O que fazer com as instalações do psiquiátrico de Lorvão?

Hospital psiquiátrico encerrou em 2012
Passaram quatro anos desde o encerramento do hospital psiquiátrico de Lorvão. Em 2012, depois de mais de meio século de funcionamento, o HPL destinado a doentes mentais de evolução prolongada fechou portas. Os oitenta doentes que ali se encontravam foram transferidos para outras instituições. O encerramento do HPL teve um impacto negativo na economia local e, em geral, na vida da comunidade lorvanense que durante dezenas de anos se habituou a conviver, porta com porta, com utentes e funcionários.
Fechou-se um ciclo e, passados quatro anos, ainda não há solução para aquele espaço. "Temos feito várias reuniões com a Direção Geral de Património e outras instituições ligadas ao imóvel mas ainda não obtivemos uma resposta. Avançámos com propostas para a cedência do espaço, por um determinado período de tempo, mas continuamos a aguardar", afirmou à Livraria Mondego, Rui Batista, presidente da junta de freguesia de Lorvão. A única abertura que tem surgido tem sido, adiantou o autarca, para utilizações pontuais do edifício ou partes dele. Quanto ao futuro, Rui Batista entende que o destino a dar deve ser encontrado no campo das artes - "julgo que é a melhor solução, tendo em conta o património histórico e cultural existente. O edifício tem todas as condições para que seja criado ali um centro de formação e criação que abranja a arte nas suas mais variadas formas. Existem muitas ideias, desde o co-working às novas experiências performativas, incluindo a possibilidade de alojamento. As possibilidades são múltiplas." O autarca entende que entidades como a junta de freguesia, câmara de Penacova e filarmónica de Lorvão, entre outras, devem empenhar-se em encontrar uma solução.
E o que pensam os antigos autarcas de Lorvão que conviveram, durante os seus mandatos, com a realidade do HPL? António Veiga Lopes, que geriu a autarquia no período 1993-1997 não tem dúvidas em apontar o turismo como a área que melhor se ajustaria ao imóvel - "uma grande pousada, por exemplo, seria uma solução. Seria importante aproveitar o património existente, de grande valor, para um projeto desse género. Seria uma mais-valia para Lorvão, para o município e para a região. Um projeto que realçasse o património existente - o mosteiro, o órgão, o novo museu -  mas que fosse ao encontro das exigências do turista atual que quer experimentar coisas novas."
Edifício pertence ao conjunto arquitetónico do mosteiro
O autarca que lhe sucedeu, Óscar Simões (1997-2005) tem opinião diferente - "julgo que a área da saúde seria a melhor solução para aquele espaço. Como existem carências a esse nível, optaria por criar ali uma unidade de cuidados continuados e paliativos. Seria interessante que uma instituição dessa área se interessasse por isso. Não podemos estar à espera que seja o estado a avançar. É um edifício que pode acolher várias valências, por isso, merece um bom projeto."
Presidente de junta entre 2005 e 2013, Mauro Carpinteiro disse à LM que a solução para as instalações do antigo hospital psiquiátrico tem que partir da comunidade e dadas as dimensões do imóvel defende uma solução multifuncional - "a minha proposta que, aliás apresentei num colóquio em Lorvão em 2012, passa pela criação de uma cooperativa de desenvolvimento que se dedique à gestão do espaço. Esta cooperativa poderá fazer uma protocolo com o estado para a concessão das instalações e depois avançar com candidaturas a fundos europeus para a realização de projetos. Uma unidade de alojamento turístico, ligada à temática do mosteiro, uma escola de formação, reparação e construção de organaria, com a realização de eventos sazonais ligados à música e um centro dedicado à nossa doçaria conventual e artesanato, seriam, quanto a mim, boas soluções."

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