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A mostrar mensagens de 2016

Governo vai concessionar mosteiro de Lorvão

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Tal como a Livraria do Mondego adiantou a catorze de outubro, o Mosteiro de Lorvão está na lista de trinta imóveis do estado que vão a concurso para se converterem em projetos turísticos. A recuperação dos edifícios, que têm sido condenados ao abandono, será feita por privados através de concessões. Os interessados terão de apresentar projetos de reabilitação de acordo com o património existente, terão de manter os espaços abertos e a funcionar como unidades hoteleiras, restaurantes, ou até espaços multiusos para atividades culturais. A área a concessionar em Lorvão é a que corresponde ao antigo hospital psiquiátrico que encerrou portas em 2012. Caso surja um interessado em reabilitar esta ala do mosteiro, esta será, em minha opinião, uma oportunidade histórica, para a vila de Lorvão iniciar um novo ciclo de desenvolvimento e afirmar-se como um importante pólo cultural e turístico. Ao novo museu de arte sacra, ainda por abrir e à regeneração urbana, ainda no papel, julgo que seria im…

Poesia natalícia de um penacovense inconformado

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Queria Penacova escrita nas estrelas
mais viva e mais cintilante
Queria mais turismo e mais emprego
mais vida nas aldeias
Queria o Panorâmico a funcionar
com uma estrela Michelin
está fechado há três anos
porque a humidade começou a entrar
Depois de muitas perdas e danos
para o escasso turismo local
está agora em obras porque vai ser ano eleitoral
Queria o hotel lotado
com hóspedes do mundo inteiro
passeando pela vila largando o seu dinheiro
Queria o "Ténis" cheio de bolinhas amarelas
Está decadente e esquecido
ali a dois passos do centro
Dói tanto cá dentro!
Queria o velho hospital a receber os nossos idosos
foi esventrado há onze anos e assim continua
por incompetência dos santos gestores
Queria os moinhos da Atalhada
dando abrigo a turistas ávidos de aventura
o complexo está fechado
que desperdício, que loucura!
E o Vimieiro?
Santuário da gastronomia local
Já chega de tanta espera
Precisa da bandeira azul e de uma verdadeira praia fluvial
E o apocalipse de Lorvão?
memóri…

Neste Natal ofereça livros de autores penacovenses

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Está sem ideias para presentes de Natal? Então aceite a minha sugestão e ofereça livros! Acredite que os familiares e amigos mais próximos vão adorar, ainda por cima, se tiverem algo que os ligue a Penacova. Deixo aqui três sugestões, que provam a diversidade de estilos e o talento dos penacovenses na arte da escrita. O Luís Pais Amante teve um ano muito produtivo! Dois livros e logo no ano de estreia! O último deles, "Reflexo(s)", lançado há poucos dias e dedicado ao pai, Manuel Amante. Enquanto o livro mais recente do Luís não me chega às mãos, deixo algumas linhas do primeiro livro, "Conexões", lançado em março passado. É uma coletânea de textos que tem muito a ver com Penacova e não só. É também a sua visão do mundo, as inquietações, os pensamentos e as vivências, "a partir dos locais onde passei o meu tempo e independentemente dos continentes", escreve o autor.   Maria José Vera, a autora do prefácio, sintetiza a essência desta obra - "a atmosf…

"Balanço é positivo mas há coisas a afinar"

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É assim, numa frase, que o ultramaratonista Carlos Sá, resume o trabalho feito no centro de trail running de Penacova. O primeiro centro, de uma rede que o atleta pretende criar no país, começou a funcionar em julho do ano passado. Para já com três percursos sinalizados e um quarto ainda por acabar - "ainda não está totalmente terminado e vai ligar as praias fluviais do concelho." Carlos Sá revelou à Livraria Mondego que em abril de 2017 está prevista uma competição para assinalar a conclusão do projeto - "a existência de provas em Penacova, com alguma regularidade, também depende da vontade do município". Questionado sobre o facto de, no início de junho passado, a passagem pedonal do açude da Carvoeira ainda estar inacessível, passagem que integra os trilhos sinalizados, o ultramaratonista afirmou que "o centro exige um trabalho contínuo de manutenção e de divulgação e é preciso encontrar alternativas quando as cheias do rio não permitem que o percurso por a…

Poderia o setor empresarial de Penacova ser mais robusto?

