Poderia o setor empresarial de Penacova ser mais robusto?

Zona industrial está próxima do IP3
Poderia, sim, respondo eu, ao olhar para o guia recentemente publicado pelo jornal "As Beiras" que faz uma lista das mil maiores empresas do distrito de Coimbra.
Nessa publicação encontro vinte e três empresas, com sede no concelho, de setores tão diversos como a produção alimentar, transportes, madeiras, construção civil e metalomecânica.
Ao todo, este conjunto de empresas é responsável por pouco mais de setecentos postos de trabalho, sendo que, a esmagadora maioria se enquadra no perfil das chamadas PME, ou seja, pequenas e médias empresas.
Mas então porque é que o tecido empresarial poderia ser mais robusto e não é? Em primeiro lugar, por erros cometidos no passado por quem nos governou, principalmente, ao nível do poder local. Penacova não soube tirar partido das boas acessibilidades, no caso, o IP3, o IC6 e o facto de estarmos numa posição próxima dos principais eixos rodoviários do país. Na década de noventa optou-se pela criação de um edifício para albergar empresas, mais conhecido por Penaparque, na zona da Espinheira, que teve e continua a ter o seu papel, no acolhimento de PME's, mas não se avançou, de pronto, para um grande parque industrial. Perdeu-se tempo, perderam-se fundos europeus e, hoje, o atual parque empresarial de Alagoa, que apenas ganhou forma nos últimos anos, acolhe meia dúzia de empresas. Sim, existe espaço para mais e também há outras empresas situadas na zona da Espinheira, mas deixámos escapar uma oportunidade única para desenvolver o nosso tecido empresarial, criando riqueza e, sobretudo, emprego.
Em segundo lugar, porque não vejo no atual executivo autárquico, uma verdadeira política para o empreendedorismo e para o estímulo empresarial. É evidente que os últimos anos foram de crise económica e, por isso, complicados para atrair investimento privado, mas julgo que se poderia ter ido mais além. Será que promovemos bem Penacova e a sua boa localização geográfica junto do meio empresarial e dos fóruns onde se movimentam os empreendedores, seja no país, ou mesmo lá fora? Será que incentivámos os nossos produtores da fileira florestal a enveredar por novos caminhos? Será que apoiámos os potenciais jovens empresários com as condições necessárias para poderem avançar com os seus negócios? Será que estimulámos uma cultura empreendedora capaz de gerar nos jovens a vontade de criar o seu próprio emprego? 
Alguma coisa terá sido feita, certamente, mas não o suficiente para desbravar esse caminho que é difícil mas que não podemos adiar e que passa pelo exponenciar de todos os nossos recursos!
Regressando às maiores empresas do distrito, queria sobretudo, sublinhar o facto de termos uma empresa no top ten da produção alimentar, a "Águas das Caldas de Penacova" que no ranking das mil ocupa a posição nº 71, com uma faturação próxima dos dezassete milhões de euros (dados de 2014). Na lista das cem primeiras (96º) está também a empresa "Transportes Marginal do Mondego" com uma faturação acima dos doze milhões de euros. Já fora das cem maiores, mas muito perto (lugar nº 110), está a "JTSL", com uma faturação próxima dos dez milhões de euros. No lote de empresas do concelho, esta metalomecânica que tem instalações no parque empresarial de Alagoa, é a que emprega maior número de trabalhadores, 172, o que é, sem dúvida, digno de registo.
  

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