José (uma) Fonte inesgotável de pintura

José Fonte pinta há mais de vinte e cinco anos
Conheço o José Fonte desde os tempos do liceu. Fomos colegas de turma, julgo que no 9º ano, quando as salas de aula estavam repartidas por vários espaços de Penacova. Quem é daquela época lembra-se, certamente, dos pré-fabricados, junto à palmeira, no Terreiro; dos intervalos passados na Pérgola e no “Palácio de Cristal”, um abrigo improvisado nas traseiras do edifício; dos feriados no “Ténis” a jogar à bola e das escapadinhas até ao Mirante para namoriscar. Pois, nesses idos anos oitenta, o Zé da Fonte, para além de um talento inato para o futebol, também se destacava na disciplina de Educação Visual. O seu traço firme e criativo chamava a atenção do Prof. Martins da Costa que, não tenho dúvida nenhuma, o influenciou no caminho das artes.
O Zé da Fonte tinha e tem, essa capacidade rara, de ser bom com os pés (foi um excelente avançado no Mocidade FC) e, ao mesmo tempo, com as mãos, característica que começou a saltar à vista nas disciplinas de Trabalhos Manuais e Educação Visual. Este dom de transformar pedaços de madeira ou tela em objetos de arte começou a desenvolver-se, mais tarde, já na década de noventa. Numa entrevista recente à, também recente, revista “Pi8ito”, José Fonte admite que despertou para as artes depois de uma passagem pela Suíça – “Reencontrei o meu eu. Foi como algo adormecido, mas não esquecido, me despertasse.” 
Quadro da coleção "In the box"
As visitas cada vez mais frequentes a museus, exposições e mostras de arte apontaram-lhe o caminho e, a partir daí, não mais parou. Enveredou pelo ensino das artes e começou a mostrar ao público os primeiros trabalhos. A critica especializada recebeu as suas criações como algo novo e refrescante! Os prémios que se seguiram motivaram-no para continuar. A sua carreira resultou tão bem que mais de duas décadas e meia depois, o José da Fonte continua a pintar e a criar, e cada vez melhor! A recente exposição “José Fonte 25+1”, no Museu Municipal de Coimbra é uma prova inequívoca disso. 
Em 2013, a propósito da mostra “Not in my house”, o insuspeito e muito respeitado Tello de Morais, conhecido colecionador de arte, escreveu sobre ele as seguintes palavras – “Para indagar o íntimo e toda a capacidade imaginativa deste incansável artista que novamente quer surpreender o observador, ter-se-ia de recorrer à fenomenologia de Husserl. A ideia de objeto que se forma na consciência de José Fonte, ou aos juízos sintéticos de Kant: a acrescentar qualquer coisa, portanto enriquecem o nosso saber sobre o mundo.” 
Irreverente, experimentalista, imaginativo, este artista penacovense consolida, a cada ano que passa, uma carreira que já não passa despercebida a ninguém. Apesar do seu ar pacato e um pouco introspetivo, o Zé da Fonte, é um homem de fibra, determinado, que não verga à primeira contrariedade e prossegue o seu caminho! Como o próprio diz – “Importante é acreditar no nosso valor e não desistir!” Parabéns Zé e que venham mais vinte e cinco!

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