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Poderia, sim, respondo eu, ao olhar para o guia recentemente publicado pelo jornal "As Beiras" que faz uma lista das mil maiores empresas do distrito de Coimbra. Nessa publicação encontro vinte e três empresas, com sede no concelho, de setores tão diversos como a produção alimentar, transportes, madeiras, construção civil e metalomecânica. Ao todo, este conjunto de empresas é responsável por pouco mais de setecentos postos de trabalho, sendo que, a esmagadora maioria se enquadra no perfil das chamadas PME, ou seja, pequenas e médias empresas. Mas então porque é que o tecido empresarial poderia ser mais robusto e não é? Em primeiro lugar, por erros cometidos no passado por quem nos governou, principalmente, ao nível do poder local. Penacova não soube tirar partido das boas acessibilidades, no caso, o IP3, o IC6 e o facto de estarmos numa posição próxima dos principais eixos rodoviários do país. Na década de noventa optou-se pela criação de um edifício para albergar empresas,…

Lá em Newark mas com o coração em Penacova

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Está nos Estados Unidos há três décadas e pensa em voltar num futuro próximo. As saudades de Monte Redondo, onde já não vem há três anos, são muitas - "Nem calcula!" - suspira Armindo Costa, o presidente do grupo "Amigos de Penacova" que, este sábado, organiza mais um convívio de confraternização penacovense em Newark. "Penso regressar a Portugal mas deixo raízes aqui. A minha filha já nasceu cá", conta-me Armindo Costa que é um dos fundadores do grupo. Tudo começou em finais da década de oitenta, altura em que Alípio Simões de Oliveira, também conhecido em Penacova por José Sutil, foi presidente da direção da Associação dos Bombeiros Voluntários de Penacova. Rogério Ferreira, um seu familiar que estava a trabalhar nos Estados Unidos, prontificou-se a organizar uma comissão que recolhesse fundos para ajudar os bombeiros. Entre os entusiastas deste grupo "Amigos de Penacova" contavam-se Albino Santos, Antero Simões, Fernando F. Ribeiro, Fernando…

Obras feitas e portas fechadas há sete anos

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O que são Julgados de Paz? Numa definição muito sucinta são tribunais criados para agilizar a administração da justiça, em estreita colaboração com o poder local e numa perspetiva de proximidade entre a justiça e os cidadãos. Os primeiros Julgados de Paz entraram em funcionamento em 2002 e hoje, no distrito de Coimbra, eles estão de portas abertas em vários municípios (Cantanhede. Coimbra, Mira, Montemor-o-Velho, Miranda do Corvo e Vila Nova de Poiares). Os Julgados de Paz são competentes para resolver causas comuns de natureza cível, cujo valor não exceda quinze mil euros. Passo a dar alguns exemplos: conflitos entre condóminos, escoamento de águas, abertura de janelas e portas, arrendamento urbano, incumprimentos de contratos e obrigações, etc. Em junho de 2009, ainda na gestão PSD - o PS ganharia as eleições, nesse ano, em outubro - a câmara de Penacova deu os primeiros passos para a instalação de um Julgado de Paz. Na antiga Tesouraria, ao lado das Finanças, foram feitas, através…

Câmara com mau desempenho na internet

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A câmara de Penacova ocupa um modestíssimo 247º lugar no ranking nacional do estudo efetuado pela Universidade do Minho aos sítios web das 308 autarquias do país e divulgado recentemente. A análise realizada pelo Laboratório de Estudo e Desenvolvimento da Sociedade de Informação, com o título "Presença na internet das câmaras municipais portuguesas", incidiu entre finais de 2014 e início de 2015 e foi feito com o intuito de retratar o estado da modernização da internet das câmaras municipais e do nível da relação eletrónica com os munícipes. A observação direta dos websites efetuou-se em função de quatro grandes critérios: conteúdos (tipo e atualização); acessibilidade, navegabilidade e facilidade de utilização; serviços online e participação. No primeiro critério, que estuda os conteúdos disponíveis e a sua atualidade, a câmara de Penacova obteve o seu melhor resultado (73º lugar), registando uma subida de mais de cem lugares em relação ao estudo de 2012. Entre as câmaras …

