Uma barbearia que está sempre na moda

Fernando Dias e Pedro
A moda da barba, nos rostos masculinos, fez renascer as barbearias. Em Lisboa, nas cidades e um pouco por todo o país, as barbearias vintage surgiram revigoradas. Uma sensação semelhante, talvez, ao bálsamo refrescante que se coloca após a barba, o famoso aftershave.
Por volta dos onze anos de idade, Fernando Dias, hoje com oitenta e três, já aprendia a arte da barba e cabelo com Carlos Almeida, em Penacova. Durante o serviço militar, nos anos cinquenta, do século passado, cortou muito cabelo e aparou a barba aos militares aquartelados em Santa Margarida. Testemunho disso são as fotografias, a preto e branco, que estão nas paredes da Barbearia Dias, que fica bem no coração de Penacova.
Durante alguns anos aprimorou a técnica na barbearia São José, em Coimbra. Na passagem pela cidade dos estudantes, trabalhou também na câmara da cidade e na ACIC - Associação Comercial e Industrial de Coimbra.
Em finais da década de oitenta, estabelece-se em definitivo em Penacova. Curiosamente, o filho, Pedro começa, tal como o pai, aos onze anos, a dar os primeiros passos no ofício. Hoje, é ele que assume o papel principal e segue as pisadas do pai. A Barbearia Dias nasceu em 1987 e alguns anos depois passou por uma remodelação. As paredes são em madeira, o chão em mosaico xadrez e as cadeiras, em tom verde, são verdadeiras obras de arte! O ambiente é descontraído, o cliente enquanto espera pode ler o jornal e, em fundo, uma telefonia acompanha o som das tesouradas.
Aos poucos, Fernando Dias vai passando o testemunho - "quando ele, por qualquer motivo, não está, eu ainda pego, mas isto agora é dele!"
O Pedro desdobra-se entre o trabalho na barbearia, os bombeiros e o clube Mocidade, onde é massagista. Sobre a moda das barbearias tradicionais, afirma que há mais homens a tratar da barba, mas o impacto sentido não é grande. "Isto é de modas!".
Há trinta anos, talvez, Penacova tinha vários barbeiros. Em criança, acompanhava o meu pai ao Carlos "Barbeiro". Quando chegava a minha vez, lá vinha o banquinho de madeira para eu me sentar em cima da cadeira. O senhor Carlos era muito ágil com a tesoura e um grande conversador. As táticas do futebol e as chaves do totobola eram esmiuçadas até ao ínfimo pormenor. Na mesma rua, um pouco mais acima, existia outra barbearia, a do senhor Joaquim Coimbra, uma das personagens mais carismáticas da vila que, há largos anos, retratei no Jornal de Penacova.
Espero que a Barbearia Dias viva por muito tempo e mantenha viva esta tradição!
Álvaro Coimbra

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