Um museu do moinho que dignifica a arte dos moleiros

Peças expostas no Museu do Moinho
O dia 15 de Junho de 1980 foi marcante para Penacova. Na Portela de Oliveira, familiares do poeta e escritor Vitorino Nemésio doaram um dos seus moinhos de vento ao município. Grandes vultos da cultura nacional como David Mourão Ferreira e Natália Correia estiveram presentes para homenagear "o moleiro das palavras". Nemésio tinha uma paixão assumida por Penacova e as referências a esta terra estão presentes em obras como "Viagens ao pé da porta", "Gustavo no Buçaco" ou ainda "O cavalo e a serra". O poeta açoriano, que se destacou como romancista e intelectual, chegou a possuir três moinhos de vento e ainda uma mata na freguesia de Sazes de Lorvão.
No início dos anos 80, Leitão Couto era presidente da câmara. Não tenho qualquer dúvida em afirmar que, ao longo das últimas décadas, foi a figura que mais fez pela preservação dos moinhos. Foi incansável na recolha, restauro e conservação de peças ligadas à atividade dos moleiros e foi ele que deu o primeiro passo para a criação do Museu do Moinho, na Portela de Oliveira. Também são de sua autoria algumas brochuras ligadas à temática da molinologia: "A rota dos moinhos e os espaços de lazer nos rios" (2000), "Contributo para um glossário português de molinologia" (2001), "Museu do Moinho Vitorino Nemésio" (2001), entre outras publicações.
Trinta e seis anos depois da doação do moinho de Nemésio, o município de Penacova deu novo impulso a este património único que são os vários núcleos de moinhos de vento, renovando o Museu do Moinho, na serra da Portela de Oliveira.
           Homenagem a Nemésio em 1980/Foto CMP                    
Como sublinha um dos textos contido no interior do espaço, "o concelho de Penacova é um território predestinado aos moinhos de vento e azenhas. A localização geográfica e a altitude oferecem singularidades para que detenha um dos maiores conjuntos molinológicos do país". E , de facto, assim é: Portela de Oliveira, Gavinhos, Atalhada, Aveleira, Roxo e as azenhas no rio Alva e em pequenos cursos de água, espalhados um pouco por todo o concelho, são construções que importa preservar.
O renovado Museu do Moinho, ali a dois passos do moinho doado pelos familiares de Nemésio, é a porta de entrada, o centro de interpretação, para este pequeno mundo que não se reduz apenas aos sistemas de moagem e às complexas engrenagens de madeira. É uma marca do nosso território que, ao longo dos anos, foi sendo trabalhada por moleiros, carpinteiros, pedreiros, enfim por por toda uma riquíssima atividade humana.
Os conteúdos estão expostos de uma forma simples, eficaz e não faltam referências a Vitorino Nemésio. A apresentação é cuidada e as peças acompanhadas por legendas de fácil leitura. Não é um museu "state of the art", mas serve perfeitamente os seus objetivos. 
Se tem curiosidade em saber o que é uma entrosga, um selote, um arrocho ou um carretão, então vá até à Portela de Oliveira e fique a saber um pouco mais deste rico património que é de todos nós.   

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