Um penacovense que pensava pela sua cabeça

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Confesso que hesitei em escrever sobre o desaparecimento do Dr. Joaquim Manuel Leitão. Tenho uma grande respeito e amizade pela família e sou solidário com a sua dor e, talvez, neste momento difícil, fosse mais aconselhável remeter-me ao silêncio. Mas, julgo que seria terrivelmente injusto não lembrar a figura e o contributo dado à comunidade por este penacovense. Conheci-o no tempo em que brincava com o meu amigo Miguel na Cova do Barro. Admirava-lhe os discos de vinil, os livros nas longas estantes do escritório, a réplica de "Guernica" na parede. No fundo, a vasta cultural geral e a forma clarividente como olhava para o mundo em redor. Sem concessões ao óbvio e com um forte espírito crítico. Sempre reverenciei pessoas que pensam pela sua cabeça e defendem as suas ideias e valores. O Dr. Joaquim Manuel era, sem dúvida, uma delas.  Em maio de 1999 marcámos encontro no restaurante "Cortiço" para uma entrevista ao Jornal de Penacova. O mote da conversa era o CDCP -…

MEMORABILIA 11 - Penacova vila irmã de Pont-Saint-Esprit

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Em outubro de 1999, Penacova e Pont-Saint-Esprit assinaram um protocolo de geminação selando laços de amizade que se iniciaram dois anos antes, com a deslocação a França do rancho folclórico "As Paliteiras de Chelo". O grande dinamizador desta união foi Fernando Madeira, natural de Chelo, que pertenceu aos orgãos municipais daquela vila francesa. A cerimónia da geminação decorrer no salão nobre da câmara e contou com as presenças de Maurício Marques, autarca de Penacova e Jacques Chailloux, adjunto do presidente daquela localidade do sul de França. "A geminação é uma forma de cultivar a amizade entre os nossos povos. Ultrapassemos o novo século de mãos dadas, pois somos todos cidadãos europeus", referiu o autarca francês. Maurício Marques, por seu lado, agradeceu a Fernando Madeira e Amável Ferreira, ao rancho de Chelo, a Leitão Couto e ao ex-presidente da câmara, Manuel Estácio Flórido, pelo contributo dado a esta geminação. Pont-Saint-Esprit está situada na regi…

Estado vai concessionar mosteiro de Lorvão a privados

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Tudo indica que o mosteiro de Lorvão, nomeadamente a área que esteve ocupada pelo hospital psiquiátrico até 2012, vai integrar a lista de trinta edifícios do programa "Revive". Trata-se de uma iniciativa conjunta dos ministérios da Cultura, Economia e Finanças que na prática pretende criar uma bolsa de edifícios, muitos em estado de abandono e degradação, para serem reabilitados. Fortes, castelos, mosteiros e palácios, edifícios até aqui inativos, serão concessionados a investidores nacionais e internacionais para projetos de cariz turístico. A concessão fica sujeita a um compromisso de reabilitação e conservação, sendo que o património continua a pertencer ao estado. Cada edifício terá o seu caderno de encargos e respetivo concurso público. Na lista já conhecida constam os seguintes imóveis: Convento de São Paulo (Elvas), Fortaleza de Peniche, Mosteiro de Arouca, Pavilhões do Parque D. Carlos I (Caldas da Rainha), Forte do Guincho (Cascais), Castelo de Vila Nova de Cerveir…

A juventude é o tema da nova edição da revista Pi8ito

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A revista liderada por António Alpoim que tenta fugir ao óbvio e pensar "fora da caixa", aposta neste número em diferentes abordagens ao tema juventude.
O protagonista da entrevista de fundo é Pedro Costa, conhecido no showbiz como DJ Nuka. "O Pedro é uma pessoa, o Nuka é outra, embora em vários aspetos se complementem...mas existem coisas que o Nuka faz que o Pedro, se calhar, não fazia mas tem de ser feito!", confessa Pedro Costa, o músico que apesar de ser mais reconhecido como dj, também compõe baladas.
Nesta edição trimestral, a jovem escritora Mariana Assunção, autora do livro "Eternamente", disserta sobre os conflitos internos da juventude - "é um misto de consciência e inconsciência. Afinal, ser jovem é não ser criança, mas também ainda não ser adulto. É estar num meio termo, em que nem sabemos bem como nos inserir!"
Como seria de esperar, os jovens assumem algum protagonismo na revista e, para além de Mariana Assunção, a Pi8ito revela,…

