Medronho renasce nas encostas do rio Alva

O medronho é um fruto vermelho de elevado potencial
Até há bem poucos anos, o medronho era visto como uma planta selvagem, que crescia de forma espontânea, especialmente no centro e sul do país. Mais recentemente, este fruto vermelho começou a ser encarado de uma outra forma, com um potencial económico que pode ser rentabilizado. Em 2014 nasceu a Cooperativa Portuguesa de Medronho que teve na sua génese um conjunto de jovens produtores que se instalaram, sobretudo, na região do pinhal interior. O objetivo desta cooperativa é criar escala, estimular e acompanhar novas produções e desenvolver, juntamente com algumas universidades, projetos de investigação que permitam diversificar a utilização do fruto.
O presidente da cooperativa é Carlos Fonseca, conhecido biólogo de São Pedro de Alva, que desde 2015 vem apostando na produção de medronho numa área aproximada de vinte hectares, junto ao rio Alva. A sua exploração está dividida em duas partes: uma área de socalcos com plantação ordenada e uma segunda área onde foi feita a recuperação de medronhais já existentes. O medronhal plantado só deverá começar a produzir daqui a alguns anos.
O medronheiro é uma planta nativa da região mediterrânica que resiste bem a vários tipos de solo. No passado recente, o medronho era utilizado principalmente na produção de licores e aguardentes, mas à medida que novas explorações vão surgindo e a investigação avança, o fruto vermelho vê abrirem-se portas no setor agro-alimentar, na cosmética e até na medicina. Os produtores nacionais estão também de olho no mercado externo e na exportação do fruto fresco, muito apreciado no norte da Europa, em alguns países asiáticos e nos Estados Unidos.
Plantação da Medronhalva
Para além do elevado potencial económico, a plantação de medronheiros pode ter um papel importante no equilíbrio ecológico de zonas afetadas por incêndios florestais. "O medronheiro é, geralmente, uma das espécies que mais rapidamente recupera à passagem do fogo contribuindo deste modo para a recuperação do solo. Enquanto espécie nativa, é uma das plantas mais bem adaptadas ao fenómeno dos incêndios" - defende Carlos Fonseca, professor da Universidade de Aveiro - "o fomento de espécies como o medronheiro, conjugada ou não com outras espécies arbustivas, representa um contributo positivo para a sustentabilidade ecológica e ambiental dos ecossistemas mediterrânicos e para a valorização económica dos nossos territórios. As plantações de medronheiro funcionam como autênticos mosaicos de fragmentação de manchas florestais contínuas, contribuindo por si só para a descontinuidade florestal e para a prevenção de fogos."
Carlos Fonseca lidera a Cooperativa Portuguesa de Medronho, uma estrutura com mais de meia centena de cooperantes espalhados, de norte a sul do país, que tem como missão a valorização e promoção do fruto vermelho a nível nacional e internacional. Apostado em rentabilizar a cultura do medronheiro, o biólogo criou em 2013 a Medronhalva, a empresa que gere a exploração nas encostas do rio Alva.



Comentários

Mensagens populares deste blogue

A nova vida do restaurante Panorâmico

Casa Aurora quer trazer turistas para Friúmes

Peru dá prémio à Padaria do Largo