"Conexões" que nos ligam a Penacova
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| Capa do livro "Conexões" |
O Luís Pais Amante deixou Penacova em 1973, tinha eu cinco anos. Só por isso, não fomos amigos de infância. As nossas famílias viveram durante vários anos debaixo do mesmo teto, ali junto ao Cruzeiro, no fundo da vila.
Conheci muito bem os seus pais, o senhor Manuel e da D. Zélia e os irmãos, em especial a Rosa, com quem, eu e a minha irmã Dora, passámos tempos muito felizes. Foi tão boa essa meninice, entre mil brincadeiras, ora no Cruzeiro, ora no Mirante.
O Luís partiu para Lisboa e lá fez a sua vida. Uma vida profissional e pessoal de sucesso, diga-se. Mas apesar de não ter sido seu amigo de infância, há muitas conexões que nos ligam. Os anos passados longe da terra, o amor infinito a Penacova e a preocupação constante com os seus problemas, as amizades que não queremos deixar para trás...
Depois de ler o livro que ele acabou de lançar, confirmei que não estava enganado e essas conexões, esses laços não eram fruto da minha imaginação.
Como o próprio já me confidenciou, surpreendeu muita gente com os poemas que estavam engavetados lá por casa.
O livro "Conexões" não é uma obra só sobre Penacova. É a sua visão do mundo, as inquietações, os pensamentos e as vivências, "a partir dos locais onde passei o meu tempo e independentemente dos continentes onde eles se localizaram", escreve o autor.
Maria José Vera, autora do prefácio, descreve, num parágrafo, a essência do livro - "o progresso da infância para a maturidade; das paisagens constituidoras do seu self; de Penacova, o seu presépio, aos horizontes mais largos do seu e de outros países. Se assim o entendermos, parte da mãe para a família; da família para a comunidade; da comunidade para a sociedade do homem político com um papel interventor no seu tempo. As conexões, conceito com que intitula este livro são, em nosso entender, estas, as que ligam o autor entre os espaços do passado e os do seu presente, futuro."
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| A casa onde o autor nasceu e onde eu vivi parte da infância |
Apesar dos poemas viajarem por lugares tão distantes como Maputo ou Havana, Penacova ocupa um lugar especial e as palavras que o Luís lhe dedica deixaram-me rendido porque me identifico muito com esse sentir, com os laços fortes, diria mesmo telúricos, que nos ligam à terra. Não sei, mas quem passou pela experiência de viver longe do seu cantinho, compreenderá melhor o que quero dizer.
Recorro, mais uma vez, às palavras de Maria José Vera, para reforçar esta ideia - "a atmosfera emocional que envolve o leitor é a de uma fragrância de autenticidade que se exala do âmago do autor. Adivinham-se, nestes poemas, as paisagens, os aromas, as tradições e as épocas de um Portugal interior, de uma época não muito recuada, mas tão distante da compreensão e do conhecimento da vida atual. Refiro-me a Penacova, terra onde nasceu, no distrito de Coimbra: é preciso conhecê-la e respirá-la através da mão do poeta. Do poema "Penacova":
Sobrevoa o Cruzeiro, casa e paraíso da nossa meninice
Passa pela Costa do Frio, hoje sem nevoeiro
Fixa a Costa do Sol da meiguice
E abraça o nosso sempre belo Terreiro (...)
Este é um excerto de um dos sessenta e dois poemas, um por cada ano de idade, do livro "Conexões", lançado no último fim de semana, em Penacova, rodeado de amigos e muitos penacovenses. Parabéns Luís e que venha mais poesia!


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