Do cartaz de Tóssan aos números do turismo

Cartaz de autoria de Tóssan
Na década de cinquenta, do século passado, Rui Castro Pita pediu a um amigo, de seu nome, António Fernandes dos Santos, que fizesse, por ocasião de umas festas que por cá se realizaram, um cartaz que chamasse a atenção para o potencial turístico de Penacova.
O amigo, de Coimbra, pintor, ilustrador e caricaturista, que assinava as suas obras com o nome Tóssan, fez esse cartaz icónico que nos remete para a vibrante atividade turística da primeira metade do século XX.
Importa dizer que um dos responsáveis por essa dinâmica foi Rui Castro Pita, o homem por detrás da Sociedade de Propaganda e Progresso de Penacova, a entidade privada que mais fez pelo turismo desta terra.
De Tóssan, aos dias de hoje, muito mudou, e ao longo das últimas décadas, Penacova não soube acompanhar a evolução dos tempos e perdeu esse brilho que, outrora, atraía "aristas" de todo o país. O turista de hoje desfruta com os cinco sentidos. Não visita, aprende! Não viaja, descobre! O turismo é cada vez mais digital e a internet e as redes sociais são local de partilha de experiências. O smartphone passou a ser o companheiro de viagem.
O Tóssan dos nossos dias são as app e os sites que, com o deslizar do dedo, nos dão toda a informação que queremos, de determinado lugar, de um monumento, de uma praia fluvial, de um restaurante, e tudo em tempo real. Neste aspeto, Penacova continua à margem destas ferramentas que, hoje, o viajante, o turista, já não dispensa.
O turismo, o setor que mais tem contribuído para o bom momento económico do país, tem sido, aqui no blogue, um tema recorrente. Deveríamos aproveitar esta onda e dar o salto, mas isso tarda em acontecer! Falta estratégia, falta investimento, público e privado, falta o Tóssan deste novo século. Por isso, não me entusiasmam particularmente, os números do turismo divulgados pelo INE - Instituto Nacional de Estatística. Sim, temos uma subida acima dos 300% nas dormidas (1614 em 2015, para 7457 em 2016). É ótimo, sem dúvida! Mas se olharmos para o todo do distrito, estamos cá para baixo, e só fazemos melhor do que Poiares, Góis, Soure e Tábua, estes dois últimos sem qualquer dado indicativo. Com o nosso potencial, que concentra num só território, tanto "trunfo", já devíamos estar noutro patamar!

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