25 anos dedicados à filarmónica de Penacova
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| Gonçalo Rocha chegou a Penacova em 1992 |
Foi a 28 de março de 1992 que Gonçalo Rocha entrou na filarmónica da Casa do Povo de Penacova - "Foi um convite que partiu do antigo maestro Martinho Justino que era meu camarada no Exército. Na altura, a banda tinha poucos elementos e algumas carências de instrumentos e também não havia escola de música. Algum material era tão obsoleto que alguns clarinetes eram feitos com metades diferentes, ou seja, provenientes de outros instrumentos."
Gonçalo Rocha é natural de Castelo de Paiva e por motivos profissionais veio parar a Coimbra onde existia uma banda do Exército. As portas daquilo que viria a ser a sua vida profissional abriram-se ainda durante a década de setenta, do século passado - "Em 1978 comecei a aprender música, em 1980 fui para o Conservatório do Porto estudar saxofone, em 83 entrei para o Exército e passei para a flauta transversal. Depois de concluir os meus estudos no Conservatório continuei a estudar e a aperfeiçoar-me. Frequentei cursos de direção de orquestra, direção vocal e coral, enfim fui evoluindo enquanto músico."
Serviu o Exército durante mais de três décadas - "Hoje estou fora, passei à reserva! Fui músico profissional durante trinta e um anos, dezanove dos quais na banda do Exército de Coimbra, mais dois nos Açores e os restantes no Porto onde cheguei a ser Sub-Chefe da Banda Militar. Guardo grandes recordações desses tempos! Tive o imenso prazer de dirigir vários concertos na Casa da Música, com uma banda de setenta e quatro músicos profissionais em palco. Entre 2008 e 2013 foram inesquecíveis os concertos de gala, com a presença do senhor Presidente da República e toda a hierarquia militar."
Para além de servir o Exército, Gonçalo Rocha cedo começou a dirigir e a transmitir conhecimentos a várias filarmónicas - "A minha primeira experiência foi aos vinte e oito anos na filarmónica na Abrunheira. Em 1992 seguiu-se Penacova e nesse mesmo ano assumi também a filarmónica 25 de setembro de Montemor-o-Velho que acabei por deixar no ano 2000. Na minha passagem pelos Açores dirigi também a filarmónica Senhor Santíssimo Salvador do Mundo, da Ribeira Grande. Atualmente, para além da filarmónica da Casa do Povo, dou aulas na escola de música da Carapinheira. É um projeto mais virado para a orquestra ligeira. Tenho lá miúdos desde os cinco anos de idade. Alguns que começaram comigo já são professores."
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| Concerto de Ano Novo no mês passado |
Ao longo destes vinte e cinco anos, assistiu a várias fases da vida da filarmónica de Penacova. O momento atual, confessa, é de dificuldade - "Em janeiro de 1993 abrimos a escola de música e de 17 músicos, que na altura existiam, passámos, em dois ou três anos, para 46. Não sei se as dificuldades atuais são porque faltam miúdos em Penacova ou porque há muitas atividades. Eu sei que hoje há coisas que naquele tempo não existiam. Há a escolinha de bombeiros, de futebol, há natação, há karaté, etc. Aprender música não é fácil, é preciso paciência, persistência e não desistir à primeira!"
A escola de música da filarmónica tem atualmente seis elementos mas, Gonçalo Rocha, acredita que poderia ter mais se o projeto da Escola de Artes fosse mais abrangente - "A Escola de Artes é uma mais-valia para todas as filarmónicas do concelho mas quem está a usufruir dela é a filarmónica de Lorvão. Considero isso negativo! Deveria haver mais ligação entre as três filarmónicas para que todas pudessem beneficiar. Acho que deveria ter havido uma reunião entre todas as partes, vereação da câmara, maestros, direções, para que todos estivessem mais dentro do projeto. Estou um bocadinho triste porque tenho vários instrumentos disponíveis mas não tenho quem os toque! Provavelmente haverá alguns miúdos na Escola de Artes em que os pais não tem possibilidade de adquirir instrumentos. Esses alunos com dificuldades económicas poderiam usar os instrumentos da Casa do Povo e tocar aqui na filarmónica. Julgo que era bom para todos!"
Apesar das dificuldades, o maestro Gonçalo Rocha promete não desistir - "A filarmónica tem dezassete músicos e quando temos um compromisso temos de recorrer a elementos de fora. O mínimo exigível é vinte e oito músicos para que haja alguma harmonia e equilíbrio. As dificuldades existem mas não sou de desistir! Não sou de abandonar e vamos lutar para tentar ultrapassar esta fase."


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