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| Um percurso de oito quilómetros junto ao rio |
É certo e sabido que o potencial turístico de Penacova continua, infelizmente, por explorar. Nos últimos anos, apesar do discurso oficial ser o de que o "o turismo é uma aposta estratégica", ainda não vimos essa vontade traduzida em atos, em projetos realmente diferenciadores, inteligentes, que desenvolvam a economia local, criem novos empregos e atraiam turistas. Para um penacovense de gema, como eu, enche-me de tristeza passar os olhos pelo "Tripadvisor", um dos grandes sítios da internet dedicado ao turismo, e ler frases como...
"Penacova itself had quite an abandoned atmosphere, but such a beautiful view from up in the hills (...)". No fundo, este viajante, inglês no caso, elogia a beleza da paisagem mas lamenta o ar de abandono da vila. É apenas uma opinião mas que vem ao encontro do pensamento de muitos. Penacova tem tudo para dar certo, mas continua a ser um diamante por lapidar e, enquanto, por cá, o poder autárquico não faz o que lhe compete, outros lugares, deste país, tiram partido dos seus recursos e desenvolvem os seus territórios. É o caso de Arouca, no extremo nordeste do distrito de Aveiro, que o ano passado inaugurou os Passadiços do Paiva, um projeto no valor de 1,8 milhões de euros, financiado em 85% através do programa PROVERE - Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos. Suspenso acima do rio por uma estrutura em madeira fixa à encosta rochosa, o percurso pedonal, na extensão de oito quilómetros, proporciona ao público um passeio pelas margens selvagens do rio Paiva, por entre bosques, escarpas, cascatas, águas bravas, fragmentos de quartzo com milhões de anos e praias fluviais.
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| Passadiços reabrem depois do incêndio de Setembro |
Os Passadiços foram uma das grandes atrações do verão passado. Em dois meses e meio passaram por lá mais de duzentas mil pessoas! Segundo estimativas da câmara de Arouca, em alguns dias, o número de visitantes ultrapassou os oito mil. O impacto na economia local foi imediato. Os restaurantes encheram, as lojas de artesanato e comércio local aumentaram as vendas, os produtores de doçaria local e conventual duplicaram a produção, a taxa de ocupação do alojamento subiu e até os táxis tiveram um aumento desmesurado de clientes! Quando visitei os Passadiços, em julho, fiz o que muitos repetiram. Cheguei ao fim do percurso de oito quilómetros e regressei ao ponto de partida de táxi! Os motoristas locais perceberam a mais-valia e passaram a estacionar junto aos extremos dos Passadiços, nas praias fluviais de Areinho e Espiunca.
Em setembro, um incêndio que acabaria por destruir seiscentos metros de percurso, encerrou os Passadiços durante meses. Reabrem este fim de semana, com entradas a um euro, limitadas a três mil e quinhentas pessoas/dia. É uma experiência que vale muito a pena!
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