Juntas de freguesia não utilizam herbicida glifosato

Parque Verde, em Penacova
O glifosato é um herbicida inventado nos anos setenta por uma multinacional americana. Hoje em dia, só em Portugal, mais de vinte marcas comercializam este produto, sendo "Roundup", a mais conhecida. É um herbicida total, não seletivo, o que quer dizer que mata qualquer tipo de planta.
Recentemente a RTP difundiu uma reportagem que chama a atenção para o teor potencialmente cancerígeno do glifosato. O programa "Linha da Frente" divulgou um estudo realizado a duas dezenas de voluntários portugueses. Os resultados das análises demonstraram a existência de glifosato, numa escala de valores muito superior, por exemplo, aos cidadãos suíços ou alemães. O glifosato pode entrar no corpo humano através da ingestão de água e alimentos ou através da inalação.
Em 2014 foram vendidas em Portugal mil e seiscentas toneladas deste produto. O Bloco de Esquerda inquiriu as autarquias do país sobre a utilização deste herbicida. Das 107 que responderam, 89 adiantaram utilizar pesticidas à base de glifosato. O produto é frequentemente utilizado para eliminar ervas daninhas em locais públicos (bermas de estradas, passeios) mas também para preparar terrenos de cultivo. 
Contactadas pela Livraria Mondego, as juntas de freguesia das três vilas do município, afirmaram que não utilizam este herbicida nas operações de limpeza. "Optámos por não utilizar herbicidas, só em situações muito excecionais. Preferimos o corte mecânico", afirmou Rui Batista, presidente da junta de freguesia de Lorvão - "além do mais, na nossa freguesia existem várias nascentes de água e temos o dever de as proteger evitando qualquer contaminação. Por outro lado, na zona da serra, ainda há rebanhos. Temos esse cuidado." Em Penacova, onde são visíveis aplicações recentes de herbicida, nomeadamente no Parque Verde, o autarca Vasco Viseu afirmou à LM que os produtos utilizados nas operações de limpeza não contêm glifosato. "Foi usado um herbicida certificado para estas aplicações. Normalmente preferimos o corte mecânico das ervas daninhas, mas como tivemos um crescimento atípico da vegetação, por causa do inverno chuvoso, decidimos aplicar o produto." Em São Pedro de Alva, a prática mais corrente é o corte mas, ocasionalmente, são aplicados herbicidas que, no entanto, nada têm a ver com o glifosato, como explicou o autarca Vítor Cordeiro - "quando temos de o fazer, utilizamos produtos fitofarmacêuticos homologados, biodegradáveis e de baixa perigosidade para pessoas e animais. Ainda assim, como medida de precaução, avisamos a população com antecedência." 
A Comissão Europeia vai discutir, ainda esta mês, se renova a licença de uso do glifosato. A Organização Mundial de Saúde, através da Agência Internacional de Investigação para o Cancro, estudou durante um ano esta substância. Dezassete investigadores tomaram uma decisão unânime: classificar o glifosato como potencialmente cancerígeno.

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