Conceição a eterna menina dos recados

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Quem a conhece julga que estamos perante alguém que é penacovense desde o berço, mas não é verdade! Esta figura incontornável da vila, de uma simpatia e energia inesgotáveis, nasceu bem longe daqui, em Porto da Paiã, no concelho de Odivelas em 1932. O seu companheiro, soldado da GNR, veio um dia parar a Viseu e depois a Penacova e...Maria da Conceição Antunes, de seu nome, ficou por aqui...até hoje! Não há ninguém em Penacova que não conheça a D. Conceição! A expressão, "as mulheres não se medem aos palmos" nunca veio tão a propósito quando pensamos nela. Sempre com um sorriso, boa conversadora, preocupada com o próximo e de uma disposição para tudo, incluindo o trabalho. Conheço a D. Conceição desde miúdo, do tempo em que morava no fundo da vila. Vivia na grande casa azul, onde morou longos anos e só deixou porque o senhorio a deixou degradar. Trabalhou muito para ajudar a criar os três filhos: António, Augusta e Conceição. O marido, António Matos, que serviu a GNR, partiu…

Estudantes da Beira Aguieira dormiram na rua em protesto

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Mais de uma dezena de estudantes da Guiné-Bissau que frequentam a Escola Profissional Beira Aguieira pernoitou, na última noite, no Largo Alberto Leitão, em protesto contra o que dizem ser a falta de condições de alojamento. O grupo, com as respetivas malas e objetos pessoais, passou a noite junto à igreja matriz porque não quer voltar para Lorvão, para as instalações do antigo hospital psiquiátrico. As raparigas, ao todo mais de uma dezena, argumentam que o espaço não tem as condições mínimas para ali ficarem. À LivrariaMondego afirmaram que dormem em camaratas sobrelotadas, muitas vezes não há água quente para os banhos, algumas portas e janelas estão danificadas e o espaço é, em geral, muito húmido. Chegaram a Portugal em fevereiro e, alegam que depois de terem sido alojadas em vários locais, acabaram por ficar em Lorvão, para onde não querem voltar. A noite passada ao frio, no Terreiro, bem no centro de Penacova, foi a forma encontrada para dar visibilidade ao problema. Estas est…

Os passadiços chegaram à Livraria do Mondego

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A palavra passadiço nunca andou tanto de boca em boca como agora! Não é que não existisse, ou tivesse sido banida do dicionário, ou trocada por outra no recente acordo ortográfico. A palavra passadiço existe há muito, muito tempo e significa, segundo os dicionários, uma passagem para peões construída sobre um curso de água, uma estrada ou uma depressão no terreno. Andamos em cima de passadiços, na praia, nas dunas, nas ravinas, nos sapais, nos parques, nos lagos e nunca, mas nunca, falámos tanto deles como nos últimos tempos. Mas afinal, a que se deve esta nova vida, este boom, esta torrente que não deixou ninguém indiferente? A resposta está em Arouca e nos passadiços de madeira criados ao longo de um troço selvagem do rio Paiva. Escrevi sobre eles há alguns meses, depois de uma visita que me deixou completamente rendido! Disse que era, em meu entender, um projeto diferenciador, com impacto comprovado na economia local e era desse tipo de projetos que Penacova necessitava para sair …

Porque razão não partem as canoas do Reconquinho?

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Em 1988, os belgas Dirk e Kristen foram os pioneiros das descidas de canoa no Mondego. O Pioneiro do Mondego tornou-se assim numa das primeiras empresas de desporto-aventura do país a explorar um filão que, quase três décadas depois, continua a ser um dos grandes cartazes turísticos da região. As descidas de canoa começavam na praia do Reconquinho e era um regalo para olhos, ver no areal da praia, as canoas amarelas alinhadas em fila, dando um toque ainda mais colorido à paisagem. O local de partida da viagem alterou-se, anos mais tarde, com a construção do açude da Carvoeira. A estrutura, criada para aumentar o espelho de água na praia e diminuir a força das correntes, acabou por funcionar como um obstáculo para as canoas. O Pioneiro do Mondego deixou o Reconquinho e começou a viagem rio abaixo a jusante do açude.  Em finais da década de noventa, a recém-criada Sport Margens, de empreendedores penacovenses, iniciou a atividade com descidas a começar no Reconquinho, mas rapidamente o…

O guardião do órgão de tubos do mosteiro de Lorvão

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O órgão de tubos do mosteiro de Lorvão recuperado em finais de 2013 tem um executante, quase permanente, que cuida e mantém ativo o belo instrumento construído em finais do século XVIII por António Xavier Machado Cerveira. Conhecido pelas duas faces, uma virada para o coro e cadeiral e outra para a igreja, o que o torna um caso raro na Europa, o imponente instrumento, com cerca de quatro mil tubos, apaixonou um lorvanense que, regularmente, o põe a tocar nas eucaristias, casamentos e outras celebrações. Vitor Nogueira, com 54 anos de idade, tem um relação muito próxima com a música desde pequeno - "o meu percurso na música começou aos nove anos, quando ingressei na filarmónica de Lorvão. Comecei pela requinta, um instrumento de sopro, depois passei para o clarinete e, mais tarde, o saxofone já na fase das mini-bandas." E foi também na infância que teve o primeiro contacto com um teclado - "aconteceu por volta dos meus onze, doze anos, no salão paroquial, em Penacova. Fo…

