EBA em reestruturação profunda centra-se em Penacova

                        Curso Restaurante/Bar                   FOTO EBA
No ano em que assinala 25 anos,  a Escola Beira Aguieira passa atualmente por um processo de reestruturação profunda que implicou a diminuição de funcionários, redimensionamento do corpo docente, cortes nos custos e encerramento do pólo de Mortágua.
As dificuldades financeiras do passado recente obrigaram a escola a entrar em Processo Especial de Revitalização, o chamado PER, que tem como finalidade negociar com os credores e recuperar da situação económica difícil. O diretor-geral da EBA, João Fonseca assegurou à Livraria do Mondego que, neste momento, não há salários em atraso - "a situação financeira é melhor do que a do ano passado, nesta altura, não havendo salários em atraso. Os funcionários que por iniciativa própria, ou por nossa iniciativa recorreram ao fundo de garantia salarial, para colmatar os salários em atraso do ano letivo transato estão já, neste momento, a receber os respetivos montantes."
Perante o cenário de dificuldades financeiras, a reestruturação tornou-se obrigatória - "com o encerramento do estabelecimento em Mortágua e concentração em Penacova houve necessariamente uma reestruturação profunda. Os custos fixos em Mortágua significavam cerca de cem mil euros anuais, totalmente incomportáveis. Com a fusão adveio a inevitabilidade da diminuição de funcionários, a que se juntou uma reestruturação do corpo docente. Quanto a turmas não houve diminuição, pelo contrário", esclareceu João Fonseca.
E na verdade, no presente ano letivo, existem quatro turmas, mais uma do que no ano passado. Ao todo são cento e setenta e seis alunos distribuídos pelos cursos de Cozinha/Pastelaria, Restaurante/Bar, Gestão do Ambiente, Auxiliar de Saúde e Gestão e Programação Informática. "Há uma recuperação em relação aos dois últimos anos, embora isso tenha sido possível através da incorporação de alunos vindos dos PALOP - Países  Africanos de Língua Oficial Portuguesa", adiantou o diretor-geral da EBA.
A Escola Beira Aguieira, enquanto entidade formadora, não trabalha de uma forma isolada e proporciona aos seus alunos experiências que resultam de várias parcerias, como explica, João Fonseca - "temos desenvolvido, ano após ano, o Projeto Erasmus +, que nos capacita a enviar, todos os anos, cerca de vinte alunos da EBA, durante seis semanas, para os nossos parceiros em Espanha, Itália e Inglaterra, existindo abertura, no próximo verão, a outros países europeus. Além disso trabalhamos em rede com setenta empresas de todo o país que acolhem os nossos formandos nos seus estágios curriculares. Estas empresas constituem, para muitos deles, a primeira oportunidade de emprego."
                 Curso Cozinha/Pastelaria            FOTO EBA
Para este ano letivo, a EBA traçou dois objetivos: aumentar a taxa de conclusão de escolaridade, uma problema comum no ensino profissional, e aumentar a taxa de empregabilidade, que sendo alta nos cursos de hotelaria, não o é assim tanto nos restantes cursos. 
Uma das faces mais visível da EBA em Penacova é o restaurante pedagógico. Apesar de saber da lacuna que existe na vila nesta área, com o encerramento prolongado dos dois principais restaurantes, o diretor-geral da escola não quer avançar para um funcionamento mais regular - "Não é intenção da EBA assumir um papel concorrencial com a restauração local, pretendendo simplesmente promover eventos temáticos, conjugando as diferentes vertentes gastronómicas (locais ou regionais), formativas, com inovação, convívio e sempre com espírito de integração na comunidade. O restaurante pedagógico tem um funcionamento semanal, consequente com o horário das aulas práticas, em que serve ao público, o resultado da sessão de formação daquela manhã. Usualmente isto acontece, uma ou duas vezes, ao almoço."
Ainda sobre o papel da escola na comunidade local e as parcerias com as entidades locais, nomeadamente a câmara, João Fonseca afirma que tem existido e dado frutos - "a câmara foi determinante na decisão de estabelecer todos os serviços da EBA em Penacova, auxiliando em obras no edifício e no apoio logístico. Em concreto, sobre restauração e hotelaria fomos parceiros no lançamento da Feira do Mel e do Campo, associando-nos ao Mês dos Míscaros e do Sarrabulho, com um jantar temático sobre o assunto. Recentemente e, por nossa iniciativa, propusemos à autarquia a nossa participação ativa na Semana da Lampreia que se aproxima, com a produção de Entradas de Lampreia, elaboradas e desenvolvidas na escola, como os panados, o escabeche, a broa, a morcela, as empadas, todas feitas a partir das partes menos nobres do ciclóstomo e que, desta forma, enriquecem o arroz de lampreia. Já o temos feito há alguns anos, pretendendo agora, uma participação mais institucional, através de uma parceria com a autarquia. Para além destas iniciativas, há uma relação de proximidade que vem sendo consolidada ao longo dos anos de solicitação da autarquia para prestação de serviços ocasionais e de representação (Ex. Expofacic), onde procuramos corresponder e dignificar o nome do concelho", concluiu o diretor-geral da EBA.

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