Ainda há quem trate bem dos moinhos!

Arménio Pereira no moinho da Aveleira
Sempre me fascinaram os moinhos de vento. No passado tiveram um papel relevante na economia local. Há décadas atrás, as suas velas e mós giravam sem parar, para transformar os cereais em farinha. "Antigamente andava com dois burros, serra acima, serra abaixo, o dia inteiro sem parar! Levava a farinha a casa dos clientes e não tinha descanso", confessa Arménio Pereira, um dos últimos moleiros do concelho de Penacova.
Visitei-o há poucos dias, na Aveleira, onde conserva um moinho de vento. "É o único dos cinco que funciona. De vez em quando ainda vai moendo alguma coisa. Milho, trigo, centeio, mas já não é como antigamente."
Arménio Pereira vive em São Mamede, está na casa dos sessenta, já aposentado e seu pai, Constantino Pereira também era moleiro. Adquiriu o moinho na Aveleira há cerca de trinta anos. "Gosto muito disto! O meu pai tinha um moinho na serra de Gavinhos e desde os seis anos de idade, até ir para a tropa, andava sempre com ele e, foi assim, que aprendi o ofício".
O moinho da Aveleira está bem conservado e teve, conta-me, obras recentes - "há um ano foi preciso fazer alguns melhoramentos. A câmara de Penacova disse-me que havia um subsídio para estas coisas mas, até agora, ainda não recebi nada! Também tenho um moinho de água, na ribeira de Lorvão onde também fiz algumas obras", desabafa Arménio Pereira que aproveita o embalo e mostra o seu descontentamento pelas obras numa moradia ali ao lado - "entendo que não deveria ficar tão alta porque prejudica a paisagem e até a direção dos ventos que são importantes para as velas andarem."
Junta-se à conversa, o amigo Américo Pereira que lamenta o facto desta atividade estar em vias de extinção - "hoje já poucas pessoas se interessam por isto! O meu também era moleiro e, naquela altura, havia muito trabalho. Moía-se farinha não só paras as pessoas, mas também para dar aos animais. Era aveia, era centeio, era trigo. Nas aldeias, muita gente ainda cozia broa, hoje quase ninguém o faz!"
Despedi-me destes dois novos amigos da forma que já viram! Brindámos aos moinhos para que haja gente e bons ventos que os protejam para sempre!


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