O pequeno grande mundo de Edemaro Santos

A construção de uma barca serrana
Certamente já reparou nos moinhos de vento que estão colocados nas entradas de Miro. Exemplares bem construídos que saíram das mãos sábias de Edemaro Martins dos Santos. Edemaro, assim mesmo, e não Edmar! Este magnífico artesão abre-me a porta do seu museu num destes dias de canícula. À minha volta vejo rodas, barcas, casas, moinhos, chaveiros, garrafeiras... Um universo só seu que foi crescendo à medida que foi ganhando o gosto pelas peças mais tradicionais. Por isso lhe chama "O Cantinho do Santos".
Edemaro não é de Miro, é natural de Venda Nova, concelho de Poiares, mas mudou-se para ali há mais de cinquenta anos. 
Em criança guardou gado, mais tarde trabalhou na construção civil, também foi camionista, mas foi no serviço militar, na Guiné,  que a vocação para a carpintaria surgiu. "Passava muito tempo na oficina de carpintaria e quando regressei até trouxe algumas ferramentas".
Confessa que não teve grandes mestres, com exceção de David Assunção, um construtor de barcas serranas, com quem aprendeu muito. "Já fiz alguns barcos em tamanho real. Até tenho um aqui perto de casa. O David Assunção era um mestre".
Também ajudou a recuperar e a montar a roda gigante que está na praia de Vale da Chã, no rio Alva, mas foi nas peças mais pequenas, que encontrou todo o encanto de trabalhar a madeira - "as réplicas em miniatura foram surgindo quase naturalmente. Tirei umas coisas pelas outras..."
É na oficina, paredes meias com o museu, que passa grande parte do tempo. "Dependendo do tamanho, um barca demora uma semana a fazer", afirma Edemaro sem tirar os olhos de uma nova peça que está a nascer. Perfecionista, não deixa nenhum pormenor ao acaso e no interior da barca é possível admirar pequenos molhes de carqueja e de lenha que as embarcações transportavam rio abaixo.
A União de Freguesias de Friúmes e Paradela é um dos bons clientes e faz-lhe encomendas, principalmente de moinhos de vento, com alguma frequência.
No seu museu, no "Cantinho do Santos", em Miro, faz questão de me mostrar o galardão que recebeu da autarquia, em reconhecimento pelo seu trabalho enquanto artesão.
Se passar por Miro, um destes dias, procure o mestre Edemaro! Sim, acho que merece ser tratado assim! A perfeição das suas peças - rodas, moinhos e barcas, principalmente -  surpreendeu-me.


  

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A nova vida do restaurante Panorâmico

Casa Aurora quer trazer turistas para Friúmes

Peru dá prémio à Padaria do Largo