Saneamento na Carvoeira continua por acabar

Estrada nacional que atravessa a Carvoeira
Tal como na Rebordosa, também a Carvoeira, na margem esquerda do Mondego, espera há longos anos pelo fim das obras do saneamento básico. As valas foram abertas, foram novamente fechadas, algumas ruas pavimentadas, mas a obra ficou a meio caminho "em face da manifesta incapacidade de meios do empreiteiro, para continuar a obra em horizonte temporal aceitável". Pelo menos, é o que consta da resolução ou extinção do contrato entre o município e a empresa Civifran, de agosto de 2015.
Para se ter uma ideia do tempo desperdiçado, basta dizer que o projeto e adjudicação do saneamento básico para a Carvoeira datam de 2009, portanto, há quase sete anos, tempo que, pelos vistos, não foi suficiente para solucionar o problema.
"O que se passa com a obra de saneamento da Carvoeira? Se esta Carvoeira fosse na freguesia de Mafra, eu até acreditava que a obra fosse eterna, mas é em Penacova e parece-me que não é necessário tanto tempo?" As palavras são de Vasco Viseu, presidente da junta de freguesia de Penacova, dirigidas ao presidente do município durante uma assembleia municipal, em fevereiro de 2015. Na altura, Humberto Oliveira justificou o atraso com os problemas tidos com o empreiteiro - "o executivo deliberou no sentido de denunciar o contrato, aquela empreitada termina por aqui. Estamos a elaborar um novo projeto, porque, como sabe, aquela obra já estava adjudicada em 2009, já tem alguns anos e é necessário melhorá-lo. Algumas intervenções que foram efetuadas poderiam ter ficado melhor se tivéssemos outro projeto, mas são as contingências (...)".
Numa leitura atenta às atas das assembleias municipais, depreende-se que o assunto tem sido recorrente. Em dezembro, do ano passado, o deputado socialista Pedro Alpoim, natural da Carvoeira, voltou a interpelar o presidente da autarquia sobre o tema. A resposta não foi muito diferente - "esta interrupção (das obras) resultou de problemas com o empreiteiro, por várias razões, que levou à resolução do contrato. Os problemas foram diversos, nomeadamente o facto de esta obra em 2009 já estar adjudicada, com um projeto antigo. No decorrer da obra verificámos que havia necessidade de fazer algumas alterações ao projeto, porém os preços não poderiam ser diferentes dos preços do contrato. O empreiteiro como tinha preços muito baixos, não fazia e tinha legitimidade para isso, porque o projeto a que concorreu não era aquele. Por isso, o pouco que fizemos na Carvoeira fizemos mal. Como agora queremos fazer bem, está a ser executado um novo projeto por uma empresa acreditada", concluiu Humberto Oliveira.
Certo é que passaram sete anos, desde o lançamento da obra, e o saneamento básico da Carvoeira continua por concluir. Por mais plausíveis que sejam as razões, nomeadamente a incapacidade do empreiteiro, não é aceitável que uma obra desta natureza, a drenagem e tratamento de esgotos, demore tantos anos a ser terminada.

    

Comentários

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

A nova vida do restaurante Panorâmico

Casa Aurora quer trazer turistas para Friúmes

Peru dá prémio à Padaria do Largo