O Mirante na poesia de Luís Amante

Mirante, um lugar único em Penacova
O Mirante é, de facto, um lugar único e quem cresceu por ali sente isso de uma forma muito particular. É o caso do Luís Amante que, há poucos meses, revelou a sua faceta poética ao lançar o livro "Conexões". O poema que me enviou, há poucos dias, não está no livro, estará quem sabe no próximo, e é um retrato muito próprio desse lugar com uma beleza "estonteante".


O Mirante

É para o mirante
Que corre o amante
Quando está apaixonado
Enamorado
Ou quando está frio e se lhe levanta o brio
É para aí que vai a sua dama
Quando está farta de estar em casa
De pijama
E quer ar, ou luz ou luar
No mirante
Ao sol
O sardão fica mole
E salta do paredão
As vistas deslumbrantes espraiam-se, brutais
A cento e oitenta graus ou mais
E o caminho descendente pra Ponte resiste
Ao sucessivo declive dos degraus
Parece estarmos todos no cimo do mundo
Se o mundo tivesse fundo
Ou dentro da fotografia
Se não entrássemos em paralisia
As colunas do miradouro estão esgotadas
Com inscrições de namoro
Ou com registos de fama
De quem por aqui passou, sem ficar na cama
Em frente a Ferradosa vaidosa
Ao lado esquerdo a Livraria do Mondego
Toda ela cheia de segredo
Em baixo o Bico da Lapa
Ao lado direito o Ingoeiro
E por cima disso tudo, como se fosse guardiã
Está a serrania vistosa
Que vai da Atalhada à Lousã
E cavando o vale
Com cores e tons de prata
Corre o Rio Mondego
No seu desassossego
Transportando sonhos de quem não quer ser pirata
Os milheirais ancestrais das insuas dão frescura à pintura
E sustento ao Povo
O amarelejar das mimosas frondosas
Trazem cheiro ao lugar
E bafejo secular
Por de trás fica a memória do Castelo de Penacova
Lembrando o tempo do foral
E as azeitonas que enfeitavam o olival
O Mirante
E sítio de recordação
Quadro paisagístico natural
De simbioses múltiplas culturais
Ou mesmo esconderijo de solidão
E emblema
Da passagem do sal com gema
Transportado noutros tempos
Pelas Barcas Serranas
Que subiam, subiam de tormento em tormento
Varadas pelos hematomas
Do peito dos barqueiros
Homens bons da nossa terra
Trigueiros
Que o traziam da Figueira
Pr’os portos fluviais da serra
E os bons observadores desses tempos
Se queriam ver tudo para chamar os compradores
Escolhiam este sítio
Estonteante
Para terem visão hilariante
E correrem pela Vila apregoando o momento

Luís Pais Amante

P.S: Abraço forte Luís e muito obrigado

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