Os passadiços chegaram à Livraria do Mondego

Passadiços em frente à Livraria
A palavra passadiço nunca andou tanto de boca em boca como agora! Não é que não existisse, ou tivesse sido banida do dicionário, ou trocada por outra no recente acordo ortográfico. A palavra passadiço existe há muito, muito tempo e significa, segundo os dicionários, uma passagem para peões construída sobre um curso de água, uma estrada ou uma depressão no terreno. Andamos em cima de passadiços, na praia, nas dunas, nas ravinas, nos sapais, nos parques, nos lagos e nunca, mas nunca, falámos tanto deles como nos últimos tempos. Mas afinal, a que se deve esta nova vida, este boom, esta torrente que não deixou ninguém indiferente? A resposta está em Arouca e nos passadiços de madeira criados ao longo de um troço selvagem do rio Paiva. Escrevi sobre eles há alguns meses, depois de uma visita que me deixou completamente rendido! Disse que era, em meu entender, um projeto diferenciador, com impacto comprovado na economia local e era desse tipo de projetos que Penacova necessitava para sair deste estado de adormecimento e passar a figurar no mapa dos destinos turísticos. Recentemente, os passadiços do Paiva ganharam um World Travel Award, um prémio equivalente, digamos assim, aos óscares do cinema. Foi considerado o projeto mais inovador da Europa!
Local das "Alminhas"
Mas porque raio fui eu lembrar-me dos passadiços do Paiva? Porque o mesmo tipo de estrutura está a erguer-se na Livraria do Mondego, na nossa livraria de quartzitos que apesar de ter sido esquartejada, de forma infame, para dar passagem ao IP3, continua a ser um geomonumento que deve ser valorizado.
Há um ano, as estantes da livraria foram, devidamente limpas e, em seu redor, foram criadas pequenas estruturas em madeira (escadas, plataformas, etc) para que seja mais fácil visitá-la. Agora chegam os passadiços para que o visitante possa ficar mais próximo das fabulosas rochas de quatrocentos milhões de anos.
Espero é que não se esqueçam de contextualizar o cenário, ou seja, colocar informação, que permita perceber o que estamos a observar. E, já agora, renovo a sugestão que deixei num pequeno vídeo que gravei no local há algum tempo. Colocar junto às pequenas "Alminhas", por exemplo, uma plataforma, um varandim, com uma réplica dos famosos fósseis, os bilobites, que ali foram encontrados no século passado e levados para o museu mineralógico e geológico da Universidade de Coimbra.
Poderão os passadiços da Livraria do Mondego imitar os do Paiva em impacto à escala nacional e internacional, criação de riqueza e notoriedade? Julgo que não, nem é essa, julgo eu, a intenção. Podem, sem dúvida, valorizar o espaço mas não são o "tal" projeto diferenciador que Penacova necessita!

Comentários

  1. Devia ser feito um núcleo interpretativo na margem esq. A margem dta não devia ter acesso ao público. O interesse geológico é visível da margem esq. Assim preservavam o local.

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