O guardião do órgão de tubos do mosteiro de Lorvão

Vitor Nogueira e o órgão de tubos de Lorvão
O órgão de tubos do mosteiro de Lorvão recuperado em finais de 2013 tem um executante, quase permanente, que cuida e mantém ativo o belo instrumento construído em finais do século XVIII por António Xavier Machado Cerveira. Conhecido pelas duas faces, uma virada para o coro e cadeiral e outra para a igreja, o que o torna um caso raro na Europa, o imponente instrumento, com cerca de quatro mil tubos, apaixonou um lorvanense que, regularmente, o põe a tocar nas eucaristias, casamentos e outras celebrações.
Vitor Nogueira, com 54 anos de idade, tem um relação muito próxima com a música desde pequeno - "o meu percurso na música começou aos nove anos, quando ingressei na filarmónica de Lorvão. Comecei pela requinta, um instrumento de sopro, depois passei para o clarinete e, mais tarde, o saxofone já na fase das mini-bandas."
E foi também na infância que teve o primeiro contacto com um teclado - "aconteceu por volta dos meus onze, doze anos, no salão paroquial, em Penacova. Foi com o padre Ulisses que aprendi as primeiras noções do instrumento. Muito mais tarde, comecei a colaborar com o grupo coral da igreja, aqui em Lorvão, e a partir daí, surgiu um interesse crescente nos teclados."
O órgão foi restaurado em 2013
Vitor Nogueira é dono de uma loja de móveis e eletrodomésticos e, quando é solicitado, toca saxofone e clarinete na mini-banda e na filarmónica de Lorvão. Na pasta que transporta regularmente, cheia de partituras, os temas para executar no órgão de tubos do mosteiro ocupam lugar de destaque - "um dia o padre Pedro Miranda, o vigário-geral, incentivou-me a experimentar órgão de tubos e eu comecei a dedicar-me. A partir daí nunca mais parei. Julgo que a primeira peça foi  "Canon in D" com a filarmónica Boa Vontade Lorvanense, num concerto de Natal."  
É com entusiasmo redobrado que fala sobre o órgão, os seus componentes, desde os foles ao complexo mecanismo que faz com que a cada tecla corresponda um som.  "Foi, para mim e para os lorvanenses, uma grande alegria ver o órgão recuperado. Eu fiz parte de um executivo da junta de freguesia e fui das pessoas que me empenhei. Foi uma luta muito grande. É pena que, hoje em dia, este tesouro não seja mais bem divulgado, tal como o mosteiro. Falou-se no início que iria surgiu uma programação de concertos, mas não tem sido tão regular como deveria ser."
Enquanto essa programação regular não surge, Vitor Nogueira vai mantendo o órgão de tubos em funcionamento, cuidando do seu estado geral. Quando o questiono, para quando um recital seu, responde com um lacónico - "Nunca pensei nisso!" 
Mas penso nisso Vitor, porque, pelo que faz em defesa desse grande tesouro do mosteiro, é merecedor do nosso aplauso!






 

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