discutidas neste fórum atingem, infelizmente, uma grande parte do território do interior, também designado de baixa densidade. É claro que é com políticas de descentralização, ou em rede, através das comunidades intermunicipais que se podem combater estas assimetrias, mas se não formos nós, penacovenses, a identificar os problemas, em cada aldeia, em cada freguesia, mobilizando todos os agentes locais, quem o fará?
O novo fluxo migratório, a falta de emprego e o envelhecimento da população atingem de uma forma dura e implacável concelhos como o de Penacova. São notórios os esforços de alguns empreendedores, sobretudo jovens agricultores, que começam a desenvolver os seus projetos, mas não é suficiente! É necessária uma entidade que mobilize, que faça o papel de charneira, que desenhe uma estratégia, que selecione as áreas de intervenção.
Avanço uma sugestão, a Pensar - Associação de Desenvolvimento Integrado de Penacova que, como consta do seu site, tem como missão - "a formação de recursos humanos, a promoção do emprego, a valorização dos recursos endógenos, a nível do turismo, indústria e exploração florestal."
Penacova dispõe de um grande potencial, ainda por explorar, na floresta, no turismo e na gastronomia. E como foi sublinhado neste Fórum Regional, há um programa de apoios comunitários disponível para transformar esses projetos em realidade.

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