O Mirante na poesia de Luís Amante

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O Mirante é, de facto, um lugar único e quem cresceu por ali sente isso de uma forma muito particular. É o caso do Luís Amante que, há poucos meses, revelou a sua faceta poética ao lançar o livro "Conexões". O poema que me enviou, há poucos dias, não está no livro, estará quem sabe no próximo, e é um retrato muito próprio desse lugar com uma beleza "estonteante".

O Mirante

É para o mirante
Que corre o amante
Quando está apaixonado
Enamorado
Ou quando está frio e se lhe levanta o brio
É para aí que vai a sua dama
Quando está farta de estar em casa
De pijama
E quer ar, ou luz ou luar
No mirante
Ao sol
O sardão fica mole
E salta do paredão
As vistas deslumbrantes espraiam-se, brutais
A cento e oitenta graus ou mais
E o caminho descendente pra Ponte resiste
Ao sucessivo declive dos degraus
Parece estarmos todos no cimo do mundo
Se o mundo tivesse fundo
Ou dentro da fotografia
Se não entrássemos em paralisia
As colunas do miradouro estão esgotadas
Com inscrições de namoro
Ou com registos de fam…

Olhar para o Mirante com olhos de ver

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Nasci nas proximidades do Mirante. Brinquei muito por ali, na "Avenida das Tílias". É, por isso, um lugar que me transporta para os tempos da infância, quando as férias eram mesmo grandes e o "fundo da vila" era o meu pequeno mundo. Por isso, hoje e sempre, o Mirante faz parte dos meus afetos e é, sem dúvida, um dos meus locais de eleição. O Mirante não tem inverno, nem verão, é bonito todo o ano. E no outono? Deslumbrante.  No início do século passado, Manuel Emídio da Silva, um engenheiro e cronista do jornal "Diário de Notícias" enamorou-se de tal forma por aquela paisagem que, por sua iniciativa, ali surgiu o miradouro. Apesar de ser um spot turístico de Penacova, o Mirante passa quase despercebido aos poucos visitantes que por cá passam. O recente lançamento do livro dedicado a Martins da Costa foi uma exceção. Era um dos locais preferidos do pintor, para os passeios de fim de tarde, quase sempre com a companhia do seu cão. O Mirante não foi esqueci…

O legado de Martins da Costa pela primeira vez em livro

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Martins da Costa partiu há onze anos e, em meu entender, a sua extraordinária obra continua desconhecida de grande parte dos penacovenses. É da mesma geração de pintores como Júlio Resende, Nadir Afonso e Júlio Pomar mas, apesar da sua inegável qualidade, não teve a mesma projeção junto do grande público. O reconhecimento do seu valor artístico está bem patente nos muitos prémios e distinções, nas obras adquiridas por vários museus, nas bolsas internacionais e nos trabalhos de decoração mural feitos em vários edifícios públicos. Até à década de setenta, Martins da Costa esteve sempre visível, quase em permanência, no meio artístico. A vinda para Penacova, uma opção conscientemente assumida, retirou-lhe protagonismo e as suas aparições tornaram-se mais raras. Voltou a expor individualmente no Porto, no início dos anos noventa, mas o seu nome deixou de circular com a mesma frequência do passado. Martins da Costa era um pouco avesso ao circuito das galerias e ao negócio dos quadros e, t…

MEMORABILIA 9 - Penacovense de alma e coração

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Uma pequena homenagem comparada com a grandeza da sua obra, assim classificaram os responsáveis do Rancho Folclórico de Penacova, o momento em que Martins da Costa, autor do desenho do estandarte do grupo, foi agraciado na sessão solene que abriu o festival de folclore. "O desenho que aparece na bandeira é inédito, não havia quaisquer elementos anteriores, a não ser o milho e a vinha que são da nossa região. Eu limitei-me a integrá-los", explicou o pintor que aceitou fazer este trabalho por várias razões - "primeiro porque é um grupo folclórico que me merece muita estima e admiração e, por outro lado, são pessoas com quem tenho laços de amizade. Já dei colaboração idêntica aos Bombeiros Voluntários, à Casa do Povo e à Santa Casa da Misericórdia. É sempre com muito prazer que o faço", disse Martins da Costa. O artista elogiou, a seguir, o empenho do rancho para que o trabalho resultasse - "a D. Fernanda Pimentel e o senhor Alvarinhas foram inexcedíveis e o tra…

Artur Carril mil estórias para contar!

