Uma ponte definitiva para valorizar o Reconquinho

Reconquinho, anos 70 (Arq Digital CMP)
A década de setenta terá sido a única em que o Reconquinho andou, de facto, à frente da concorrência. Com o dinamismo da Sociedade de Propaganda e Progresso e da autarquia equipou-se o grande areal com vestiários, passadeiras, uma piscina, uma ponte pedonal e avançou-se com o parque de campismo. A aposta resultou em cheio e os turistas e veraneantes começaram a chegar. Fixaram-se por aqui durante anos a fio porque, na realidade, era difícil encontrar, por esse país fora, outra praia fluvial com tanto para oferecer, ainda por cima com um enquadramento paisagístico único e um rio de águas límpidas.
Mas como a concorrência não anda a dormir, nas décadas seguintes, alguma regiões e municípios trataram de olhar para as zonas balneares do interior com outros olhos. Entretanto, no Reconquinho construiu-se um novo edifício de apoio, com bar e esplanada, novos balneários e melhoraram-se os acessos. Não foi suficiente, na minha opinião, porque a concorrência investiu mais, na certeza de que o turismo poderia ser um caminho para o desenvolvimento do interior.
Em 2004, dois estudantes de engenharia civil da Universidade de Coimbra venceram um dos prémios Secil de Arquitetura com um projeto para uma ponte pedonal para o Reconquinho. Bruno Marques e Paulo Rocha justificaram que "a construção de uma ponte pedonal definitiva traria benefícios turísticos ao longo do ano, já que se localiza junto a um parque de campismo e a uma zona de lazer", escrevi, na altura, no JORNAL DE PENACOVA.
O projeto previa uma ponte atirantada em arco, com mais de cem metros de vão livre, em módulos pré-fabricados em betão, onde assentaria um pavimento em madeira. Naquela época, a ótima ideia não inspirou a autarquia para um projeto do género e a ponte pedonal, em madeira, continuou e continua a ser feita, ano após ano, no Reconquinho. Há um ano, correram notícias da dificuldade em erguer a estrutura por causa das dinâmicas próprias do rio...
A atual gestão autárquica tem o mérito de em 2012, salvo o erro, ter conseguido a bandeira azul, ter avançado com o centro de trail e BTT, nas instalações existentes e, mais recentemente, ter procurado animar a época alta com algumas iniciativas, mas ficou-se por aí! O bar é mal explorado, continua a faltar um área de lazer, do tipo parque de merendas e o Reconquinho deveria ser, quanto a mim, o ponto de partida das descidas de canoa e caiaque. Enfim, ergueu-se a bandeira azul, mas faltou o follow up, o passo seguinte!
Decidi escrever sobre o Reconquinho (mais uma vez...) depois de ter lido na imprensa que a praia fluvial de Palheiros e Zorro vai ter uma ponte pedonal definitiva. O investimento ascende a meio milhão de euros e o concurso será lançado, segundo a câmara de Coimbra, ainda este mês. A ponte pedonal e ciclável dará forma a uma velha aspiração de Firmino Vítor, ex-autarca do PCP, de Torres do Mondego, entretanto falecido. 
Há pouco, quando me referia à concorrência, também pensei, obviamente, nesta praia fluvial que apesar de ter surgido em 1997 rapidamente se tornou numa das atrações do Mondego...
No futuro plano de ação de regeneração urbana, para o centro histórico de Penacova, está equacionada uma ligação ao rio, a montante do Reconquinho. Para já não passa de uma intenção...e os anos vão passando.  
    

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