Conceição a eterna menina dos recados

A D. Conceição e o seu sorriso inconfundível
Quem a conhece julga que estamos perante alguém que é penacovense desde o berço, mas não é verdade! Esta figura incontornável da vila, de uma simpatia e energia inesgotáveis, nasceu bem longe daqui, em Porto da Paiã, no concelho de Odivelas em 1932.
O seu companheiro, soldado da GNR, veio um dia parar a Viseu e depois a Penacova e...Maria da Conceição Antunes, de seu nome, ficou por aqui...até hoje!
Não há ninguém em Penacova que não conheça a D. Conceição! A expressão, "as mulheres não se medem aos palmos" nunca veio tão a propósito quando pensamos nela. Sempre com um sorriso, boa conversadora, preocupada com o próximo e de uma disposição para tudo, incluindo o trabalho. Conheço a D. Conceição desde miúdo, do tempo em que morava no fundo da vila. Vivia na grande casa azul, onde morou longos anos e só deixou porque o senhorio a deixou degradar. Trabalhou muito para ajudar a criar os três filhos: António, Augusta e Conceição. O marido, António Matos, que serviu a GNR, partiu cedo e ela, incansável, continuou a sua missão.
"Trabalhei muito ao dia fora, nas limpezas e em várias casas e sítios aqui de Penacova: na casa do Dr. Araújo, na D. Otília dos CTT, na companhia Elétrica das Beiras. Nos dias de feira, quando ela era cá em baixo na vila, ajudava a Celeste, na venda, a fazer bifanas! Eram dias de grande movimento!", conta-me ela na morada atual, um segundo andar, arrendado, na rua Conselheiro Fernando Melo, bem no coração da vila.  
A D. Conceição não é mulher para se queixar, mas confessa-me durante a conversa, que já lhe custa um bocadinho subir os vários lanços de escadas para entrar em casa. Tenho que concordar com ela, pois até eu me cansei! Quando lhe digo que se tornou mais conhecida em Penacova pelos inúmeros recados que fez, acena com a cabeça e sorri! "Sim, é verdade! Ainda hoje faço alguns à Iva e às filhas, da loja da fruta. Já não entrego as encomendas mas ainda lhes faço alguns recados." A tarefa que mais a marcou foi, sem dúvida, a entrega de jornais. "Desde o tempo do Albertinho Malva. Ele tinha vários clientes certos e, todos os dias, eu ia buscar os jornais, que desciam da janela pelo cestinho e depois eu ia entregar a várias casas, cafés e repartições. Quando, mais tarde, apareceu o quiosque, junto à palmeira, continuei a entregar jornais. Lá andava eu, rua acima, rua abaixo, com os jornais debaixo do braço. Julgo que ganhava vinte euros por mês."
Nos dias de hoje, já vai menos à rua, mas continua a dar as suas voltinhas e a fazer os tais pequenos recados à loja da fruta. Para mim, a D. Conceição é, de uma forma ternurenta, claro, a eterna menina dos recados!

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