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A mostrar mensagens de Agosto, 2016

Porque razão não partem as canoas do Reconquinho?

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Em 1988, os belgas Dirk e Kristen foram os pioneiros das descidas de canoa no Mondego. O Pioneiro do Mondego tornou-se assim numa das primeiras empresas de desporto-aventura do país a explorar um filão que, quase três décadas depois, continua a ser um dos grandes cartazes turísticos da região. As descidas de canoa começavam na praia do Reconquinho e era um regalo para olhos, ver no areal da praia, as canoas amarelas alinhadas em fila, dando um toque ainda mais colorido à paisagem. O local de partida da viagem alterou-se, anos mais tarde, com a construção do açude da Carvoeira. A estrutura, criada para aumentar o espelho de água na praia e diminuir a força das correntes, acabou por funcionar como um obstáculo para as canoas. O Pioneiro do Mondego deixou o Reconquinho e começou a viagem rio abaixo a jusante do açude.  Em finais da década de noventa, a recém-criada Sport Margens, de empreendedores penacovenses, iniciou a atividade com descidas a começar no Reconquinho, mas rapidamente o…

O guardião do órgão de tubos do mosteiro de Lorvão

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O órgão de tubos do mosteiro de Lorvão recuperado em finais de 2013 tem um executante, quase permanente, que cuida e mantém ativo o belo instrumento construído em finais do século XVIII por António Xavier Machado Cerveira. Conhecido pelas duas faces, uma virada para o coro e cadeiral e outra para a igreja, o que o torna um caso raro na Europa, o imponente instrumento, com cerca de quatro mil tubos, apaixonou um lorvanense que, regularmente, o põe a tocar nas eucaristias, casamentos e outras celebrações. Vitor Nogueira, com 54 anos de idade, tem um relação muito próxima com a música desde pequeno - "o meu percurso na música começou aos nove anos, quando ingressei na filarmónica de Lorvão. Comecei pela requinta, um instrumento de sopro, depois passei para o clarinete e, mais tarde, o saxofone já na fase das mini-bandas." E foi também na infância que teve o primeiro contacto com um teclado - "aconteceu por volta dos meus onze, doze anos, no salão paroquial, em Penacova. Fo…

O Mirante na poesia de Luís Amante

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O Mirante é, de facto, um lugar único e quem cresceu por ali sente isso de uma forma muito particular. É o caso do Luís Amante que, há poucos meses, revelou a sua faceta poética ao lançar o livro "Conexões". O poema que me enviou, há poucos dias, não está no livro, estará quem sabe no próximo, e é um retrato muito próprio desse lugar com uma beleza "estonteante".

O Mirante

É para o mirante
Que corre o amante
Quando está apaixonado
Enamorado
Ou quando está frio e se lhe levanta o brio
É para aí que vai a sua dama
Quando está farta de estar em casa
De pijama
E quer ar, ou luz ou luar
No mirante
Ao sol
O sardão fica mole
E salta do paredão
As vistas deslumbrantes espraiam-se, brutais
A cento e oitenta graus ou mais
E o caminho descendente pra Ponte resiste
Ao sucessivo declive dos degraus
Parece estarmos todos no cimo do mundo
Se o mundo tivesse fundo
Ou dentro da fotografia
Se não entrássemos em paralisia
As colunas do miradouro estão esgotadas
Com inscrições de namoro
Ou com registos de fam…

Olhar para o Mirante com olhos de ver

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Nasci nas proximidades do Mirante. Brinquei muito por ali, na "Avenida das Tílias". É, por isso, um lugar que me transporta para os tempos da infância, quando as férias eram mesmo grandes e o "fundo da vila" era o meu pequeno mundo. Por isso, hoje e sempre, o Mirante faz parte dos meus afetos e é, sem dúvida, um dos meus locais de eleição. O Mirante não tem inverno, nem verão, é bonito todo o ano. E no outono? Deslumbrante.  No início do século passado, Manuel Emídio da Silva, um engenheiro e cronista do jornal "Diário de Notícias" enamorou-se de tal forma por aquela paisagem que, por sua iniciativa, ali surgiu o miradouro. Apesar de ser um spot turístico de Penacova, o Mirante passa quase despercebido aos poucos visitantes que por cá passam. O recente lançamento do livro dedicado a Martins da Costa foi uma exceção. Era um dos locais preferidos do pintor, para os passeios de fim de tarde, quase sempre com a companhia do seu cão. O Mirante não foi esqueci…