Governo do município continua a falhar no essencial
| O futuro de Penacova passará pelo turismo |
No início deste século, portanto há cerca de quinze anos,
Óbidos era uma vila muralhada, com um centro histórico bem preservado, com
algum turismo, mas tinha cristalizado no tempo. Em década e meia, o PIB
concelhio quadruplicou, a taxa de crescimento de dormidas disparou (54,4% em
2009 e 57,8% em 2013) e as receitas do comércio local, restauração e hotelaria
atingiram números inimagináveis. Em 2008, por exemplo, com o impacto da
iniciativa “Vila Natal”, os números atingiram os 10 milhões de euros. Como é
que Óbidos, um município com cerca de 12 mil habitantes, conseguiu tal proeza?
A resposta está no chamado turismo criativo.
Há quinze anos, Óbidos era uma vila conhecida pelo
património histórico, pela “ginginha”, pelos bordados, enfim pelos “souvenirs”.
Hoje é um exemplo paradigmático de aposta em turismo criativo. Inspirada num
modelo nórdico, a autarquia definiu uma estratégia de desenvolvimento que
assentou em projetos turísticos e artísticos de excelência, no lançamento de
um calendário de eventos diferenciadores, num parque tecnológico, tudo isto
debaixo do chapéu de uma empresa municipal que passou a funcionar como uma
mega-agência de promoção do concelho.
Primeiro surgiu o Mercado Medieval, depois, em 2002, o
Festival do Chocolate, a seguir a Vila Natal, o Festival de Ópera, o Junho das
Artes e a Vila Literária, entre outros.
O “boom” turístico de Óbidos criou centenas de empregos, fez
nascer pequenos comércios, lojas de artesanato, bares, restaurantes e, não
menos importante, chamou a atenção dos investidores hoteleiros que apostaram no
território e construíram novas unidades.
De relíquia do passado, Óbidos transformou-se num caso de
sucesso do turismo nacional e internacional. Os turistas que visitam a vila
pernoitam, em média, 2,9 noites e o município apresenta uma proporção de
hóspedes estrangeiros de 59,2%, segundo dados de 2013 do INE.
Em década e meia, a marca Óbidos tornou-se tão eficaz que
mesmo quando não há nenhum evento em agenda, as ruas, a meio da semana e em
pleno inverno, têm turistas de vários cantos do globo.
A complementar todos estes resultados, Óbidos tornou-se num
dos municípios do projeto comunitário “Clusters Criativos em Áreas Urbanas de
Baixa Densidade”. O projeto assenta no pressuposto de que as atividades
criativas atraem pessoas criativas, jovens talentosos, adultos em fase de
mudança de carreira ou aposentados ativos e, por outro lado, pequenas empresas
nas áreas do design, artesanato, arte, antiguidades, música, publicidade ou
arquitetura.
A aposta na “economia do turismo”, como fez Óbidos, é, em
minha opinião, talvez a única via para o desenvolvimento. Tal como a vila do
Oeste, Penacova tem boas acessibilidades, um centro histórico bem definido, património
natural e arquitetónico relevante, artesanato e gastronomia com grande
potencial.
| Óbidos um caso de sucesso de aposta no turismo criativo |
O atual governo do município, a meio do segundo mandato,
continua sem uma nítida linha de rumo. Afirma que a prioridade são as pessoas e
aposta em medidas de curto, médio prazo sem qualquer efeito estruturante. É
óbvio que todos saudamos os incentivos à natalidade, os manuais escolares
gratuitos, os apoios às associações, mas se não existir uma estratégia de
desenvolvimento, com projetos e metas definidas, corremos o risco de entregar às
novas gerações um território pobre e sem futuro.
Em contexto de crise social e económica, é claro, que as
autarquias têm a co-responsabilidade de zelar pelo bem-estar dos seus cidadãos,
não só no presente, mas, sobretudo, a pensar no futuro e isso, infelizmente,
não está a acontecer.
O atual governo do município desperdiça energias e recursos
em projetos cujo retorno está por aferir (pista da Atalhada, por exemplo, e
inexplicavelmente mantém encerrado o empreendimento dos moinhos), em eventos
que funcionam localmente mas não atraem o turista nacional (In
Moda, Noite Branca, Semana da Juventude, etc), mantém de portas fechadas, há
dois anos, a marca mais bem sucedida no campo da restauração (Panorâmico), não
consegue, juntamente com a Misericórdia, a acionista maioritária, encontrar uma
solução para hotel, deixa ir, rio abaixo, os milhares de pessoas que descem o
Mondego de canoa, não aposta no marketing digital e, apesar de ter aumentado os
gastos com pessoal, não tem uma estrutura profissional dedicada em
exclusividade ao turismo.
Entre intenções, promessas e meras aberturas de rubrica só
para constar no orçamento, o único projeto, na área turístico-cultural,
diferenciador e de projeção nacional, que pode trazer valor acrescentado ao
município, é o novo museu do Mosteiro de Lorvão, em parceria com organismos do
estado.
Esta opção, quanto a mim errada, de ignorar o turismo,
enquanto modelo de desenvolvimento, não é um exclusivo do atual executivo. Nos
últimos vinte e cinco anos, desde que existem fundos comunitários, Penacova utilizou
a maior parte dos recursos em infraestruturas (estradas, saneamento,
equipamentos sociais), necessárias, sem dúvida, mas investiu muito pouco em
projetos turísticos.
O turismo, talvez porque não dá tantos votos, continua a ser
atirado para segundo plano! Com o modelo de Óbidos como inspiração, ou outro
qualquer, os políticos locais, os que governam e a oposição, deveriam colocar
de parte o mesquinho “passa-culpas” e pensar, de uma vez por todas, nos
penacovenses para quem governam.
Grata por este empenho feliz festas de Natal2015
ResponderEliminarMuito obrigado! Festas Felizes.
EliminarCaso paradigmatico é a Livraria do Mondego onde foram gastos milhares de euros sem qualquer retorno em termos turisticos. Muita parra e pouca uva Algum foguetorio sem qualquer resultado pratico. Os carros bem paravam do lado da estrada mas e o acesso?Longe vão os tempos quando se ia de barco fazer as peixadas na escadinha.Ao menos podiam aprender a copiar o de bom se faz notros lados mas de facto imaginação e vontade, não abundam por estas bandas
ResponderEliminarRetrato perfeito do Município.
ResponderEliminarSão poucos os casos de empreendedores com sucesso no concelho. Era necessário que se manifesta-se mais massa crítica, principalmente nas gerações mais novas,´que até são as melhor preparadas de sempre, o que lhe trás também uma responsabilidade acrescida.
Reconheço que é muito difícil começar mas, na minha opinião, são necessárias novas ideias, arrojada, parcerias apropriadas, nomeadamente ao nível do financiamento privado, que com o melhor empenhamento do governo do município há-de resultar em casos de sucesso, mobilizadores.
Sem dúvida uma boa análise... Bem haja
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