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Nasceu em Vale Maior a 9 de outubro de 1921, tentava Portugal recuperar da participação na I Guerra Mundial. Estudou na escola de Friúmes e "fui aprovado no exame com distinção", conta com saudade. Os tempos da meninice foram passados a ajudar o pai que era agricultor e criador de gado, "tinha mais de cinquenta cabeças, entre ovelhas, cabras e vacas. Além disso também amanhava terras", recorda Artur dos Santos Carril. Muito novo começou a ganhar o gosto pela música - "era bom de ouvido e aprendi sozinho a correr atrás do gado pelas serra!" Na juventude formou um grupo, em Vale Maior, "três violas, dois bandolins, uma flauta e um violino", que percorria as aldeias em redor - "eram bailaricos à luz da candeia e às vezes, nas disputas pelas raparigas, apagavam-se as candeias e a coisa ficava feia..." A emigração, que levou grande parte da sua geração para as terras longínquas do Brasil, também lhe bateu à porta - "tinha vinte e cinc…

Piscinas voltam a ter restaurante e bar

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A longa espera está a chegar ao fim! Mais de dois anos após o encerramento, o restaurante e bar das piscinas municipais está prestes a reabrir. Depois de dois concursos e profundas obras de remodelação, o espaço está pronto e promete renovar a tão necessitada oferta de restauração em Penacova. A câmara fez as obras, adquiriu o equipamento, incluindo máquinas, cozinha e mobiliário, e entregou, chave na mão, ao novo concessionário. Da hasta pública do início de maio saiu vencedor Filipe Gaudêncio. O empreendedor confessou à Livraria do Mondego que "era um sonho antigo poder vir a ter, um dia, um restaurante. A minha família teve, durante muitos anos, um café em Lorvão, portanto esta área não me é totalmente desconhecida." A contar os dias para a abertura, Filipe Gaudêncio acredita que este novo projeto tem tudo para dar certo - "a localização é boa, perto do centro da vila, e beneficia do movimento das piscinas que já é substancial. Além disso, julgo que vem preencher um…

Replicar em Lorvão o projeto turístico de Alcobaça?

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Decidi voltar a escrever sobre o assunto, depois de ter visto a notícia da recuperação de uma das alas do mosteiro de Alcobaça. Num projeto de quinze milhões de euros e com a assinatura do arquiteto Souto Moura, o grupo Visabeira vai recuperar uma parte do mosteiro e transformá-la num hotel de charme. O claustro do Rachadouro estava inativo há quinze anos, desde que ali deixou de funcionar um asilo. A Direção-Geral do Património Cultural cede a ala do edifício, por um período de cinquenta anos, através do pagamento de uma renda anual de cinco mil euros. O grupo empresarial, por seu lado, vai ali construir uma unidade hoteleira de cinco estrelas, com oitenta e um quartos e nove suites, spa, ginásio e espaços multiusos para a realização de congressos e outros eventos. O autarca de Alcobaça acredita que o hotel, que deve estar concluído em 2019, vai ser um pólo gerador de riqueza e emprego para o município. A propósito deste projeto, o jornal Diário de Notícias entrevistou a diretora-ge…

Município institui prémio de pintura Martins da Costa

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Começaram a ser dados passos firmes no sentido de homenagear e resgatar a memória, vida e, principalmente, grande obra de João Martins da Costa. Considero que fui um privilegiado, porque fui seu aluno e amigo. Quando me sentava nas aulas de Desenho, no pavilhão pré-fabricado da palmeira, confesso que não tinha a noção concreta do seu valor artístico. Descobri isso mais tarde, de uma forma mais intensa, nos dez anos de colaboração estreita no Jornal de Penacova. Li e reli, as crónicas manuscritas, que todos os meses me entregava para publicar e isso fez-me despertar para a sua obra. Durante anos guardei, religiosamente, esses manuscritos e percebi que tinha em mãos um conjunto de textos que, saídos do punho do pintor, eram um retrato fiel da sua vida, obra e dos anos de vivência em Penacova. Há cerca de dois anos, contactei a família e propus transformar aquele conjunto de textos num livro. A ideia foi prontamente acolhida também pelo município, e em particular pela vereadora da cultu…