Desleixo mancha paisagem da Livraria do Mondego

Equipamento instalado desapareceu
Há cerca de três anos, a câmara de Penacova decidiu, e bem, valorizar o monumento geológico da Livraria do Mondego. Com a ajuda de verbas comunitárias, no valor aproximado de 46 mil euros, avançou o projeto "Preservação do Património Natural", tal como consta da placa que ainda está colocada no local.
A ideia era tornar as conhecidas formações rochosas acessíveis ao público. As obras avançaram em 2015 e, depois de uma limpeza da área envolvente, a margem direita, junto à Livraria, recebeu diverso mobiliário urbano em madeira (bancos, papeleiras), foram plantadas árvores, colocadas guardas de segurança e melhorado o estacionamento, mesmo por debaixo da ponte do IP3, com capacidade, de acordo com o projeto, para vinte e três viaturas. Na margem do rio foram colocados dois mini-cais para ancoragem da Barca Serrana, para que, segundo o mesmo projeto, os visitantes pudessem ter uma panorâmica única, a partir do rio. Entre as formações rochosas da Livraria foram construídas longas escadarias, com miradouros e pontos de descanso e, na base, colocadas mesas de piquenique.
                        A intervenção realizada em 2015                   D.R.
Num dos últimos invernos, em que o Mondego engrossou o caudal, grande parte do equipamento foi danificado e não foi reposto. Sobreviveu uma baliza de sinalização náutica, de cor amarela, que permanece a meio do rio.
Encosta acima, entre as fantásticas rochas de milhões de anos, não há sinalização do percurso, o mato invadiu os pontos de descanso, os miradouros e as escadarias, e a sensação é de total abandono. O mínimo que se exige é que a zona seja limpa e se recupere o que ficou. O projeto de valorização da Livraria do Mondego deve ser, quanto a mim, reformulado, levando em linha de conta aspetos como as cheias de inverno, a melhoria das acessibilidades e a sua integração nos trilhos. Seria igualmente importante, como já foi referido no passado por mim e por outros penacovenses, que no local, talvez na margem oposta, existisse um espaço de interpretação com uma réplica da "pedra curiosa" encontrada na Livraria, no século passado, e que prova, através das marcas deixadas pelas trilobites, a relevância científica do lugar. Por último, e não menos importante, também não se entende como é que existindo um trilho do Centro de Trail Carlos Sá, designado de "Livraria do Mondego", que percorre as margens do rio e passa pelo monumento geológico, o utilizador se depare com o abandono, desleixo e falta de manutenção daquele espaço.


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